Sucessos de público direto de Londrina

Londrina é uma espécie de capital informal do norte do Paraná – afinal, tem idade, tamanho e vida cultural para isso. Parte de um projeto de colonização do norte do Paraná, foi fundada em 1934 sob supervisão de uma companhia inglesa. Durante muitos anos foi a principal produtora de café do país. A partir da segunda metade dos anos 70, a cidade ganha perfil mais industrial. Assim como as vizinhas Cianorte e Maringá, tornou-se um polo de produção têxtil, com ênfase em calças.

Em quatro galpões com 2.500 m² cada, a têxtil de Londrina produz 120 mil peças por mês – para a Reserva desenvolve dois sucessos de público e crítica: a bermuda Army e a calça Iron. A empresa é uma potência: seu setor de corte tem capacidade de talhar mil peças, passadoria com execução de 5 mil peças por hora, acabamento que mobiliza uma centena de funcionários – tudo isso suprido por um estoque avaliado em 1 milhão de reais. Enquanto isso, o laboratório de desenvolvimento de cores também trabalha em ritmo intenso: ali, três especialistas conseguem trabalhar até 12 cores diferentes ao mesmo tempo.

Dos 400 funcionários, boa parte vem dos arredores de Londrina – cidades como Cambé, Ibiporã e Bela Vista do Paraíso. O transporte é feito em ônibus de 13 linhas diferentes fretados pela empresa. A movimentação das centenas de pessoas e dezenas de veículos no final do expediente confere um ar de terminal rodoviário ao pátio da confecção. Estivemos lá coincidentemente em uma sexta-feira – foi divertido ver aqueles rostos, extremamente compenetrados durante o trabalho, estampando um grande sorriso pelas janelas dos ônibus.

Quem ajuda a fazer

Toni Khouri, 55 anos, gerente. Impossível não perceber a presença de Toni se deslocando em meio ao intenso ruído das máquinas de costura ou o frenético funcionamento da lavanderia. Com seu 1,90 m ele supervisiona as mais diferentes funções nos galpões da confecção e pode ser encontrado por todos os cantos. O libanês foi para Montreal, Canadá, aos 17 anos para estudar Engenharia da Computação. Em 1996 veio ao Brasil para visitar a irmã em Goiânia. Aproveitou para visitar os primos em Londrina e, então, aconteceram duas coisas: apaixonou-se por uma brasileira e foi convidado para ajudar no gerenciamento da têxtil. “Não tem quem não goste do Brasil. Em termos de vida social não tem igual. Acabei ficando”, explica. O casamento durou 11 anos, mas o gerenciamento continua firme e forte.

“Não é fácil cuidar de tanta gente. Tem de conversar muito. Em princípio a experiência de engenheiro ajuda: tem de agir muito rápido e ter visão das coisas. Mas tem de ter muita paciência também”.