As mulheres que defendem que brincar é coisa séria

Fala galera,

A gente pode até não saber ao certo para onde estamos indo, mas se soubermos de onde viemos e como tudo começou, jamais estaremos perdidos — e é por essas e outras que a gênesis humana assume um caráter tão importante, tanto para o indivíduo em questão, quanto para a sociedade em geral.

Se aceitarmos, então, que o “ponto de partida” é tão ou mais importante que a linha de chegada, temos de concordar que educar uma criança; “moldá-la” ainda na infância é possivelmente a tarefa mais difícil e urgente na vida de uma pessoa.

Anna Durazzo e Andréa Tavares de Lima, ambas com 36 anos, descobriram cada uma a seu modo — e com seus filhos — que o buraco é mais embaixo, e os desafios ainda maiores do que se podia pensar.

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Anna e Andréa / Foto: Divulgação

Para que pudessem se dedicar à criação de seus rebentos da forma como julgavam apropriada, ambas tiveram de recorrer ao empreendedorismo, que lhes daria a flexibilidade tão sonhada. Andréa, formada em direito, já sabia bem o que era isso, pois por anos tocou seu próprio negócio de importação de bebidas. Anna, publicitária, não pode ajustar o cuidado do filho com a rotina frenética de agências do setor.

“Começamos a perceber que novos produtos e brinquedos chegavam aos nossos filhos antes mesmo de eles se interessarem por aquilo.”

A amizade e sincronicidade das paulistanas dava pistas que uma parceria profissional também seria bem-vinda — e sucedida. Por algum tempo, as duas se encontravam para um café às quinta-feiras. Dividindo as dores e as delícias da maternidade, Anna e Andréa se encontravam sobretudo em uma queixa particular: o acúmulo de presentes que seus filhos ganhavam e nem sempre usavam — não por muito tempo, pelo menos.

“Começamos a perceber que novos produtos e brinquedos chegavam aos nossos filhos antes mesmo de eles se interessarem por aquilo, sabe? Enquanto isso eu via que, desde cedo, nossos pequenos estavam começando a associar necessidades ao ter, típico comportamento consumista”, assinala Andréa.

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Foto: Divulgação

Levantando essa mesma inquietação com outros pais, descobriram que 80% deles continuavam investido em bonecas, carrinhos e coisas do tipo por pura falta de opção.

Foi desse vácuo que a Nem Boneca, Nem Carrinho entrou na órbita e na carreira das mães e amigas, que inauguraram, em janeiro de 2016, a empresa especializada em oferecer experiências para crianças e famílias. “Não é nenhuma novidade a falta de tempo de pais para com seus filhos, a gente sabe muito bem o que uma agenda atribulada significa, e é por isso que presentear uma criança com uma experiência é diversão garantida para a família toda, porque damos a eles a chance de construírem juntos momentos inesquecíveis”, diz Anna.

Depois de se estabelecerem em São Paulo, as empreendedoras levaram sua ideia para o Rio de Janeiro, onde acabam de desembarcar com a mesma proposta de mostrar a pais e familiares de que há um mundo inteiro de possibilidades por além das típicas lojas de brinquedo.

“Deixar de lado produtos óbvios e estéreis seria positivo para todo mundo, até para os pais, que acabam fazendo uma porção de coisas pela primeira vez”.

Entre cinema, peças de teatro, oficinas, visitas ao zoológico, aulas de skate e tantas outras experiências selecionadas pela dupla, Anna e Andréa nos explicam todos os diferenciais da empresa: “o ritual de abrir o presente é importante, então garantimos que o pequeno receba uma caixa bonita, com uma mensagem escrita pela pessoa que o presenteia. A partir dali, redobramos o cuidado com o felizardo: agendamos e coordenamos horários e expectativas, para que a família não tenha que se preocupar com nada que não seja curtir aquela vivência junto”.

Com a página do Facebook recheada de depoimentos emocionantes, a Nem Boneca, Nem Carrinho parece mesmo ser o começo de uma grande mudança.

“Certa vez uma criança foi presenteada com uma peça de teatro e aquela foi a primeira vez que a mãe dela estava diante de um palco assim”, conta Anna, que completa, “foi ali que compreendemos a dimensão da coisa: deixar de lado produtos óbvios e estéreis seria positivo para todo mundo, até para os pais, que acabam fazendo uma porção de coisas pela primeira vez”.

Andréa concorda, e acha que essa quebra de paradigma não poderia vir em melhor hora: “filhos são o reflexo do que somos; eles enxergam o mundo que os ensinamos a ver, e eu posso afirmar que a relação dos meus com as coisas mudou, eles parecem estar muito mais ligados em fazer coisas do que ter”.

Oferecendo experiências que contemplam bebês a partir de 6 meses até pré-adolescentes de 14 anos, a Nem Boneca, Nem Carrinho é um sucesso para quem quer fazer diferente — e essas pessoas são, geralmente, mães. “Cerca de 90% das nossas clientes são mães, mas também atendemos muitas tias e avós”, declaram, deixando óbvio que o futuro é mesmo feminino, e ele passa pelo sentir.

Beijo,

Rony Meisler

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