Incrustada na Serra Gaúcha, Picada Café é uma pequena vila com pouco mais de 5.500 habitantes. Seu entorno lembra os verdejantes vales da Europa Central. Não é uma coincidência, portanto, que a região tenha sido colonizada por imigrantes europeus – especialmente alemães. Ali os bairros têm nomes como Jammerthal, Morro Bock, Lichtenthal, Picada Holanda, Kaffeeck e Joaneta. Neste último está localizada a matriz da fábrica de calçados de onde saem as últimas tendências em termos de tênis. Um contraste com o bucólico local onde os moradores ainda se conhecem pelo nome.

A empresa foi criada em 1998 por três sócios que se conheceram em uma extinta fábrica de calçados da cidade. Nesses 18 anos a empresa ampliou sua produção e expandiu as operações para a cidade de Senador Pompeu, no Ceará. Hoje, as fábricas das duas cidades confeccionam cerca de 16 mil pares de calçados por dia.

A matriz fica em uma área construída de 5.824 m², onde quatro centenas de funcionários trabalham em ritmo harmônico, porém incessante. Calcule: a confecção de um tênis passa por 40 operações diferentes e envolve 46 pessoas – e ali são produzidos 5 mil pares por dia. Além dos 406 empregos diretos, a empresa gera outros 480 indiretos ao terceirizar a produção de costura, executados por dez pequenos ateliês em cidades do entorno.

A fábrica de calçados também tem uma “parceira coirmã”, que fornece para a Reserva a linha de sandálias de dedo. Fundada em 2010 por três jovens sócios, fica em Capela de Santana, município da grande Porto Alegre. Inicialmente faziam placas de borracha para sola de calçados femininos, mas em 2011 migraram para as sandálias de dedo. Assim como a sua irmã mais velha, ela também abriu filial no Ceará. São 300 funcionários na unidade gaúcha e 180 na cearense – juntos produzem 20.500 pares por dia.

Quem ajuda a fazer

Rodrigo Remgrab, 31 anos, supervisor. Rodrigo nasceu e cresceu na vizinha Ivoti. Trabalha há 15 anos na empresa. “Comecei na linha de montagem e passei em todos os setores, da montagem à vulcanização e embalagem”, lembra. Durante dez anos ele percorreu, de segunda a sexta, os 19 quilômetros que separam Ivoti de Picada Café. Há cinco anos mudou-se de vez para Picada. Motivo: casou-se com uma local. É pai de um garoto de 1 ano de idade. Interpelado se tem a pretensão de um dia mudar para uma cidade maior, responde com outra questão: “Por que eu me mudaria daqui? ”.