Dedé Bevilaqua: fazer o bem é básico

Fala galera,
Honestidade é, ou deveria ser, a base de toda sociedade; permear o começo, o meio e o fim de qualquer negociação, seja ela pessoal ou profissional. Felizmente temos um bom exemplo brasileiríssimo para nos orgulhar: a basico.com, de Dedé Bevilaqua, marca de roupas, acessórios e lifestyle fundada em 2013.
Enquanto muitas confecções de moda se auto-proclamam sustentáveis, Dedé banca a realidade que o marketing esconde. “É muito difícil para uma empresa de roupas ser sustentável, porque há desperdício, embora façamos todo o possível para que os processos sejam ecologicamente corretos. A fábrica que nos fornece os jeans, por exemplo, reutiliza 80% da água. A gente nem comunica isso, porque entendemos que é quase uma obrigação; uma responsabilidade mesmo”, explica a estilista e empresária.

reserva_post_rony_19062017_01

Fotos: Thays Bittar/Reserva

“Aluna” da alfaiataria clássica, Dedé sempre exigiu da moda muito mais do que se vê nas vitrines de grandes marcas e fast fashion: um energia de cadeia. Por isso, a paulistana faz questão de devorar cada etapa do processo, de ver com os próprios olhos o chão de fábrica. “Não dá para uma pessoa estar passando fome na mesa de costura ou sendo explorada em outra fase da confecção de uma peça e querer que esse produto final brilhe numa passarela. Pra mim é tudo uma coisa só, não se distingue: as coisas só vão ser boas se todos os caminhos até ali forem muito bons também. É uma coisa de energia mesmo”, pontua.

“A moda mudou muito as proporções, e isso não podia acontecer, como a exemplo da indústria calçadista. Você pode mudar a cor, o modelo e o cabedal de um sapato, mas nunca o tamanho da caixa. A moda mudou tudo.”

Essa preocupação inegociável da estilista pode ser percebida e valorizada também entre os clientes. Dedé comemora o interesse do público em querer saber mais como e com quem a basico.com trabalha, sobretudo porque essa curiosidade não se limita a grandes centros urbanos, mas foi detectado em todos os cantos do país. “Como a loja é 100% online, achei que existiria uma distância natural entre clientes e marca, mas eu me enganei. Recebemos mensagens diariamente com esse tipo de conteúdo e dúvida, o que é ótimo e diz muito sobre o momento que vivemos”, completa.

 

reserva_post_rony_19062017_02O sucesso da marca é facilmente justificado pelas práticas responsáveis da casa, mas também tem a ver com o perfeccionismo de Dedé e, sobretudo, com o aparente incômodo geral que as pessoas estão sentindo com o consumo exacerbado. Escolher peças-chaves — ou “básicas” — nos dá possibilidades infinitas de combinações certeiras e práticas, que nos acompanham em qualquer ocasião.
As inspirações para as roupas da basico.com, garante Dedé, passa longe das páginas das revistas de moda e sites especializados no assunto. “Não faço pesquisa e não sigo calendário, todas as minhas referências são naturais, tiradas da vida cotidiana”, arremata. O resultado é um feedback extremamente positivo e uma aceitação quase imediata à marca. “Essa é a melhor recompensa que existe, e que me norteou bastante. Eu me descobri, e já sei exatamente a pessoa que quero ser”, pontua Dedé.

“Não dá para uma pessoa estar passando fome na mesa de costura ou sendo explorada em outra fase da confecção de uma peça e querer que esse produto final brilhe numa passarela.”

Sempre fiel à sua raiz, a estilista foi buscar na alfaiataria a resposta para o grande dilema dessa sua empreitada profissional: a modelagem. “A moda mudou muito as proporções, e isso não podia acontecer, como a exemplo da indústria calçadista. Você pode mudar a cor, o modelo e o cabedal de um sapato, mas nunca o tamanho da caixa. A moda mudou tudo. Ninguém sabe que número veste, ninguém sabe nem onde fica a cintura”, e acrescenta, “comprei várias camisetas que gostei e medi uma por uma. Cada uma tinha um tamanho, isso me deixava maluca. Fui buscar a minha tabela na alfaiataria, que lá tem o corpo real, com uma tabela real. E é essa que usamos até hoje. Há quem diga que as nossas roupas são grandes ou são fartas, mas eu só as acho básicas”.

reserva_post_rony_19062017_03

Para completar o pacote, a basico.com é ainda palanque para artistas e criativos: Dedé busca sempre parceria com gente interessante e interessada, independentemente da longevidade de suas carreiras e seus backgrounds. “Dia desses encontrei nosso assistente de TI numa feira de impressos no Ibirapuera, e eu realmente gostei do zine dele. Depois disso, ele assinou as fotos estilo streetwear dos nossos moletons e fez um pôster”, conta.
Nessa corrente do bem e do básico que Dedé começou sem querer, a gente vai percebendo que a vida pode ser muito mais simples e mais bonita — e nem é preciso grande esforço pra isso.
Beijo,

Rony Meisler

QUER SER AVISADO SOBRE NOSSOS PRÓXIMOS POSTS?