Juliana De Mari: a reinvenção da mulher no mercado de trabalho

Fala galera,
Não é preciso estar perdido para sentir a necessidade de recalcular a rota: vez ou outra é importante avaliar os caminhos — os trilhados e os que estamos a percorrer. Essas direções que não constam em GPS e nem atendem por nomes de ruas são as mais importantes, ainda que o destino final não pareça muito claro. E embora não existam atalhos para onde se quer chegar, a jornada pode ser sempre mais proveitosa e segura quando se tem a sorte de contar com a guia de profissionais como Juliana De Mari, fundadora da Prosa Coaching.
A jornalista natural de Recife coleciona passagens pelas revistas Você SA, Você RH, Exame, Cosmopolitan e outras, mas trocou as redações para ajudar mulheres de diferentes idades e realidades a lerem as entrelinhas da vida, uma tarefa mais necessária em tempos de capitalismo consciente. “A lógica e a relação com o dinheiro começa a mudar. Estamos revendo a origem dos produtos, as proporções dos nossos gastos e as nossas prioridades, o que, fatalmente, esbarra nas nossas escolhas profissionais também”, pontua Juliana.

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Fotos: Thays Bittar/Reserva

Devidamente capacitada pelo Instituto de Coaching Integrado (ICI) e com um MBA em Gestão de Pessoas, Juliana tem conhecimento e credenciais suficientes para trabalhar com qualquer pessoa, mas optou por restringir seu serviço ao público feminino. “Acho que há uma inquietação natural nas mulheres e elas tendem a se reinventar por completo, sobretudo no que diz respeito à carreira. E eu entendo que elas precisam de apoio, porque não é um processo simples ou fácil”, explica ela, que oferece tanto coaching executivo, quanto life coaching.

“Tudo pode ser de outro jeito, e o fato de você não reconhecer isso sozinho não muda nada.”

Há pouco mais de um ano se dedicando exclusivamente à Prosa Coaching, Juliana já consegue perceber alguns padrões, como o fato de toda história de transição sucesso começa com questionamentos, mas que nem sempre essas dúvidas são legítimas. “A gente começa a rever nossas escolhas por conta do cansaço, e aí muita gente acha que o problema é aquele trabalho ou aquela carreira, mas na maioria dos casos é só uma questão de organização”, pontua.
Nesses casos, Juliana continua, não é preciso tomar uma decisão drástica ou complexa, só é preciso encontrar algum equilíbrio. Uma profissão que exija muita criatividade e esforço intelectual, por exemplo, precisa ser contrabalanceada com atividades que permitam um descanso para a cabeça: “às vezes só andar com o cachorro por alguns quarteirões já é suficiente, ou ainda tomar um banho bem demorado, sentindo novos cheiros. A gente precisa de 30 minutos diários para cuidar da nossa energia”.

reserva_post_blog_12062017_02Quando nossas insatisfações não são provenientes dessa falta de organização, aí é o caso de estudar uma mudança maior. “Digo sempre que o segredo não é monetizar o seu hobby, mas descobrir o que se gosta de fazer e, a partir dali, experimentar caminhos profissionais que trilhem na mesma direção”, arremata.
Outro vício que fazemos, ainda de acordo com a coach, é que quando falamos em transição, fica subentendido que partimos de um ponto de ruptura, e além disso não se aplicar a todos os casos, pode colocar um peso desnecessário, agravando o estresse da situação. “Toda conversa é terapêutica, então, ainda que não seja com um profissional, acho que é importante falar a respeito. Muita gente acaba se privando disso por medo de ‘atrapalhar os outros’, mas eu acho isso a maior armadilha. Quando eu comecei a me questionar, fui buscar ajuda na minha própria rede de contatos, e duas pessoas me falaram sobre ser coach”, e completa, “sempre gostei de ser ponte, de conectar pessoas e ideias”.
Essa coisa de olhar para trás, aliás, é fundamental: “a gente tende a não valorizar as coisas que já fizemos e os sonhos que realizamos, parece que, na transição, perdemos a perspectiva da nossa própria trajetória”.

“Acho que há uma inquietação natural nas mulheres e elas tendem a se reinventar por completo, sobretudo no que diz respeito à carreira.”

Cultivar uma boa memória e ser generoso com as nossas conquistas é um passo fundamental para ajustar a vida, outro é ter em mente que ninguém precisa estar pronto para nada, pois temos todo o direito de experimentar, de tentar e de mudar de ideia. “Vale ressaltar ainda que hoje é possível pensar em profissões que não existiam anos atrás, seja pelo viés da tecnologia, ou pelo viés do resgate de antigas técnicas de confecções e afins”, afirma, “e as mulheres me parecem mais envolvidas com esse pensamento autônomo do pequeno produtor”.
Talvez essa, digamos, “curiosidade” seja mais uma necessidade: como todos os códigos profissionais e as práticas de RH foram pensados por homens e para homens, a mulher tem que ser mais reflexiva na carreira. Dito isso, vale lembrar que o trabalho é um pedaço importante da construção da nossa personalidade, daí vemos a dimensão e a complexidade dos questionamentos e decisões profissionais.
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Com boa parte de suas clientes na faixa dos 30 a 40 anos, Juliana é irredutível na sua certeza de que não há idade pré-definida para recorrer ao coaching e vivenciar o processo de apropriação da própria história. Até porque, como bem diz a coach, “tudo pode ser de outro jeito, e o fato de você não reconhecer isso sozinho não muda nada”.
Beijo,

Rony Meisler

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