É só um jogo, mas determina humores, pauta relações, ocupa um tempo danado na vida de milhões no mundo todo

Dia 19 de Julho é o Dia Nacional do Futebol. Eu não conheço nenhuma atividade que mexa tanto com um número tão grande de pessoas como esse esporte. Que penetre a vida cotidiana, que esteja tão presente em todo o planeta.

O futebol pauta relações. Se fosse feita uma pesquisa sobre os assuntos nos ambientes de trabalho quando se chega na segunda-feira de manhã (ou na terça, na quinta, ou na sexta, porque tem jogo quase todo dia), tenho certeza de que o futebol ganharia de longe. Preste atenção nas conversas de elevador, nos papos no refeitório, no almoço. Eu fico muito atento a isso porque já trabalho há uns bons anos com o futebol. O assunto domina.

Reuniões internacionais. Tenho amigos executivos que viajam mundo afora e principalmente na Europa o papo no início dos encontros é sempre falar de futebol. Ele funciona aí como um quebra-gelo. Olha que interessante: “nós daqui a pouco vamos tomar decisões importantes, tocar em pontos difíceis, números, tensões. Vamos então sorrir um pouquinho antes para ver se nos sentimos melhor antes de começar”. Qual o assunto escolhido? Futebol.

O futebol também democratiza relações. O que um presidente de empresa pode ter em comum para conversar com o porteiro? Claro que pode ter muitas coisas, mas entre elas certamente está o futebol nos primeiros lugares. São indivíduos com repertórios diferentes, visões de mundo bem distintas. Mas o futebol os iguala, horizontaliza a relação. Eles são capazes, se gostarem de futebol, de trocar ideias e quem sabe até estreitar sua relação começando por algo que os nivela: a paixão, as opiniões sobre a rodada anterior, sobre o novo técnico etc. E ali, comentando sobre a rodada, são iguais por 2, 3 minutos.

O futebol também confere identidade. “Conhece o Paulo?” “Qual, o palmeirense?”. “Sabe o Joca, da padaria, corintiano doente?”

O futebol mexe com os humores. Como é um final de domingo quando seu time perde para o principal rival? A pizza tem o mesmo sabor? Quantas mulheres que não estão nem aí para a bola torcem para que o time do marido vença para que ele não fique com aquela tromba no jantar na casa da sogra? E, hoje, cada vez mais, vice-versa?

Quem curte futebol o deixa à mão o tempo todo. A janela do site de notícias aberta ali no cantinho do computador. O aplicativo do minuto-a-minuto dos jogos no celular. Quando a gente clica durante o expediente, não estamos fazendo nada mais do que tirar uma folguinha, férias de 30 segundos. Deixamos questões importantes e às vezes chatas de lado para refrescar a cabeça visitando nossa maior paixão.

E olha que, se nosso time ganha, se é campeão, na prática nada muda na vida da gente. Não vamos ganhar aumento no dia seguinte, não seremos promovidos na empresa, o vizinho mala não vai parar de reclamar do barulho dos nosso filhos. Mas é um pedaço da gente. Tenho um amigo palmeirense cuja paixão foi forjada nos anos 80, os anos da fila, do jejum de títulos. Um dia cheguei no trabalho e dei os parabéns porque o Palmeiras havia ganhado uma partida jogando bem. Ele virou pra mim e falou: “Qando o Palmeiras ganha, o máximo que eu consigo sentir é alívio”.

E ele lê tudo sobre o Palmeiras, compra camisa, corneta, dá palpite. Num negócio que, na melhor das hipóteses, vai trazer para ele um sentimento de… alívio!! Hoje, inclusive, com seu time no topo do Brasileirão, anda todo sorridente, aliviadão…

Tudo o que se procura hoje, nessa economia altamente competitiva, com enorme oferta de produtos e atividades, é atrair a atenção das pessoas, engajá-las, penetrar a vida delas. Nada faz isso como o futebol faz. E você, já refletiu sobre por que raios um simples jogo virou algo tão poderoso e presente na vida de tanta gente nos quatro cantos do planeta?


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