por Leo Jaime

Há algum tempo a ONU lançou a campanha He For She, uma iniciativa que convoca os homens a lutar pelo direito das mulheres. Não, não é para os homens “resolverem” para as mulheres questões que elas não conseguiriam resolver sozinhas. Era uma convocação para a solidariedade porque, afinal, toda luta pelo fim da desigualdade, fim dos preconceitos, injustiças, acaba por ser um bem para toda a humanidade e não apenas da classe que reivindica.  A plenitude dos direitos da mulher contempla a todos.

Alguns homens refletem, um pouco querendo sair da berlinda, dizendo; “Nunca vi uma reunião em empresa em que se combinasse que o salário das mulheres seria menor do que o dos homens”. Claro, evidente, as corporações querem profissionais eficientes e a orientação sexual e gênero talvez sejam detalhes que não pesem na hora da avaliação de performance. Vamos lembrar que a maior empresa do mundo, Apple, é presidida por um homem assumidamente gay. Mulheres, não importa se lésbicas ou não, também estão ganhando posições importantes em todas as empresas do mundo, às vezes de liderança, o que é absolutamente natural. Bem como o protagonismo político, ainda que o número de candidatas a cargos públicos seja sempre menor. Elas podem, elas devem e elas fazem. Ainda bem! Mas, e a solidariedade dos homens? Como pode se dar.

A primeira coisa que me ocorre é: se não atrapalhar já está ajudando! Sim, meus amigos, se existe uma parcela de homens que tanto na vida íntima quanto na pública já se posicionam de uma maneira mais justa e solidária, a maioria continua ogra, tosca,  violenta, primitiva, e, sobretudo, agindo como quem está sob ameaça. E, de certa forma, está mesmo!

O assédio foi retratado há dias  por milhões de mulheres que colaboraram com a hashtag“#meuprimeiroassédio”. Era comovente e assustador. Homens que, quando crianças foram vítimas também se manifestaram, e este deverá ser o capítulo seguinte: a violência contra a mulher é covarde e vil, mas a que se pratica contra crianças e velhos consegue ser ainda pior. Em seguida veio a manifestação nas ruas exigindo respeito por parte dos nossos legisladores que pretendem com leis absurdas tornar mais difícil ainda a vida de mulheres estupradas. Bem, se os nossos homens da lei se colocam mais ao lado dos estupradores do que das mulheres pouco precisa ser debatido: o negócio é mesmo ir às ruas e exigir respeito.

Quem precisa do machismo

“Quem precisa de machismo? Quem se beneficia, de fato?”. Fotos: Kareen Sayuri

Mulheres estão se unindo e indo às ruas, a público, fazer suas exigências e lutando por seus direitos. Homens precisam se posicionar. Ou são parceiros que querem a felicidade das mulheres que o cercam, sejam amigas, amantes, familiares, não importa, ou são o empecilho histórico que vai desaparecer como tudo o que é desnecessário acaba desaparecendo. Quem precisa de machismo? Quem se beneficia, de fato? Homens e mulheres foram criados sobre este fardo cultural e aqui e ali revelam suas heranças e consequências. Vamos reverter isto analisando nossos comportamentos e revendo posições. É o que elas estão fazendo, é o que todos devem fazer.

 


Você, amigo macho, questione-se. Se elas mudam, tudo muda e você vai ter que mudar também!


 

Você mulher, ofereça aos homens que você respeita um lugar na sua trincheira. Quem lhe ama lhe respeita e quer que o mundo lhe respeite também. Você, amigo macho, questione-se. Se elas mudam, tudo muda e você vai ter que mudar também! O mundo em que homens e mulheres são igualmente responsáveis pelos rumos da história há de ser um mundo melhor para todos. Parceria! Não precisamos mais dividir: precisamos nos unir para um mundo mais harmônico. Achar um culpado, por si só, não melhora, é preciso achar um novo meio de conviver. Ver os erros do passado não significará nada se não tivermos propostas claras para o futuro.

Eu quero estar ao lado das mulheres e não contra elas. Elas talvez nem precisem deste meu apoio. Mas a causa delas é minha também. E você? Já pensou a fundo sobre o tema?