Me formei praticando esportes coletivos. O futebol em primeiro lugar. Joguei também vôlei no colégio, onde fui um folclórico levantador de manchete – nunca soube dar toque direito, tinha medo de quebrar os dedos. Fui ficando mais velho e trouxe algumas modalidades individuais à minha rotina. Já joguei tênis (fiz aulas e partidas no auge da era Guga, hoje a raquete está… nem sei, talvez debaixo da cama) e agora tenho a corrida e a natação, mais a primeira que a segunda, como práticas regulares para manter boa saúde e bom peso.

Se os esportes coletivos nos ensinam muito “pra fora”, no jeito de nos relacionarmos com o outro, esteja ele do lado de cá ou de lá, os individuais nos botam “pra dentro”. É um ótimo exercício de autoconhecimento.

Aprendi a nadar com 7 anos, fazendo aulas no clube. Experiência dura, porque no final dos anos 70 não eram muitas as piscinas aquecidas disponíveis. Me lembro de como era torturante mergulhar no gelo das águas de maio às 7h da madrugada. Ainda mais para um galeto esquelético como eu. Invejava as morsas. Demorou demais para eu tomar gosto por nadar 50 minutos, 1 hora. Hoje, curto.

A corrida entrou na minha vida por força profissional. Fiz parte da equipe que trouxe a Runner’s World, maior revista de corrida do mundo, para o Brasil. Dirigi uma equipe bacana. E comecei a correr para entender esse universo e fazer meu trabalho melhor. Treinei mais seriamente, participei de provas. No começo, a falta de uma bola, de um placar, era para mim a principal dificuldade. Até brincava com a turma: “E aí, já estamos correndo há 15 minutos e ninguém fez um ponto?” Conforme fui evoluindo, senti no corpo e na mente os benefícios da endorfina e do bom condicionamento, que tiveram efeitos na minha modalidade preferida, o futebol.

Curioso é que os esportes individuais nunca me acenderam uma veia competitiva. Com o tênis, porém, aprendi a perdoar meus erros. Dei lá minhas raquetadas no chão de raiva, mas entendi que ponto perdido é ponto esquecido. Vamos para outra, já passou. O jeito de corrigir o ponto anterior perdido é acertar e ganhar o próximo. Quantas vezes não perdi partidas porque fiquei com aquela largadinha que parou na rede martelando na cabeça? Isso não acontece na vida direto, com erros que cometemos?

Na natação e na corrida, não ligo para distâncias nem tempos. Gosto do prazer de estar na água me movimentando, da sensação de correr no parque, na praia. Embora convivesse com muitos colunistas e leitores ultracompetitivos, eu sabia que minha vibe era outra. Segundos a menos ou quilômetros a mais não me seduzem. Gosto de uma hora de corrida, às vezes um pouco mais, às vezes um pouco menos. Vou no ritmo que dá na telha. No friozinho, vou mais rápido. No calor, puxo o freio. Isso me permite pensar, ter ideias, olhar o entorno, planejar o dia que começa.

Acho uma ótima combinação ambas as experiências: a coletiva, do futebol, e a individual, seja do tênis (que envolve um adversário), natação ou corrida. Além de fazer bem para o corpo, é também musculação para a cabeça.