Uma aula com Renan Ferreirinha, um dos criadores do Mapa Educação

Fala galera,
Ele fala com a propriedade de quem viveu o assunto na pele: Renan Ferreirinha, um dos nomes por trás do Mapa Educação, movimento que visa melhorar o ensino no país, é filho de professora e foi aluno de escola pública.
Hoje acadêmico de Harvard, nos Estados Unidos, o rapaz sabe bem como a educação pode abrir portas na vida de uma pessoa, e está disposto a ajudar milhões de brasileiros — e o Brasil em si — a melhorar a questão do aprendizado para ver o país mais justo e empreendedor.
Natural de São Gonçalo, Renan conta que o ensino foi um divisor de águas em sua vida. “no ensino médio me mudei para o Rio de Janeiro, e tive de ser independente muito jovem. Com essa pouca idade já pegava ônibus sozinho e basicamente me virava em tudo. Foi assim que passei a enxergar o mundo por além das fronteiras do estado em que morava, e assim que entendi que a vida poderia ser maior”, relata.
Ainda no colegial, o fluminense começou a exercer sua espiritualidade baseada em fazer o bem e passou a dar aulas de inglês e reforço escolar em comunidades da cidade. Entre seus pupilos não havia distinção: dava a mesma atenção a filhos de trabalhadores quanto a filhos de traficantes, porque entende que a criança não poderia ser culpada ou penalizada pela situação na qual vive.

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Fotos: Arquivo Pessoal

Depois dessa imersão nas comunidades locais, Renan viu um outro lado da sociedade em que vivemos: “a educação, que deveria ser uma ponte para superar o abismo social que vivemos, acaba sendo justamente o contrário, porque não é igualitária”.
E não lhe venha com esse papo de meritocracia, até porque, em suas palavras, “há mais gente boa na favela que na Vieira Souto”.

“Temos alunos do século 21, professores do século 20 e escolas do século 19.”

Todo esse contato direto com o avesso da educação fomentou sua vontade de virar o jogo. Aos 19 anos lançou O Formigueiro, a primeira plataforma de crowdfunding totalmente voltada para a educação. “Nos anos de atividade desse projeto levamos mais de 100 mil reais para várias iniciativas educacionais, em diferentes estados do país”.
Em agosto de 2013, o fluminense começa sua empreitada em Harvard e detecta uma sinergia especial com seus colegas — todos igualmente interessados em fazer do Brasil um lugar melhor, e todos cientes que isso só seria possível com acesso à educação.

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Como um projeto interno, Renan e alguns de seus colegas decidem se reunir com alguns líderes, representantes e empresários ligados ao sistema educacional brasileiro. Depois de 104 entrevistas, o projeto ganhou proporções tais que seria irresponsável deixá-lo longe do domínio público — daí o “Mapa do Buraco”, como ficou conhecido, chegou aos olhos da imprensa nacional.
“Esse primeiro mapeamento nos mostrou muitas coisas importantes: há um desinteresse alarmante pela carreira docente, já que o professor é desvalorizado e pouco incentivado no Brasil. Depois, aceitamos uma gestão amadora. Nossos líderes não estão preparados e sequer entendem profundamente a questão da educação nacional. Por fim, é urgente melhorar a comunicação entre todas as etapas do setor, além de repetir as boas práticas que têm sucesso seja no exterior, ou aqui mesmo”, explica.

“Há mais gente boa na favela que na Vieira Souto.”

Com a missão de promover o debate público e fiscalizar as política educacional, o Mapa Educação já conta com 143 colaboradores, pelo menos um de cada estado brasileiro — e todos voluntários. “A gente acredita que o jovem tem que ser o protagonista na educação, e eles são muito mais políticos e interessados do que a grande maioria pensa”, chancela.

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Embora ainda vivamos um “embate geracional”, estamos caminhando na direção certa. “Temos alunos do século 21, professores do século 20 e escolas do século 19, mas sou otimista que o cenário está mudando, só precisamos acelerar o passo”, completa.
Com o fôlego de jovens brilhantes, como o próprio Ferreirinha, não seria de surpreender que novos tempos estão chegando — e mais rápido do que suponhamos.
Beijo,
Rony Meisler

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