Jornalismo democrático, a gente vê por aqui

Fala galera,

Não é dar voz, é dar vez: o jornalismo brasileiro vira notícia pelas razões certas quando deixa de ser descentralizado e homogêneo — um mérito que a Énóis pode chamar de seu.

Escola de jornalismo e agência de conteúdo jovem, o projeto fundado pelas repórteres Nina Weingrill e Amanda Rahra aponta o caminho (sem volta) da comunicação, e ele passa pela periferia também.

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Foto: Nina Weingrill/Reprodução

Mais do que discutir o futuro do jornalismo, a Énóis quer experimentá-lo, e por isso reúne um “núcleo de jovens (de 15 a 21 anos) de diferentes áreas do conhecimento e também da cidade – principalmente das periferias – que estão pensando pautas, produzindo reportagens, prototipando formatos e construindo ferramentas que ajudam a refletir sobre a existência e as formas de financiamento do jornalismo para os próximos anos” — como explicam na própria página da agência.

Dos anos em sala de aula e em grandes redações do País, Nina reconhece que o jornalismo lhe deu uma visão mais crítica do mundo e da sociedade, e que é importante compartilhar esse conhecimento para que as pessoas possam formar sua própria opinião com segurança, clareza e, sobretudo, discernimento. “Acima de tudo, é preciso distribuir e não concentrar”, pontua.

Ainda de acordo com a comunicadora, “o jornalismo deveria ser ensinado na escola, no ensino médio mesmo, porque não dá para ser inocente nesta nova era da comunicação, das mídias sociais e das fake news” — e completa, “quando todo mundo já é um pouco comunicador e aproveita seu espaço como tal, é importante que saibamos o que é pauta, apuração, fonte primária e outros tantos fatores que compõem a notícia”.

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Foto: Reprodução

O resultado direto da disseminação desse conhecimento seria uma imprensa mais plural e sadia, ou, nas palavras de Nina, “um jornalismo normal, como a vida, que aceita que cada conte sua própria história”.

Em primeira pessoa, jovens da Énóis residentes do Capão Redondo viraram o jogo e encheram de orgulho as fundadoras da organização quando conseguiram, por meio de uma notícia original, chamar a atenção da Secretaria da Educação para um problema que eles conhecem bem: a falta de professores nas escolas públicas. “Os garotos passaram a anotar toda vez que um professor se ausentava sem justificativa, dando espaço a professores substitutos nem sempre preparado para a aula do dia. O texto foi publicado em uma revista publicada pela própria Énóis e teve uma repercussão enorme”, relembra Nina, “é isso o que acontece quando a gente ‘sai da frente’ e deixa que cada um fale por si”.

Hoje são mais de 500 jovens que passaram por formação e estão colocando “a boca no trombone”, sem intermediários — e é por essas e outras que a Énóis foi selecionada 2015 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como uma das 16 startups mais inovadoras em educação da América Latina.

Para fazer parte dessa agência, presencialmente, basta ser jovem (16 a 21 anos), morar na periferia de São Paulo, e demonstrar interesse por áreas da comunicação. Ah, e 50% da turma presencial tem de ser composta por mulheres, afinal, estamos em 2017.

Beijo,

Rony Meisler

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