A imagem de cinco jovens com rostos encobertos por camisetas e instrumentos musicais na mão, em vez de armas, rodou o mundo. Até a CNN mostrou. Ao lado de outras 200 fotos, ela fez parte de uma exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) no último mês de dezembro, que colocou em foco o cotidiano das comunidades cariocas, sem qualquer sombra de violência. O mais bacana é que elas foram produzidas por nove jovens das comunidades em questão, a maioria amadores, com smartphones, em vez de câmeras. O grupo faz parte do projeto Favelagrafia e agora assina uma série de camisetas em parceria com a Reserva. Mais do que arte, as imagens (e as camisetas) são um manifesto de que morros como Alemão, Babilônia e Cantagalo, também produzem gente criativa e brilhante.


Favelagrafia, nova parceria da usereserva

“O Favelagrafia nasceu de uma vontade de mostrar o lado das comunidades ligado a ideias, arte e produção intelectual, pouco explorado pela mídia”, conta Karina Abicali, idealizadora do projeto ao lado de Andre Havt, ambos da NBS Rio + Rio*. “E isso só poderia ser feito através do olhar de quem vive lá. Somente os moradores poderiam capturar o cotidiano de cada uma delas, com verdade e coração”.

Segundo pesquisa do Instituto Pereira Passos (IPP), mais de 20% da população da cidade do Rio de Janeiro mora em favelas. São mais de 2 milhões de pessoas. Sendo que quase 80% da população da cidade sequer conhecem alguém ou estiveram em alguma delas; têm um olhar equivocado sobre a rotina, os valores e sonhos da maioria dos moradores, que não condizem com a violência amplamente divulgada.

Nova parceria com a Reserva, FavelagrafiaKarina conta que a escolha das comunidades e dos participantes do projeto foi cuidadosa. As nove comunidades ficam em regiões distintas do Rio – Complexo do Alemão, Morro da Babilônia, Morro do Borel, Cantagalo, Morro da Mineira, Morro dos Prazeres, Morro da Providência, Rocinha e Morro Santa Marta. Os fotógrafos nasceram e moram em alguma delas. Eles foram selecionados através do facebook, depois de produzir uma foto da comunidade e um breve texto contando porque gostariam de fotografá-la.

Em um mês de trabalho, no início de 2016, foram produzidas mais de 2 mil fotos. Transformá-las em um livro era o objetivo. Montar uma exposição, um sonho. Foi aí que, com cerca de 200 imagens escolhidas, André bateu à porta do MAM-RJ para apresentar o projeto. A expo Favelagrafia nasceu na hora. A mostra ficou em cartaz entre novembro e dezembro de 2016 e chamou atenção da mídia internacional, inclusive de nomes de peso como a rede norte-americana CNN, que fez reportagem exclusiva. Os mais de duzentos livros produzidos foram vendidos. Nas mídias sociais, celebridades como a cantora Maria Rita e o rapper Swizz Beats, marido de Alicia Keys, compartilharam as fotos postadas. A mais famosa delas, “Alguns lutam com outras armas”, do fotógrafo Anderson Valentim, do Morro do Borel, em que cinco meninos aparecem com os rostos encobertos por camisetas e instrumentos musicais nas mãos, obteve mais de 5 mil curtidas no Instagram.

Conheça a nova parceria Reserva FavelagrafiaAs imagens agora estampam as camisetas da coleção especial Favelagrafia + Reserva. As fotos da campanha, que você vê nas mídias da marca, foram produzidas especialmente para a parceria. Como no projeto original, todas foram feitas com o Iphone SE, em vez de câmeras. As artes tipográficas com os nomes das comunidades, usadas para identificar os capítulos do livro, também viraram estampa.

Novo projeto Favelagrafia em parceria com a Reserva

Com o projeto, a relação do grupo e dos moradores com as próprias comunidades mudou. “As fotos ajudaram os moradores a enxergar beleza nas suas comunidades e querer valorizar o que elas têm de bom”, conta Elana Paulino, 34 anos, uma das fotógrafas do projeto, moradora do Morro Dona Marta. Para Jessica Cristina Higino, 22 anos, fotógrafa que representa o Morro da Mineira, o alcance foi ainda mais profundo. “Como na Mineira não existem muitos projetos sociais, sinto que estou abrindo portas para novas gerações”, diz Jessica. “Como eu, os outros fotógrafos do projeto também viraram referência real de que um futuro melhor é possível”.

*Criada em 2012, a NBS Rio + Rio é o primeiro negócio social de uma agência publicidade no mundo, a NBS. A agência cria e implementa projetos de empresas e marcas nas comunidades do Rio de Janeiro.

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