No futsal, ela cresceu e está quase igual à de campo. Mas havia jogadas que só a bolinha proporcionava…

Dos esportes populares, o futebol é o que mais resiste em absorver mudanças nas regras. Curiosamente, uma modalidade derivada, o futsal, antigo “futebol de salão”, caminhou no sentido oposto. Nas últimas décadas, promoveu uma série de mudanças.

Na minha época de futsal na escola, não valia gol de dentro da área, e lateral e escanteio eram batidos com as mãos. O goleiro também não podia sair chutando para além dos limites da área. Era outro esporte.

Essas e outras alterações tornaram o jogo mais dinâmico. Gosto particularmente da opção do goleiro-linha, com o time assumindo riscos, desguarnecendo sua própria meta para tentar o gol. A posição fez surgir jogadores polivalentes, craques com os pés e as mãos.

Uma mudança, entretanto, me desagrada. O tamanho da bola. Hoje, a de futsal é grande, muito próxima em circunferência a uma bola de futebol de campo. Não era assim. A bola de “futebol de salão” era bem menor. Nos torneios escolares, havia inclusive vários tamanhos, todos pequenos. Algumas eram mínimas. Isso permitia um contato mais íntimo com o pé. Usávamos bastante a sola, o que gerava uma série de jogadas malabaristas. É mais fácil você grudar uma bola no pé se ela for pequena. Mas seu controle exige maior perícia do jogador.

Jogadores de futsal sempre exibiram uma habilidade mais “circense”. O boleiro de quadra é capaz de parar a bola na frente de um adversário com ela grudada sob seu pé, armando o bote na primeira piscada do rival. Outras jogadas só surgem nas quadras, saídas criativas para situações de clausura. Tenho um amigo, o Leonardo, que é um gênio dos espaços curtos. Ele acaba com os zagueiros no futebol soçaite porque foi forjado no futsal. Inventa buracos. Costumo dizer que, se o futebol profissional fosse disputado dentro de uma Kombi, o Léo seria o Pelé.

No campo, mesmo os mais habilidosos contam com o espaço para driblar os marcadores, casos de Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo. É outra dinâmica de jogo, tanto que um craque do futsal, quando vai para o campo, muitas vezes fica perdido – e vice-versa.

As dimensões do terreno de jogo e o tamanho da bola no “futebol de latifúndio” tornam o uso da sola do pé algo raro de se ver. No campo, Ganso é um dos poucos que ainda fazem isso e, por essas e outras, é tão diferente.

Claro que um jogo de futsal ainda é uma festa de malabares, mesmo com a bola grandona. Mas eu tenho saudades da bolinha. E ela ainda elevava o chute de bico, antes lance exclusivo do repertório dos pernas-de-pau, ao arsenal dos craques. Numa bola grandona, o bico premeditado não existe. A exceção foi Romário.


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