A sensualidade feminina está presente tanto em seus projetos arquitetônicos quanto nos desenhos e gravuras que executava com maestria – uma faceta menos conhecida de sua obra, mas igualmente fascinante

Não é o ângulo reto que me atrai,

Nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo o homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual.

A curva que encontro no curso sinuoso dos nossos rios,

nas nuvens do céu,

no corpo da mulher preferida.

De curvas é feito todo o universo,

O universo curvo de Einstein.

(“Poema da Curva”)

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Como revela em seu poema, Niemeyer não gostava de ângulos retos. Dizia que as retas haviam sido criadas pelo homem e não tinham caráter transformador. Por isso preferia as curvas, que considerava dádivas da natureza, capazes de dar beleza e leveza ao horizonte, aos leitos dos rios e ao corpo humano. “Quando uma forma cria beleza, tem na beleza a sua própria justificativa”, ensinava.

A sensualidade está presente em diversas obras, como as sinuosidades do Edifício Copan, situado no centro de São Paulo. Com seus 115 metros e 35 andares, ele se tornou uma das obras mais emblemáticas do arquiteto, que se derramava ao declarar: “Como é mágico ver surgir na folha branca de papel um palácio, um museu, uma bela figura de mulher! Como as desejo e gosto de desenhá-las! Como as sinto nas curvas de minha arquitetura.”

As mulheres estão presentes em suas pinturas e desenhos, uma faceta menos conhecida do artista, mas tão criativa e poética quanto os seus projetos arquitetônicos. Justificava explicando que “As curvas da mulher têm um pouco da minha arquitetura, como tem das montanhas…”

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Essa faceta menos explorada surge na coleção Reserva Técnica Oscar Niemeyer. “Além dos ícones conhecidos, sempre gostamos de mostrar um outro lado que o grande público não conhece, por isso trouxemos as serigrafias de Oscar com as curvas femininas e também croquis com seus pensamentos sobre questões estéticas e sociais”, explica Pedro Cardoso, gerente de Novos Negócios e Parcerias da Reserva.

O aspecto “sexy” da obra de Niemeyer foi percebido e glorificado por seus pares e especialistas. Em 2003 a revista Wallpaper, a bíblia de arquitetura e decoração, proclamou: “Niemeyer é o equivalente na arquitetura às formas de Gisele Bündchen na moda. ” E por ocasião de sua morte, o arquiteto norte-americano Brandon Haw vaticinou: “Niemeyer vai ser lembrado por falar das formas femininas e da coletividade. Seu legado no futuro será visto como um trabalho muito especial e sensual, que levanta o espírito”.

Não era apenas o lado lúdico que se destaca na obra e pensamento de Niemeyer. O artista e arquiteto tinha uma aguçada visão crítica da sociedade, que expressava em suas entrevistas e escritos e que revelava a sua complexa personalidade. “Todos temos dentro de nós um ser oculto que nos leva de um lado para o outro. Eu digo sempre que o meu é esse: ele gosta das coisas, gosta de mulher, gosta de se divertir, gosta de chorar, se preocupa com a vida. É um sujeito complicado, né? ”, filosofava.

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