Facundo Guerra compartilha 12 lições valiosas para empreender

Suas definições de “lugares legais em São Paulo” foram atualizadas com sucesso — tudo isso graças a Facundo Guerra, o cara por trás dos empreendimentos que promovem, ou já promoveram, o encontro da noite e do dia na capital paulista: Mirante 9 de JulhoRiviera Bar, Cine Joia, Lions, Yacht, PanAm e provavelmente metade dos outros endereços bacanas da cidade.

Nascido em Córdoba, na Argentina, o empresário de 40 anos pulveriza sua atenção entre as casas que administra e, mais recentemente, tem se debruçado a escrever o livro “Empreendedorismo para Subversivos”, programado para ser lançado em setembro deste ano pela editora Planeta.

Para quem não gosta e não quer esperar, a gente antecipa a seguir um pouco das suas ideias.

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Fotos: Thays Bittar/Reserva

Páginas da vida

“Nunca li sobre empreendedorismo, auto-ajuda ou negócios, então, quando me propuseram escrever um livro, fui resistente: pensava que o mundo não precisava de mais uma obra, mas acho que estamos num momento diferente do capitalismo e isso merece uma nova reflexão.”

Honestidade a toda prova

“Vai ser um livro que mistura um pouco de ficção, um pouco de negócios e um pouco de autobiografia. Eu me dei um desafio foda de escrever tudo sem ‘googlar’. Crio esse pacto com o leitor logo no começo: todos os dados e história ali são contados como eu me lembro, então eles podem não ser cirurgicamente precisos, mas são brutalmente honestos.”

“O empreendedorismo é um caminho duro,
dolorido e quase sempre fadado ao fracasso.”

Mudanças à vista

“Acho que nessa coisa da falência da política convencional, as relações estão mais politizadas. O consumo está virando um ato político: você consome de empresas que se alinham com aquilo que você acredita. Seu cartão de crédito tem mais força e poder que o seu título de eleitor.”


Saiba o porquê

“Tenho pensado muito: se eu for empreender pro futuro, quais os atributos que tenho que embutir no meu projeto para que ele seja resistente ao pós-capitalismo? O desafio é pensar além do lucro. O empreendedor corre atrás de tempo e dinheiro — quer mais dos dois, claro. Mas ele descobre a duras penas que ele não vai ter nem mais tempo, nem mais dinheiro. Ele está cruzando essa jornada pelos motivos errados.”

Diminua os riscos

“O empreendedorismo é um caminho duro, dolorido e quase sempre fadado ao fracasso. O importante é minimizar as chances de fracasso e se alinhar mais ao espírito do tempo. Não gaste energia com besteiras, como business plan, que não leva a lugar algum. Ninguém consegue planejar a quantidade de variáveis sobre o futuro. E, de novo, não empreenda pelas razões erradas. Uma razão certa é tentar deixar sua marca no mundo, criar um legado, se expressar através do produto.”

“Todo radical se transforma num conservador, Steve Jobs,
o Jesus Cristo dos empreendedores, tá aí para mostrar isso”

Sucesso para míopes

“Não se trata de algo que você é, e sim um atributo que lhe dão: você é visto como bem sucedido — e isso geralmente vem atrelado ao dinheiro. As pessoas pensam que eu sou bem sucedido porque sou rico — o que tá completamente longe da verdade: tenho menos grana hoje, mas sou muito mais feliz. O bom de ser bem sucedido é que você pode falar a verdade a qualquer preço, porque não precisa puxar o saco de ninguém e nem manter relações de interesse. Hoje eu não faço média e falo o que eu realmente acredito.”

Quebrando a banca

“Não precisa ter dinheiro, especialmente em tempos de crowdfunding. Se a sua ideia é boa, ela para em pé. Comprei tanta coisa legal em financiamentos coletivos porque as ideias eram boas. As pessoas não querem mais produtos ou coisas, elas querem uma visão de vida. As pessoas mais jovens, e eu penso como elas, compram uma coisa que é intangível, que não está necessariamente associada a função do produto. É visão de mundo, mesmo.”


Aqui se fala, aqui se faz

“Não sei se essa coisa de liderar pelo exemplo é real, mas se o cara que não tem uma ética naquilo que fala, não confio. Até porque o produto sai mentiroso também, e a gente tá cheio de exemplos por aí.”

Escolha seus parceiros

“Todos que trabalham comigo se alinham na ética. Meus sócios têm posicionamentos políticos muito diferente dos meus, mas eu os respeito. Sou agnóstico, e alguns deles são religiosos. Não acho que você tem que ter relacionamento pessoal, não tem que ser amigo de sócio. A gente tem que ter complementaridade e admiração pelo trabalho, mas não tenho que levar essa relação pra vida pessoal. E nem quero. Já perdi relações de amizade por conta de negócios, então não dá pra ser desse jeito. Tem que fazer a coisa mais fria, sabe?”

“Todo empreendedor tem um pouco
de subversivo, de descontente dentro de si”

Empreendedorismo e educação

“Somos incentivados a ter um bom empreguinho. Até porque empreender no Brasil é mais difícil que em qualquer outro lugar do mundo. Então o sonho da classe média é ter um carrinho, um apartamentinho, um empreguinho, ser funcionário público por conta da estabilidade.”

Não é querer, é ser

“Ser empreendedor é como ser músico: é uma opção, você não consegue não fazer. Todo empreendedor tem um pouco de subversivo, de descontente dentro de si. Tudo bem que, com o passar do tempo, todo radical se transforma num conservador, Steve Jobs, o Jesus Cristo dos empreendedores, tá aí para mostrar isso.”

Rédeas curtas para a vaidade

“Vaidade pode matar qualquer negócio, porque, quando coloca algo pra fora, acha que tudo é fantástico. Quando não dá certo, você acha que está à frente do seu tempo e que o mundo não te entende, e não aceita o fato de que você errou. Excesso de vaidade e falta de autocrítica te deixa cego para reconhecer os tropeços ao longo do caminho, e isso pode ser fatal.

Inspire-se no visual do Facundo

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