Minha opinião: vencendo o silêncio e o medo no Espírito Santo

Fala galera,

Das coisas lindas que José Saramago nos deixou de presente, uma frase em particular tem mexido muito comigo: “se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”.

Não é fácil manter o espírito leve e o riso pronto, sobretudo quando sobram notícias nada animadoras. A situação caótica do Espírito Santo foi um tiro certeiro: como brasileiro e ser humano, não posso ser indiferente ao que acontece no estado vizinho; não é admissível que acompanhemos complacentes o que acontece por ali. As ruas vazias, os saques descarados e o medo generalizado não é normal. Não é aceitável.

A família Reserva sofre com os nossos que vivem em Vitória, e tiveram suas rotinas violadas por esse trágico desenrolar.

Mas eis que no meio de tanta desesperança, um outro coração de carne, sangrando, resolveu que era hora de quebrar o silêncio sepulcral das ruas da capital capixaba. Com os vidros abertos, marcha lenta e direção certa, esse valente anônimo percorreu diferentes endereços da cidade com a música “Imagine” tocando no último volume.

A canção de John Lennon, que pede um mundo pacífico, ecoou pelas ruelas desertas, e só foi abafada pela salva de palmas que escapava pelas janelas.

Se o intuito desse motorista era tão somente levar uma mensagem positiva aos seus vizinhos, creio que ele errou o alvo: acertou em cheio o Brasil todo.

Porque podemos morar em outra rua, outro bairro, outra cidade e até outro estado — mas esse país é feito de e para todo mundo. Junto.

Ao motorista anônimo, gostaria de deixar registrado aqui o meu mais sincero agradecimento pela delicadeza e valentia, e dizer também que você realmente não é o único sonhador por aqui. E a cada dia que passa somos mais numerosos.

Beijo,

Rony Meisler

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