Carlos Ferreirinha e o mercado de luxo

O primeiro lugar é seu habitat natural: em tudo na vida, Carlos Ferreirinha buscou a pole position – e conseguiu, senão em todas, na maioria das tentativas. Depois de liderar a operação brasileira da Louis Vuitton, o carioca inaugurou uma consultoria especializada no mercado de luxo. Dezessete anos depois, a MCF Consultoria continua sendo a única empresa latino-americana do setor a entregar capacitação em todas as esferas, do treinamento à inteligência de mercado.

Fotos: Thays Bittar / Reserva

A veia empreendedora voltou a pulsar forte cerca de quatro anos atrás, quando Ferreirinha abriu, ao lado de seu sócio Carlos Otavio, a Bento, a única concept store do mundo exclusivamente focada em produtos de take-away — ou as famosas “marmitas”, em bom português.

Esse conhecimento multidisciplinar acrescido dos anos de estrada fazem de Carlos Ferreirinha um mestre na arte de fazer negócios. E, como bom professor, ele compartilha agora algumas de suas maiores lições.

1 – Posologia

“Nem todas as marcas precisam ou deveriam ser de luxo, mas todo mundo pode aprender e muito com a matriz de inteligência da gestão de luxo, se ligando com o princípio irrepreensível de excelência, a obsessão por detalhes, a busca por fazer diferenciado, destacar a diferença, a arte de desenhar estratégias de estímulos emocionais, encantar outro indivíduo para uma tomada de decisão de adquirir um bem não-necessário e por aí vai.”

2 – A dor e a delícia de empreender

“A beleza é a inovação, a diferenciação, o destaque perante o consumidor e o prazer de entregar algo que mexe com o outro. A dor é não ter lastro. Sem lastro você precisa ser mais que visionário e trabalhador: precisa ser encantador de cavalos. Precisa encantar para conseguir investimento e se manter relevante. Todo mundo quer saber do mercado, das outras empresas e, no nosso caso, não têm. O esforço é muito maior por isso. É trabalhoso convencer as pessoas em cima do não-concreto, porque não há parâmetros ou métricas. A fé acontece na religião, mas não no mercado.”

“Sua equipe não é sua sócia. O negócio é seu, então não transfira certas responsabilidades e expectativas para a equipe.”

3 – Extreme makeover

“Ter outros players em um mesmo espaço te força a sair de um ponto e ir para outro. A ausência do player te leva ao comodismo, à confiança, à vaidade. Por isso é preciso ter uma equipe de pessoas apta a lhe alertar, porque o empreendedor muitas vezes está cego. O empreendedor é embebido por uma série de crenças, vontades, seguranças – daí é fundamental montar uma equipe que saiba quando e como apontar o dedo, e isso é algo difícil. Empreendedorismo é uma viagem egóica, e quem se aventura nisso tende a criar uma equipe de operários que vão dar vida ao sonho que ele teve, o que pode ser perigoso. “

4 – Onde os fracos não têm vez

“O empreendedor não dorme. Diversos amigos me dizem que querem empreender e eu desaconselho a maioria. Você não sabe se vai ter dinheiro para pagar a folha amanhã, o aluguel na semana que vem. A sua relação com o trabalho muda, até porque você passa a trabalhar muito mais. Você não tem o direito de desligar o seu telefone, por exemplo. Você precisa ser inquieto para manter esse ritmo.”

 

5 – Pingos nos is

“Sua equipe não é sua sócia. O negócio é seu, então não transfira certas responsabilidades e expectativas para a equipe.”

6 – Quem gosta e empreende, cuida

“Sou avesso aos manuais tradicionais. Uma relação de empresa, que é uma relação de convívio com o outro, não é diferente do que acontece com a sua família.  A relação de respeito e amor se dá no dia a dia, não no Power Point. Empreender traz a responsabilidade intrínseca de cuidar de pessoas, e pessoas precisam de atenção, de desenvolvimento, de correção de rumo. Um bom empreendedor precisa ter esse olhar criterioso para o outro.”

7 – Lados da mesma moeda

“Não acredito nesse discurso de ‘ser alguém no escritório e outra pessoa na vida pessoal’. Somos exatamente os mesmos, carregamos conosco a nossa ética, os nossos valores, as nossas crenças e a nossa personalidade.”

8 – Casamento Sociedade Limitada

“Sociedade é um exercício de casamento, já que a gente precisa encontrar o eixo da humildade e da troca. Antes de decidir, há muita conversa. A grande vantagem é ter alguém para compartilhar as dores e as delícias de um novo negócio, porque todo empreendedor é solitário. Quando você tem uma boa relação de sociedade, como é o meu caso com a Bento, os conflitos podem até existir, mas as vantagens se sobrepõem aos desafios – e diminui a angústia que se tem na vida do empreendedorismo.”

“O cliente tem sempre a razão, vírgula, até ele perder a razão.”

9 – O futuro do presente perfeito

“Minhas ações são um equilíbrio de imediatismo; são balizas pensando no curto prazo. Eu sou muito prático: planejamento tem que ser o mais próximo do que os meus olhos podem ver e a mão, tocar. Sonhos, vontades e desejos devem ser lúdicos, mas planejamento factível.”

10 – Cliente e a razão

“Nunca concordei com essa história de que o cliente tem razão. O cliente tem sempre a razão, vírgula, até ele perder a razão. Tem cliente abusado, desrespeitoso. Neutralizar um funcionário porque o cliente precisa estar sempre certo é uma falácia. Eu prefiro perder o cliente. A César o que é de César, a Hércules o que é de Hércules. Isso não significa desmerecer o cliente, até porque ele é referência na hora da venda.”

11 – Invista aqui

“ Invista no digital. Aquele fluxo que a gente acostumou a ter no varejo tradicional migrou para o online. Aquele mundo de gente que andava no shopping foi para as redes sociais. Acredito que a humanização vai crescer como contraponto da hiperconectividade, mas hoje é impossível ignorar o universo digital.”

– INSPIRE-SE NO ESTILO DO FERREIRINHA –

 

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