Respeito às origens, humildade e trabalho honesto. Esses são alguns dos princípios que José Oliveira de Almeida, o Seu Zé Almeida, passou para o filho Rodrigo Oliveira, chef à frente dos restaurantes de sucesso Mocotó e Esquina Mocotó, em São Paulo

Tudo começou quando Zé Almeida, que é natural do pequeno vilarejo do sertão pernambucano Mulungu, veio para São Paulo aos 25 anos. Após trabalhar com metalúrgica, malharia, fundição e uma fábrica de laticínios, Zé decidiu abrir, em 1973, junto de dois irmãos a “Casa do Norte Irmãos Almeida”.

(Foto: Lucas Lima)

Após um ano da abertura da Casa do Norte, Zé montou seu bar na Vila Medeiros, bairro onde até hoje encontra-se o Mocotó. O filho Rodrigo sempre trabalhou no restaurante, mas foi em 2004 que ele assumiu o comando e renovou o projeto do pai.

O Mocotó não é apenas um restaurante, mas sim um projeto de vida feito com muito amor, onde cada pedacinho remete ao relacionamento de pai e filho. Sorte do público de poder desfrutar as delícias que saem desta cozinha e fazer parte da história desta família. Confira a entrevista que fizemos com o Rodrigo e inspire-se com a história dos dois:

Como é a sua relação com o seu pai? O que o Mocotó representa para vocês?

É difícil evitar o clichê, mas meu pai é meu herói. Quando era garoto, trocava minhas tardes e fins de semana para ajudar no restaurante. Lavava pratos, limpava mesas. Tudo só para passar mais tempo com ele. Coisa que só percebi tempos depois, me questionando do porquê de estar ali. O Mocotó acabou virando o que é por conta do nosso equilíbrio, soma das nossas diferentes visões. Meu pai sempre nos fazendo lembrar das nossas origens, das tradições e eu, em contraponto, a partir da tradição proponho um olhar de renovação. O Mocotó é uma extensão da nossa casa, é como se personificássemos a história da nossa família.

Você deve ter muitas lembranças vividas ao lado do seu pai. Quais foram os momentos mais marcantes que você teve com ele?

Durante as férias, minhas e de minha irmã, sempre íamos ao sertão de Pernambuco, na região dos meus pais. Ali podíamos passar muito tempo juntos e viver uma realidade muito distinta de São Paulo. Passeávamos pelo mato, alimentávamos os animais, comíamos caju e umbu embaixo do pé. Eu passava mais tempo com meu pai ao mesmo tempo em que entendia nossas origens. Meu pai nunca se permitiu férias, então ele dizia que ia à Mulungu porque tinha trabalho a fazer. E era assim que andávamos juntos.

Retrato do chef Rodrigo Oliveira, que comanda os restaurantes Mocotó e Esquina Mocotó na Vila Medeiros, zona norte da cidade. (Fotos: Lucas Lima)

Quais foram os maiores aprendizados que você teve com o seu pai?

Meu pai é nosso maior exemplo de correção e dedicação ao trabalho. Ele se cobra muito e é muito rígido com ele mesmo e conosco. Ainda espero um reconhecimento pelo trabalho que fizemos, o que construímos. Entendo que essa é a forma dele de amar. Colocar nossos pés no chão, com medo de que algo aconteça. Conhecendo suas origens, o sertão e suas insuficiências, não fica difícil compreender porque ele pensa assim. “Faça isso não” é o que ele sempre diz, tentando nos proteger.

Quais aprendizados que você teve com seu pai que você deseja passar para os seus filhos?

Mostro para meus filhos (são 4 meninas e 1 menino) a valorização das origens, respeitar a todos independentemente do status e das condições sociais e a ser humilde. Mesmos conceitos que aplicamos no restaurante, a inclusividade. Meu pai era um excelente anfitrião, lembrado até hoje pela hospitalidade. Aqui tentamos fazer isso com todos, em casa e no restaurante.

 

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