Era um simples treininho na sala. Que arrebentou com a TV de tela plana.

Meu filho tem 9 anos e é boleiro. Em nosso apartamento, sua diversão predileta é jogar futebol na sala. E nada dessas bolinhas fofinhas, de feltro, de pelúcia. É bolona dura mesmo, do Paulistão, da Champions, do Brasileirão. Não preciso dizer que ele toma bronca o dia inteiro. Mas passa o tempo e lá está ele de novo, tum-tum-tum. E dá-lhe carrinho. Bicicleta. Chapéu na mesa. É algo fora de controle. E eu vou tendo cada vez mais certeza de que a pedagogia mandatória na escola dele deve ser o Destrutivismo. Só pode ser…

Esses dias eu estava em uma cidade do interior e recebi um telefonema da minha mulher. “Seu filho aprontou. Chutou a bola na TV da sala e estraçalhou a tela. Confisquei o celular e ele está fora da festa do Rafa na sexta”. Vieram o crime e a condenação prontas — ah, se a Justiça brasileira fosse assim, tão célere quanto as mães!

Cheguei em casa de noite, família dormindo. Liguei a TV e estava assim: metade um mosaico abstrato, metade imagem boa. Chamei uma assistência técnica, eles ainda não mandaram o orçamento pra eu ver se vale a pena consertar ou se é melhor comprar outra.

E o moleque? Devo falar algo ou já foi tudo dito? Me lembro de quando eu era da idade dele. Tinha a sorte de morar numa casa com quintalzão, jardim e rua sem saída na frente. Eu dispunha de vários “campos”, diversos portões que serviam de gol. Mas o prazer que era inventar um joguinho dentro de casa não tinha paralelo. O piso de taco, eu só de meia, deslizando pela sala. No corredor dos quartos, era embolar uma meinha pra virar bolinha perfeita, botar uma cadeira em cada canto e jogar partidas inteiras sozinho. Tum, tum, tum. E de noite era ainda mais legal, depois do banho e do jantar. Agora imagina você vendo TV e o moleque fazendo um barulho do tipo Harley Davidson na sua orelha? Levava bronca da mãe, do pai, da avó. Parava um pouco mas depois voltava.

“Filho, preciso dizer mais alguma coisa da TV quebrada?”, pergunto a ele. “Não, pai, já estou sem o celular e não vou à festa”. E o que você vai fazer daqui pra frente? “Não jogar mais bola na sala”. Juro que me deu um nó na garganta. Talvez quando vier o tamanho do prejú eu fique menos molenga. Vamos ver…


 

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