Revolução a cores: Karim Rashid explica como o design pode melhorar o mundo

Fala galera,

Um mundo melhor começa na prancheta de um designer. Pelo menos é assim que pensa o egípcio Karim Rashid, um criativo radicado nos Estados Unidos, dedicado a transformar (e colorir) a sociedade.

De hotéis a moringas, Rashid dá novos contornos a objetos cotidianos e pouco a pouco vai moldando um mundo mais humano sem sequer dar sinal de cansaço: aos 56 anos, o designer industrial se diz em sua melhor fase. “Sem dúvida alguma eu sou mais criativo hoje. Acho que existem flores que desabrocham mais cedo e outras que demoram um pouco mais a passar pelo processo – e acho que o mesmo acontece com as pessoas. Quando jovem, eu não tinha voz e não sabia exatamente a minha posição; não sabia como contribuir com o mundo”, diz.

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Foto: Divulgação

Esse “despertar criativo”, garante ele, vem sobretudo da natureza do design industrial, que não apenas precisa cumprir sua função estética, mas fazê-lo de forma funcional e humana — porque produtos bem trabalhados podem, de fato, melhorar a  vida de muita gente. “ Você pode até não se dar mais conta do que o cerca e ainda assim você precisa de coisas ‘banais’: de uma cadeira para sentar, de uma caneta, de uma caneca e muito mais. Já parou pra pensar que alguém desenhou tudo isso que você precisa? Esses objetos precisam ser contemporâneos para dialogar com a sua realidade. Além disso, se você pensar que esses objetos fazem parte do seu dia-a-dia, podemos dizer também que eles o afetam diretamente. Por essas e outras eu vivo repetindo que um produto bem feito de verdade é aquele eficiente, bonito e que traz benefícios reais para a vida das pessoas. Nós mudamos nossa forma de se relacionar o tempo todo. Agora, por exemplo, vivemos em uma sociedade mais aberta e ‘relaxada’, e tudo isso afeta o design — e o design nos afeta de volta”.

“Não é só uma parcela da população que quer ou merece se relacionar com objetos que sejam agradáveis aos olhos e ao coração”

Justamente por entender e aceitar a complexidade da função social de sua área de especialização, Rashid  não esconde a preocupação com o fato de grandes mentes criativas se renderem aos encantos (e ganhos!) da publicidade, deixando a arte e o design para trás. “Quando eu era jovem, ouvi alguém dizer que um artista não pode competir da sala de estar com um homem que pisou na lua. Achei essa frase particularmente interessante. Veja bem que aqui estamos falando de artistas e não de designers, ok? Como um artista pode competir com a tecnologia? Não pode! Como pode competir com Hollywood? Impossível. A valorização é maior nesse lado, então é tentador – sobretudo pela questão financeira”, mas pondera, “apesar disso, acho que o design nos dá a oportunidade de transformar tudo a nossa volta, porque ele tem a ver um pouco com uma questão de ação e reação, sabe? É mais do que uma forma de se expressar, porque não é egoísta: você não desenha algo pensando nos seus gostos ou conforto; desenha algo pensando em agradar se não a todos, à maioria”.

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Foto: Divulgação

O egípcio segue acreditando em dias melhores — até porque ele trabalha para criar um, e parte de sua esperança vem do despertar das marcas, que reconhecem a necessidade de desenvolver produtos que tornem a experiência do usuário melhor e mais bonita. “Quando grandes companhias me procuram, sobretudo as voltadas para as massas, eu renovo minha fé no design democrático: a beleza e a praticidade chegando a todos; atingindo o máximo de pessoas possível, porque não é só uma parcela da população que quer ou merece se relacionar com objetos que sejam agradáveis aos olhos e ao coração”, afirma categórico.

E é assim, desenhando para quem não sabe ou consegue entender, que Karim Rashid prova que há milhares de bons motivos para acreditar em um futuro melhor — e mais bonito.

Beijo,

Rony Meisler

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