It’s a match: executivos do Tinder criam incubadora social

Fala galera,

De todas as histórias que começaram no Tinder, a mais bonita delas é mesmo um caso de amor… ao próximo: Andrea Iorio e Alessandro Telles, dois executivos da gigante americana, se encontraram em um “match de vida” e desde então vivem um relacionamento sério com a Apps do Bem, incubadora que criaram para tirar aplicativos de impacto social do papel.

Nascido na Itália, Andrea conta que a semente desse projeto começou anos atrás, em uma viagem a Israel, quando conheceu um empresário que sabiamente doava parte de seu tempo à caridade. Ativo no setor de investimentos, esse rapaz cedia metade de um dia de sua semana para trabalhar na prisão local, ajudando a melhorar a vida dos detentos.

De volta ao Brasil, onde mora há seis anos, o executivo de 30 anos conversou com seu colega carioca sobre a vontade de fazer algo parecido. “Sinto que temos a obrigação de retribuir, não apenas porque somos privilegiados, mas também porque sabemos que muita gente nos ajudou a chegar até aqui”, pontua Andrea, com genuína humildade.

Foto: Soraya Albuquerque / Reserva

Head de design na Match.com, empresa que detém o Tinder e outros dating apps, Alessandro, de 32 anos, compartilhava do mesmo desejo, mas sabia que o desafio seria pensar em uma solução que pudesse impactar o maior número de pessoas, e ainda permitisse flexibilidade aos voluntários. “Muita gente tem vontade de ajudar, mas nem todo mundo quer se deslocar, quer comprometer o final de semana ou coisa parecida. E eu entendo tudo isso, claro, só não enxergava uma resposta para essas questões”, relembra.

Ponderando juntos maneiras viáveis de contornar esse desafio, chegaram ao modelo que ainda hoje é vigente na Apps do Bem: programadores, designers, engenheiros de softwares e outros especialistas em tecnologia podem se cadastrar no banco de dados da incubadora, ressaltando suas expertises, e se voluntariar nos projetos existentes ali.

“Não trabalhamos com prazos, então não há cobranças. A gente sabe que os voluntários ali estão dando tudo de si, no máximo de tempo disponível que têm, então deixamos as coisas fluírem no ritmo dos envolvidos”, explica Andrea.

“Sinto que temos a obrigação de retribuir, não apenas porque somos privilegiados, mas também porque sabemos que muita gente nos ajudou a chegar até aqui.”

Além do cadastro dos voluntários, a Apps do Bem também aceita inscrições de ideias — mas é preciso seguir duas regras básicas: o site ou aplicativo tem que ser gratuito e tem que resolver um problema social comprovável.

“Nos tornamos uma ponte entre a sociedade civil, programadores e especialistas em tecnologia, e conseguimos desenvolver projetos que dificilmente conseguiriam investimento privado, visto que o objetivo não é gerar lucro, mas melhorar a vida de pessoas”, salienta Alessandro.

Apesar de contarem com mão de obra voluntária, a ONG tem despesas fundamentais, como o custo de servidores e afins, mas e tudo absorvido de forma espontânea por Andrea e Alessandro, cuja generosidade se evidencia em outros pontos da iniciativa. “Deixamos nossos códigos abertos, mas é tudo licenciado pela Creative Commons, que é como a Wikipedia funciona: qualquer um pode se beneficiar do que fazemos, contanto que o material não gere lucro”, esclarecem.

O resultado de todo esse empenho já surtiu efeito, pois em junho deste ano foi ao ar o primeiro aplicativo “incubado” pela Apps do Bem, o Ajuda Já — disponível apenas na versão IOS, por enquanto. O dispositivo visa ajudar pessoas que têm tendências suicidas, acionando contatos pré-determinados em situações extremas. Basta que o usuário ative o botão de pânico no aplicativo para que seus amigos ou familiares designados recebam uma mensagem de texto com uma mensagem padrão e a localização de quem precisa de ajuda.

“Deixamos nossos códigos abertos: qualquer um pode se beneficiar do que fazemos, contanto que o material não gere lucro.”

Desde que foi ao ar, mais de 200 pessoas fizeram o download do app — um número considerável, vista a natureza do dispositivo. “Mais do que salvar pessoas, a decisão de tirar esse projeto do papel foi para mandar um sinal para o mercado e para o mundo, porque é um problema delicado, e há pouca gente pensando em soluções”, reforça Andrea.

Com mais de 50 ideias concretas concretas aprovadas na Apps do Bem, os executivos priorizaram cerca de cinco para serem incubadas. Trabalhando em sistema de grupos, a ONG testa modelos de gerenciamento sem barreiras ou hierarquias: programadores juniors e seniors trabalham lado a lado, de forma enriquecedora, trocando informações. “Isso faz com que o coletivo se auto-regule de forma orgânica e saudável, já que estamos todos na mesma página”, observa Alessandro.

Vista a natureza nobre e educacional da organização, algumas instituições de ensino firmaram parceria com a Apps do Bem, uma vez que os alunos aprenderiam na prática e, de quebra, ajudariam a sociedade civil.

Neste esquema de cada um doar o quanto pode e o quanto quer, um ciclo virtuoso de alta tecnologia e alto impacto mostra que o futuro é promissor: um admirável mundo novo nos espera.

Beijos,

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