Fazer o bem: um mercado em ascensão

Fala galera,

Por trás da etiqueta de cada produto, uma empresa tenta superar sua meta pela enésima vez, lucrando mais que no ano passado e os que vieram antes dele. Para tanto cada companhia investe alto em design, novas tecnologias, campanhas atraentes e materiais diferenciados – equação que sempre funcionou bem até aqui. O raciocínio óbvio passa por uma reviravolta quando David Jones, ex-CEO da Havas, afirma que fazer algo positivo pelo mundo, num futuro nada distante, a melhor maneira de conquistar um novo consumidor.

“Hoje em dia, se uma empresa não se ‘comporta’ da forma correta, as pessoas vão cobrá-la. A nova moeda do mercado é fazer desse mundo um lugar melhor: se você quer se dar bem, você tem que fazer o bem. E isso é algo que não vai mudar tão cedo”, declara.

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Foto: Reprodução

Essas e outras ideias do empresário completam o livro “Empresas que cuidam prosperam – Por que os negócios que praticam o bem são os melhores negócios”, lançado em 2012. Na obra, Jones enumera bons argumentos para mostrar que as pessoas estão mais conscientes quanto aos problemas do mundo e, por isso, tendem a valorizar fabricantes e negociantes que se mostrem igualmente cautelosos. Da mesma forma com que reconhecem um esforço nesse sentido, os clientes estão dispostos a “castigar” marcas que caminhem na direção contrária — “pode não ser hoje, amanhã e nem ano que vem, mas um dia a conta chega”, arremeta o escritor.

“Imagine só se as empresas que mais fizessem o bem fossem aquelas que mais ganhassem dinheiro. O mundo seria um lugar bem melhor de viver, aposto”

O ponto de partida para toda essa teoria do publicitário é a transparência, uma ‘regra’ criada pelas novas redes sociais. “Seja na política, na vida ou nos negócios, o discurso coeso e a autenticidade são prioridades. Sabe, muita gente criticou o momento ‘inoportuno’ do lançamento do livro. A economia aos frangalhos à época, era um ambiente propício para mais uma obra de negócios, e não um livro sobre fazer do mundo um lugar melhor. Mas eu acho que toda essa bagunça só acontece porque nos esquecemos da nossa responsabilidade social”, conclui.

Ciente de que andar na linha não é das tarefas mais fáceis do mundo, Jones revela que, na sua opinião, ser honesto é mais importante do que ser perfeito — e não há absolutamente nada de errado em confessar qualquer equívoco ou revisão. “As pessoas estão dispostas a perdoar, porque sabem que falhas fazem parte do negócio, mas elas não estão dispostas a ignorar ou tolerar mentiras”, diz.

“Nós definimos o sucesso ou o fracasso de um produto ou modelo de negócio, e precisamos usar essa ‘força’ de forma sábia e altruísta”

Essa mudança de pensamento e comportamento por parte de grandes empresas pode, ainda nas palavras de David, ser a solução para muitos dos problemas sociais. “Companhias são organizadas e têm poder real de melhorar o mundo. Pense que há marcas por aí fabricando um produto comprado constantemente por bilhões de pessoas. Caso essa empresa consiga fazer esse mesmo produto de forma mais sustentável, isso já seria um ganho enorme, entende?”, pondera.

Diante da ascensão dos “negócios com propósitos”, aqueles que nascem com o objetivo de gerar o lucro e melhorar a nossa sociedade, Jones mostra que é puro otimista com o futuro que nos espera. “Imagine só se as empresas que mais fizessem o bem fossem aquelas que mais ganhassem dinheiro. O mundo seria um lugar bem melhor de viver, aposto”, e logo completa, “acho que estamos caminhando nesta direção, só precisamos assumir a responsabilidade que temos como clientes; como compradores: nós definimos o sucesso ou o fracasso de um produto ou modelo de negócio, e precisamos usar essa ‘força’ de forma sábia e altruísta”.

Beijo,

Rony Meisler

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