Nova Iguaçu nasceu como pouso de tropeiros, virou posto da Estrada Real do Comercio no século XIX e, com o crescimento da capital, se transformou em cidade-dormitório. Mas nos últimos anos vem mudando o seu perfil: as variadas empresas de médio porte que têm se instalado por lá e um centro comercial ativo que atrai gente das cidades vizinhas tem dado à Nova Iguaçu o status de principal cidade da Baixada Fluminense.

Esta empresa de cuecas pode ser modesta em tamanho físico, mas tem uma produção muito bem equacionada de 50 mil peças por mês para as grifes mais requisitadas do mercado. Seu proprietário se orgulha de ser o primeiro a fazer elásticos personalizados no país. O pequeno prédio de 700 m² em uma tranquila rua de Nova Iguaçu abriga 42 pessoas – 40 delas mulheres – entre costureiras, cortadoras e embaladoras. No galpão são três células de produção com 12 máquinas confeccionando mil cuecas box por dia (ou 1250 slips). Devido ao seu tamanho é possível inserir algumas práticas inviáveis para grandes confecções – a revisão final na caixa, por exemplo, não é feita por amostragem, mas peça por peça. “Como sou pequeno, tenho de apostar na qualidade”, raciocina o proprietário.

Quem ajuda a fazer

Ana Patrícia de Souza, 45 anos, encarregada de produção. Patrícia é uma das remanescentes da falecida empresa que foi resgatada pelo atual proprietário. “Trabalhei lá por oito anos e sete meses e não recebi absolutamente nada”, relembra. Na atual configuração entrou como pilotista em 2002. Foi onde conheceu Zilton, com quem se casou há sete meses (ele não trabalha mais na empresa). Segundo o proprietário, “é ela quem sabe da vida de todo mundo aqui”. Patrícia não nega a fama: “Todas vêm sentar ao lado da minha mesa para se aconselhar comigo. A psicóloga de uma delas até pediu para me conhecer. ”

Célia Maria Alves da Silva, 46 anos, costureira. Cecília também é uma sobrevivente da antiga fábrica. Sua história, contudo, tem alguns lances dramáticos. Ela nasceu em Queimados, na Baixada Fluminense, e ainda criança mudou-se com a família para Varre-Sai, em Minas. As coisas não deram muito certo: “botaram fogo na nossa casa e uma jararaca picou a minha mãe”. De volta ao Rio, trabalhou como babá e depois em uma fábrica de calcinhas na Baixada Fluminense. Entrou na confecção em 1999 e fez parte do heroico time da primeira entrega. “Disseram que a gente não conseguiria fazer 500 peças por dia, mas conseguimos. Todo mundo fazia de tudo, era um grupo unido”, lembra com orgulho.

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