Conversamos com a coordenadora do Mini Gentilezas, projeto que direciona amenities a pessoas em situação de rua

Fala galera,

Das “mini” gentilezas que mudam o mundo, 122 mil aconteceram bem aqui, no Brasil. Esse é o número de produtos de  higiene pessoal distribuídos até novembro de 2016 a pessoas em situação de rua pelo projeto Mini Gentilezas, da ONG Argilando.

Para saber mais dos bastidores de tão nobre iniciativa, conversamos com a jornalista carioca Karina Rocha, de 32 anos, que comanda a operação.

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Foto: Reprodução

Como nasceu o Mini Gentilezas?

A ideia não é nenhuma novidade; muitas instituições fazem esse trabalho de entregar amenities a pessoas em situação de rua. Um belo dia, o Israel Mesquita, designer que coordena comigo o Mini Gentilezas, fez uma arte explicando a ideia para que pudéssemos encaminhar aos nossos amigos viajantes. Nessa arte a gente colocou o meu número de telefone, para que os interessados pudessem ligar. Em 48 horas a arte foi replicada 5 mil vezes e meu celular não parava de tocar. Tinha mensagem de gente do Brasil todo! As proporções foram tantas que, em 12 de maio, decidimos fazer do Mini Gentileza uma iniciativa própria.

Você se surpreendeu com a dimensão que o projeto tomou?

Eu me surpreendi antes mesmo do projeto nascer. Fo insano responder àquela enxurrada de mensagens, sobretudo quando o projeto ainda nem tinha uma página só pra ele; não tinha nada. A gente foi de 0 a 20 mil curtidas no Facebook em uma semana, foi muito rápido — e tudo de forma orgânica! As pessoas abraçaram a ideia com muito amor. A gente atribui esse sucesso à arte em si, que é muito fofa, e ao nome — a gente acredita que esse nome doce, Mini Gentilezas, foi bem certeiro.

Qual o grande diferencial do Mini, na sua opinião?

Acho que a organização pioneira. Sabe, no primeiro mês era tudo um pouco confuso, porque tinha muita gente interessada e pouca ordem. Aí a gente parou um momento pra pensar na coisa como um todo. Viramos uma noite inteirinha e desenhamos o fluxo perfeito: nós “terceirizamos” a entrega do material, deixando que instituições sérias, que já trabalham com a população em situação de rua, coordene a distribuição. Logo, a primeira coisa que fazemos é estabelecer os pontos de coletas. Depois encontramos voluntários dispostos a fazer a triagem das doações — tem que checar a data de validade de cada um dos produtos e avaliar o estado deles, porque o que não serve pra gente, não serve para o outro. Esse voluntário também é responsável por controlar o estoque, digamos assim, porque é preciso mensurar o resultado e prestar conta. Por fim unimos forças a grupos e instituições que desempenhem trabalhos sólidos com pessoas em situação de rua, para que possam distribuir de forma justa e eficiente tudo o que foi coletado. Quando conseguimos estruturar esses três pontos, estamos apto a expandir o movimento, inclusive para outras cidades.

E ao longo desses meses teve alguma mensagem que lhe foi especialmente marcante?

Pouco tempo depois de criarmos a página do Mini no Facebook, recebemos uma mensagem de uma senhora que dizia mais ou menos assim: “obrigada por me permitir ajudar. Eu nunca achei que eu seria capaz de ajudar alguém que está na rua”. É um recado singelo, mas é superimportante pra gente, porque mostrou que o Mini Gentilezas tem um apelo diferente de simplesmente ajudar a população que vive na rua; ele tem outro tom. O projeto mostra na prática que não é preciso gastar tempo ou dinheiro para ajudar o outro, além de ajudá-las a olhar as pessoas na rua sob um outro ângulo. Até porque é banho, né? Banho traz dignidade. E tem gente que simplesmente passa por essas pessoas na rua e acham que só podem ajudar com esmola e isso não cria um movimento. O Mini Gentilezas conseguiu essa façanha: permitir às pessoas ajudarem sem fazer parte de grupos de assistência ou ONGs.

Além da mensagem, você viveu algo pra lá de emocionante à frente do Mini?

Tivemos a oportunidade de dar uma entrevista a um jornalista que quis acompanhar passo a passo do Mini Gentilezas. E ele foi fundo, até a ponta final do projeto: um homem em situação de rua. Esse senhor deu o seguinte depoimento: “eu só tenho a oportunidade de tomar um banho de água doce por semana, e nos demais dias é só no mar”. Aquilo mexeu muito comigo, porque eu sei na pele o quanto um banho muda tudo — muda o humor, muda o dia de alguém Dignifica o homem.

Você acha que o povo brasileiro é solidário?

Os que eu conheço, são. Poxa, eu coordeno uma página que reúne mais de 40 mil pessoas solidárias. Num post de final de ano em que agradecemos as doações, um usuário comentou: “a gente que agradece a vocês por mostrarem como é simples ajudar alguém”. Acho que isso diz muito sobre o quão solidário é o brasileiro. Mesmo em crise a gente ainda percebe que o outro precisa de ajuda. Ninguém é tão pobre que não tem nada pra dar; e nem tão rico que não tem nada pra receber. Às vezes só falta um empurrãozinho.

Beijo,

Rony Meisler


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