Cianorte é uma cidade relativamente jovem: foi fundada em 1953 pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (de onde vem as partículas Cia e Norte). Sua criação fazia parte da colonização das regiões norte e nordeste do estado e atraiu muitos migrantes do país, especialmente Minas Gerais e São Paulo. O forte da economia da cidade era o cultivo do café, mas em 1975 veio “A Grande Geada” – ou “Geada Negra” – e o cenário mudou radicalmente. Com a destruição da cultura agrícola, as cidades da região, como Cianorte, Maringá e Londrina, tiveram de se reinventar e acabaram se transformando em polos têxteis. Hoje a planejada e arborizada Cianorte tem o apelido de “A Capital do Vestuário”.

Fundada em 1980, o salto da empresa aconteceu sete anos depois, quando uma grande empresa norte-americana de jeans virou sua parceira. A grife “ianque” ensinou-lhe processos inovadores e fez com que a têxtil de Cianorte trocasse definitivamente a camisaria pelo jeans. Hoje ela produz 220 mil peças por mês com 90% do processo feito na própria confecção. Investe pesado em desenvolvimento: tem um andar exclusivo e 60 pessoas dedicadas ao setor. Em 1995 foi criada a segunda parte do bem-sucedido empreendimento: a lavanderia, que hoje figura entre as maiores do país.

Em seus três galpões – cada um com 780 m² – a lavanderia reúne o que há de mais avançado no setor. Entre os equipamentos de ponta estão cinco máquinas a laser para efeitos localizados que executam 11 mil peças por dia. São 20 máquinas de lavar (nove delas para 200 quilos). O sistema de tratamento de água, com capacidade para tratar de 80 a 90 mil litros por hora, permite que até 70% da água tratada seja reaproveitada na própria lavanderia. “Sem esse tratamento de água nosso funcionamento hoje seria inviável”, explica o gerente de produção e desenvolvimento. Hoje a lavanderia mobiliza 350 funcionários, que cuidam de mais de 2 mil modelos desenvolvidos por coleção.

Quem ajuda a fazer

Roseli Gardin Pires de Campo, 43 anos, gerente de costura. Faz 15 anos que Roseli se tornou gerente de costura. Seu trabalho é comandar um setor com 112 funcionários e 138 máquinas. Ela começou na empresa como costureira, passou para auxiliar de costura, encarregada e finalmente gerente. “Cresci, né? Só não cresci no tamanho”, brinca. Longe das máquinas de costura, Roseli tem dois xodós: as filhas Gabriele, 14 anos e Vitória, 8. Apesar da pouca idade, em março do próximo ano ela completa 30 anos de trabalho. Mas não pretende se aposentar. “Gosto de lidar com as pessoas; gosto do chão de fábrica”, diz.

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