Samir Hamra: prosperidade financeira lado a lado com prosperidade social e ambiental

Fala galera,
Se você também tem a percepção de que, aos poucos, tudo está ficando um pouquinho melhor, eu te conto agora que essas mudanças têm vários personagens atuantes, e um deles vos apresento agora: o Samir Hamra, de 30 anos, parte do time fantástico do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), que se autodefine como uma “organização da sociedade civil, sem fins lucrativo, que atua na articulação de líderes e no fomento de iniciativas transformadoras, capazes de gerar impacto social positivo na população de baixa renda”.

Fotos: Gabriel Cabral / Reserva

Se parece difícil entender nesses termos, o próprio Samir deixa tudo um tiquinho mais palatável. “A gente trabalha para fortalecer o que chamamos de ecossistema das finanças sociais e negócios de impacto. Acreditamos que modelos de negócios podem resolver problemas sociais e ambientais — o que não significa que esta seja a única maneira ou melhor forma de fazer isso. Mas é importante entender que é possível resolver essas questões urgentes enquanto se é financeiramente sustentável; enquanto há retorno monetário. Ao fazer isso, fica mais fácil atrair novas formas de capital para essa, digamos, ‘missão’”, explica.

Formado em relações internacionais pela USP, Samir dedicou o período inicial de sua carreira a dominar o processo de internacionalização de empresas, mas se decepcionou com a dura realidade de que seu trabalho nem sempre era aproveitado da melhor maneira. “Eu tinha essa visão romântica de que, ao auxiliar grandes negócios a se tornarem mais competitivos no exterior, as coisas por aqui melhorariam também, com a repatriação de novas tecnologias, mais contratação de mão de obra e etc. Perceber que esse faz de contas só fazia sentido na minha cabeça me lançou numa crise particular”, conta.

“Existe uma certa desconexão entre o dinheiro e o estágio dos negócios. Tem muito empreendedor em estágio inicial querendo fazer coisas maravilhosas, e tem muito capital disponível, mas ele se volta quem está em fases mais avançadas.”

Sem saber exatamente para onde ir e o que fazer, Samir deu ouvido aos conselhos de uma amiga e, em 2010, fez sua inscrição para o curso online de Desenvolvimento Estratégico Sustentável, organizado por uma universidade sueca. “Sempre fui bastante cético, porque achava que essa coisa de sustentabilidade era uma ferramenta de marketing. Naquela época eu nunca tinha ouvido falar em negócios de impacto, mas a base teórica sólida das aulas me fez perceber que era, sim, possível trabalhar com isso de forma estruturada. Foi depois dessa experiência que eu decidi que trabalharia com sustentabilidade no setor privado”, pontua.

Cheio de certeza quanto o caminho a seguir, Samir buscou novas qualificações e se inscreveu no programa de mestrado na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Lá cursou Master in Development Practice, e parte da jornada compreendia um estágio em países em desenvolvimentos. Samir passou três meses na Colômbia, mapeando negócios sociais e de impacto — o que lhe deu uma bagagem prática, teórica e cultural sem precedentes.

“Percebi que o governo colombiano se envolveu e apoiou esses negócios antes do governo brasileiro, mas parece que por lá não houve uma continuação. Não acompanho de perto o que se passa na Colômbia, mas em terras brasilis, tenho ficado feliz de constatar que há uma movimentação do governo neste sentido”, diz.

“Não dá pra achar que grandes empresas são vilãs; e elas têm, sim, que fazer parte da solução”

Agora, totalmente inserido nesse contexto, o especialista conta que sua preocupação deixa de ser o fato de a sustentabilidade ser usada como ferramenta de marketing, mas com alguns desencontros, por assim dizer. “Existe uma certa desconexão entre o dinheiro e o estágio dos negócios. Tem muito empreendedor em estágio inicial querendo fazer coisas maravilhosas, e tem muito capital disponível, mas ele se volta quem está em fases mais avançadas. Então vemos um gap, que a gente chama de ‘vale da morte do empreendedor’”, aponta Samir.

Mas engana-se quem assume que negócios embrionários ou em fases iniciais estão associados a empreendedores de pouca idade. “Acho mais comum ver gente mais jovem nesse sistema, mas não me atreveria a dizer que é geracional. Já do lado dos investidores, é claro que é mais comum encontrar uma galera mais velha, porque são poucos com menos de 40 anos com capital para se tornar um investidor”, afirma.

Dessa diversidade geracional e dessa vontade de fazer o bem, os negócios sociais e de impacto vão ganhando cada vez mais força e espaço. De acordo com Samir, uma das partes mais fundamentais dessa equação tem a ver com a maior e melhor adesão a essa agenda. “Temos aproximado grandes empresas dessas discussões e, embora muita gente não veja ‘grandes corporações’ com bons olhos, precisamos ser realistas: quem tem dinheiro e mobiliza recursos humanos e naturais? Quem tem operações que já impactam vidas de milhares de pessoas? Não dá para achar que grandes empresas são vilãs; e elas têm, sim, que fazer parte da solução”, diz.

Ciente de que há muitos motivos para ser otimista, inclusive com o interesse do governo federal nessa questão, Samir sabe que é privilegiado por estar inserido no meio. “Apesar no noticiário não mostrar, tem muita gente fazendo coisa legal e a gente precisa conhecer e apoiar esses negócios”. E completa: “o ICE tem o compromisso de focar nessa agenda até 2020. Até lá, esperamos que negócios de impacto e negócios sociais já estejam tão estruturados e sejam tão ‘comuns’, que a nossa atuação seja dispensável”.

Tomara, Samir, tomara!


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