Quinta parada: Cusco

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Na região considerada capital arqueológica da América, impossível não se encantar com as construções e a história do Império Inca

Em 2014, quando enquanto visitamos Cabo Polônio, um refúgio ecológico no Uruguai, vimos uma placa que dizia o seguinte: “La interpretación va dirigida al corazón y a la capacidad de asombro de las personas, más que a lá razón.”

Ao visitar Cusco e os sítios arqueológicos que estão ao seu redor, impossível não lembrar daquela mensagem. Não importa a fama do local ou a exploração comercial e turística feita por lá: a interpretação e a beleza estarão sempre nos olhos e na mente de quem visita Cusco.

Ouvi de um grupo próximo que eram apenas pedras empilhadas. Pouco tempo depois, um casal de idosos se perguntava como toneladas de pretas poderiam ser movidas e encaixadas com tamanha perfeição.

Com muito mistério e misticismo envolvido, a única certeza é a de que o solo em que pisamos foi palco de grandes batalhas, mesmo sendo considerado tão sagrado pelos antigos habitantes incas.

Em 1532 o colonizador espanhol Francisco Pizarro invadiu e saqueou a capital do império Inca (Cusco). No caminho, ainda estabeleceu outras pequenas cidades, tomando para si o que não era seu.

Um ano mais tarde, com o domínio espanhol já estabelecido, a praça que ficava rodeada por palácios Incas foi nomeada  Praça das Armas. Originalmente, a praça era conhecida como Huacaypata, que significa “ponto de encontro”. Por sua localização estratégica (no meio da cidade), a praça era o principal ponto administrativo e cultural do império Inca; tudo era resolvido ou começava a ser resolvido ali.

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Os palácios não existem mais. Alguns viraram ruínas. No lugar de outros, foram construídos museus, igrejas e o comércio. Mas a praça continua lá, quase intacta.

A região ao redor de Cusco é considerada a capital arqueológica da América. Além do mais famoso sítio, Machu Pichu, existem Saqsayhuaman, Tambomachay, Puka Pukara, Q’enco, Coricancha, e Ollantaytambo. Os sítios arqueológicos permitem a todos viajar por uma incrível história de como foram construídos. Possuem grande importância econômica e religiosa para a região, mas infelizmente passaram por uma trágica exploração e degradação durante a colonização.

Todos os sítios têm uma ligação fortíssima com a religião Inca, que tinha no sol o centro de sua crença. Estrategicamente, as grandes construções incas eram feitas em locais altos e em forma piramidal para facilitar a visão do território em volta e com enormes e pesadas pedras, que serviam de proteção e abrigo em caso de batalhas.

Atualmente, a região dos sítios e o entorno de Cusco se encontra em condições precárias onde a economia é o principal gerador de renda.

Com inúmeros turistas chegando todos os dias da semana, a Praça das Armas continua sendo o ‘ponto de encontro’ e, consequentemente, o centro comercial da região. Tudo acontece ali. Você consegue encontrar desde um hotel para hospedar-se até comprar passagens de avião para sobrevoar Nazca.

Confesso que, por alguns minutos, durante as abordagens que recebemos, me senti no centro de São Paulo. A única diferença era o entorno, que não oferece privacidade para tomar um café durante uma manhã fria. Sempre tinha alguém querendo nos vender algo.

Dica boa e pouco explorada é visitar o Mercado San Pedro e realmente mergulhar no cotidiano dos moradores da região que fazem do local seu particular centro de compras. O Mercado San Pedro tem estrutura parecida com o CTN do Rio de Janeiro e o Mercadão Municipal de São Paulo.

Conhecemos Juan, peruano que morou no Brasil por 7 anos e atualmente trabalha como guia turístico na região.

Juan contou que é apaixonado pelo Brasil e pelo Corinthians, mas resolveu ficar no Peru por causa dos filhos. “Meus filhos são pequenos e a escola aqui é muito melhor. Um dia quero voltar, morar em Ubatuba e ver meu Corinthians jogar”.

A essa altura da viagem, sentir saudades de casa era corriqueiro. Se Juan voltou para o Peru em busca de uma vida melhor para seus filhos, a nossa passagem por aquela região tão carente, cheia de história e tão abatida era, sem dúvidas, passageira. Nossa aventura pelo Peru começava a acabar e para partirmos novamente rumo a outros países teríamos, antes, que voltar a nossa terra natal, o Brasil.


 

*Natanael Sena é autor do Projeto Vai de Fusca, em que narra as aventuras dele e do pai, Francisco Gomes, dentro de um fusca de 1984 pela América Latina. Para ele, toda e qualquer fronteira pode ser cruzada; basta vontade. Pós graduado em Comunicação pela USP, Marketing pelo IBMEC-RJ e Marketing Intelligence pela Univ. de Lisboa-PT, Natanael já publicou três livros – no “Vai de Fusca”, de 2014, ele conta as aventuras no fusca da família. Natanael e Francisco estão atualmente na estrada rumo a Lima, no Peru.

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