As imagens que viraram estampa nas camisetas da parceria Favelagrafia + Reserva foram clicadas por uma turma de jovens fotógrafos de diferentes comunidades do Rio de Janeiro. Eles foram convocados pelo projeto Favelagrafia, através de um concurso no facebook, para retratar o cotidiano e a realidade de vida dos moradores de comunidades como Cantagalo, Rocinha e Complexo do Alemão – algumas com forte crítica social. O sucesso foi tamanho que as fotos viraram exposição no MAM-RJ e foram compartilhadas mundo afora, com mais de 5 mil likes. Conheça os fotógrafos.


Omar Brito – Babilônia

O morro da Babilônia fica no bairro do Leme, que é colado a uma das praias mais famosas do mundo, Copacabana. Lá de cima, Omar Brito não poupa esforços para fotografar a vista deslumbrante. Ele sobe nos telhados das casas, escala árvores, pede licença aos moradores para fotografar das janelas melhor localizadas. “Fotografar é estar no lugar certo e na hora certa”, diz Omar, 30 anos, que trabalha como servidor público. Ele conta que sua paixão pela fotografia começou na infância, mas só aflorou após fazer um curso de fotografia. Seu maior orgulho? Ter virado inspiração na comunidade.


Josiane Santana – Complexo do Alemão

Nascida e criada em uma das maiores favelas do Rio, com quase 60 mil habitantes, o Complexo do Alemão, Josiane Santana, 28 anos, teve seu primeiro contato com a fotografia em um curso. O que era curiosidade virou hobby e, com o Favelagrafia, uma nova forma de se relacionar com a comunidade. Ela gosta de fotografar ângulos diferentes daquilo que é percebido por quem passa, às pressas, pelas ruelas do bairro. O famoso bondinho, um cachorro sentado em uma poltrona e jovens soltando pipa, também são inspiração. Josiane sonha em virar documentarista para continuar contando as histórias das favelas. “Uma imagem positiva é muito inspiradora para as novas gerações”, diz.


Anderson Valentim – Morro do Borel

A imagem de um grupo de meninos com o rosto coberto por camisetas e instrumentos musicais nas mãos rodou o mundo. Impossível não refletir sobre o (baita) recado social que a foto transmite. O que pouca gente sabe é que a imagem também diz muito sobre o criador, Anderson Valentim, de 33 anos. Morador do Morro do Borel, que fica na Tijuca, Anderson é músico e estuda design gráfico. Até participar do projeto Favelagrafia, dava aula de música na comunidade, daí a ideia de fotografar os amigos com os saxofones e flautas, em vez de armas. “A fotografia é uma extensão do olhar humano e também é capaz de transmitir sentimento, falar de relações e contar histórias”, diz.


Jessica Higino – Morro da Mineira

Os primeiros contatos de Jessica Cristina Higino, 22 anos, com a fotografia foram como assistente de edição de fotos e fotógrafa de festas infantis. Com o Favelagrafia, passou a explorar as ruelas da comunidade onde vive, a Mineira, para mostrar como é a realidade de vida do lugar; o lado bom e o lado ruim. Jessica acredita que algumas de suas fotos transmitem frieza, até chocam, como as que retratam lixo acumulado, fios de eletricidade caídos, paredes esburacadas. Mas também espera que essas mesmas imagens ajudem a transformar a vida dos moradores. “Como a Mineira não tem muitos projetos sociais, sinto que estou abrindo portas e criando oportunidades para as novas gerações”.


Saulo Nicolai – Morro dos Prazeres

Fotógrafo profissional e formado em cinematografia, Saulo Nicolai, 24 anos, encontra inspiração na bela vista do Morro dos Prazeres, de onde é possível ver o Cristo Redentor, a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar. Mas não pense que as fotos dele revelam apenas belas paisagens: de forma original e criativa, ele aborda a crítica social mostrando hábitos do cotidiano do morro, que são comuns a qualquer bairro. São lindas as fotos de uma criança brincando de balanço e outra em que um jovem salta sobre uma laje com o Pão de Açúcar de fundo. A foto que retrata um cachorro latindo através do buraco da parede de uma casa virou estampa de uma das camisetas da parceria Favelagrafia + Reserva.


Joyce Marques – Morro da Providência

Antes de ingressar no Favelagrafia, Joyce Marques, 20 anos, não gostava de fotografar gente. Preferia clicar cantos escondidos do Morro da Providência, onde mora, que revelassem algo novo, surpreendente. Com os colegas do projeto ela começou a perceber que as feições das pessoas contam histórias e revelam impressões de vida, e que podem gerar diferentes e preciosas interpretações. Talvez por isso crianças e idosos sejam onipresentes nas fotos dela, ao lado de fragmentos de construções inacabadas. “Mostrar para as pessoas o lado bom da comunidade e que existem talentos morando lá é o meu maior desfaio”, conta Joyce, enquanto sonha com a faculdade de publicidade.


Rafael Gomes – Rocinha

Na década de 1990, uma lei transformou a Rocinha em bairro, devido ao grande número de moradores. Ainda hoje, porém, ela é conhecida como a “maior favela do Brasil”. É lá que Rafael Gomes, 22 anos, todos os dias pela manhã, ajuda a mãe a vender quentinhas. Depois, segue para a praia para ter aulas de surf e fotografar os alunos pegando onda – foi com a câmera da escolinha que ele começou a clicar por brincadeira e logo virou o fotógrafo oficial das competições, fazendo o registro dos atletas. Agora ele é um dos fotógrafos mais reconhecidos da Rocinha, onde faz belos registros da paisagem local, como a foto de um pôr do sol cor de rosa que estampa uma camiseta da coleção Favelagrafia + Reserva.


Elana Paulino – Morro Santa Marta

Quando tinha 12 anos Elana Paulino, 35 anos, gostava de fotografar a família e os amigos nos becos e lajes da favela Santa Marta, no morro Dona Marta, em Botafogo, onde nasceu e mora. Estudante de Radiologia e mãe de quatro filhos, ela sonha em conseguir viver da sua arte, a fotografia. Mas já sente orgulho por ter a oportunidade de mostrar a favela de uma maneira que as pessoas não costumam ver. As fotos de Elana geralmente têm perspectivas e objetos inusitados, como a foto de um varal com carnes cruas penduradas ao lado de roupas e a de um cachorro vestindo camiseta no balcão de um bar.


Magno Neves – Morro do Cantagalo

Magno Neves, 25 anos, descobriu sua paixão pela fotografia na praia do Arpoardor, a algumas quadras do Morro do Cantagalo, onde mora. Divertia-se fotografando os amigos durante as sessões de surf quando ganhou uma câmera de um tio e nunca mais parou de clicar. Professor de surf, ele continua a fotografar entre uma onda e outra mas, com o Favelagrafia, também passou a explorar a própria comunidade. Ele conta que não costuma abordar nenhum tema específico, que a ideia da foto surge no momento. Mas levanta a bandeira da acessibilidade nos morros para os deficientes físicos, tendo como principal aliado seu irmão. “Espero ajudar os cadeirantes mostrando os problemas que eles enfrentam no morro”, diz.


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