Liliane Rocha, especialista em responsabilidade social, não nos deixa perder a fé em dias melhores

Fala galera,

Fazer desse mundo um lugar melhor é responsabilidade de todos, mas tem gente que (para a felicidade geral da nação!) é profissional no assunto — como a Liliane Rocha, fundadora da Gestão Kairós.

Imersa no mundo da responsabilidade social há 13 anos, a paulistana conhece todos os lados da moeda — ambos sem querer. Ainda na infância, Liliane experimentou a realidade crua das comunidades de São Paulo e sabe, em primeira pessoa, das dificuldades de quem ainda lida com a rotina precária desses espaços tão negligenciados.

Nas voltas do mundo o destino de Liliane virou do avesso, e ela passou para o outro lado do balcão quando ainda cursava Relações Públicas na Faculdade Cásper Líbero. “Fiz a inscrição para uma vaga de estágio na área de comunicação interna da Philips, mas fui aprovada para uma posição na área de responsabilidade social, que mesmo em 2005 já era uma referência no tema”, relembra.

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Foto: Reprodução/Facebook

Crescendo e aprendendo junto com o mercado, Liliane transitou por grandes empresas até que, anos depois, suas asas lhe permitiram voos ainda mais altos — e assim aterrissou no Grupo Votorantim, onde teve a oportunidade de experimentar novos desafios e conhecer um Brasil que escapa aos jornais.

Mais algumas voltas e Saturno retorna para sacudir o destino e tudo que parecia certo. Depois de se desligar do maior conglomerado empresarial do Brasil, Liliane cogitou a levar seu conhecimento para o exterior, mas certa de que o Brasil carece desses talentos que cria, voltou para a pátria amada depois de uma curta temporada na Irlanda.

Na terrinha, ufa, a especialista começava enfim a Gestão Kairós, uma consultoria especializada em responsabilidade social para pequenas, médias e grandes empresas. Ativa desde junho de 2015, a empresa já auxiliou a Coca-Cola, o Instituto Itaú Unibanco, o Grupo Pão de Açúcar e outros tantos clientes a agir de forma mais benéfica para com a sociedade.

Com muita quilometragem rodada na área, Liliane é categórica ao afirmar que a pressão popular faz, sim, muita diferença para afinar o discurso e a prática de grandes corporações. “Percebo que quase nunca é espontâneo o desejo das corporações de trilhar um caminho mais responsável — e é nessas horas que vejo o quão importante é a nossa ‘cobrança ‘, alavancada pelas redes sociais”, assinala.

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Foto: Reprodução

Ainda de acordo com a gestora, os movimentos internacionais também influenciam esse mercado, e isso tem dois aspectos: “enquanto temos ótimos exemplos sociais e/ou ambientais na Austrália e no Canadá, acabamos de receber uma notícia desanimadora dos Estados Unidos, com relação a emissão de gases poluentes. Decisões como essa, infelizmente, reverberam por aqui também”.

Mas nem tudo está perdido, e Liliane nos lembra de sermos otimistas — no caso dela é até um pré-requisito.

“A tendência é que avancemos e evoluamos, só que é urgente nossos esforços sejam organizados e constantes; ninguém muda o mundo sozinho”, rebate.

Talvez um bom ponto de partida é saber como e quem cobrar por mais ações sociais. “São muito comuns os artigos que trazem os balanços e comparativos de grandes exponenciais, como Uber e Facebook: uma presa faturou tanto milhões de dólares no primeiro trimestre enquanto a outra registrou lucro de X milhões. Por que não fazemos isso com a sustentabilidade também? Qual o volume de monóxido de carbono emitido pelos parceiros da Uber? Essas coisas importam e é preciso cobrar esse tipo de informação das empresas, sobretudo as gigantes”, pontua.

E nem adianta vir com desculpinhas do tipo “não há dados conclusivos” para cima de Liliane, porque ela conhece muito bem as artimanhas que compõem o chamado “greenwash”, que indica a injustificada apropriação de virtudes ambientalistas por parte de organizações.

“Essas corporações de dimensões faraônicas e capital herculano investem muito tempo e dinheiro analisando todo o aspecto técnico de uma determinada região, então é inaceitável que elas não tenham o mesmo cuidado com a comunidade local e temas que são sensíveis ao meio ambiente, à cultura e até a religião dali”, diz ela, coberta de razão.

Acostumada a ser os olhos que tudo veem dos clientes que contratam a Gestão Kairós, a paulistana tampouco titubeia na hora de cravar a ignorância do brasileiro frente ao seu próprio país. Quando em viagem pela África do Sul, ao lado de uma amiga, Liliane ficou um pouco espantada ao constatar que sua companheira de viagem achava que a pobreza vista por ali em Joanesburgo não existia em terras tupiniquins. “O que muita gente não entende é que há toda uma hierarquia dentro das comunidades. Nas margens, que são as partes mais visíveis, você pode encontrar algumas pequenas construções caseiras com equipamentos eletrônicos — e todo mundo para por aí, pensando que ‘ah, se tem televisão em casa, tem dinheiro para pagar escola para as crianças’, e se recusa a avançar morro acima, onde a situação vai se precarizando”, relata.

Mesmo depois de testemunhar tamanha desigualdade, Liliane não se abate — mantém a cabeça erguida porque sabe que ela faz parte dessa mudança tão urgente e prioritária. E a todos que desejam se juntar a ela, o primeiro conselho que a especialista daria, como ser humano e profissional é: veja mais de perto — o mundo, as pessoas e a vida.

Beijo,

Rony Meisler

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