O que você precisa saber agora para ser um líder criativo de sucesso

A pedra-angular, para o Guilherme Bcheche arquiteto, é aquela que sustenta toda a construção; para o Guilherme Bcheche empresário e estrategista, é aquela que põe tudo abaixo: a demolição é a parte fundamental de qualquer obra.

Depois de ver ruir parte de seu encanto pela profissão que misturava artes e matemática, suas grandes paixões, Bcheche obedeceu aos instintos do sangue comerciante que lhe corre nas veias. A infância a bordo de seu velotrol ganhando cada centímetro da loja dos pais vieram à tona na idade adulta e, aos 36 anos, sócio do centro de estudo Polifonia e responsável pelas ações brasileiras da THNK, escola holandesa de liderança criativa, o mineiro que fez carreira na consultoria internacional McKinsey utiliza todas as ferramentas e conhecimentos que acumulou nas salas de aula, nos escritórios e na vida para se tornar um estrategista notável, a serviço de grandes empresas Brasil afora.

Aqui, Bcheche, que também se prepara para lançar uma consultoria de inovação que se tem a abordagem do design para resolução de problemas e transformação, fala dos movimentos indispensáveis para bem traçar cada jogada no tabuleiro do destino pessoal e profissional.

Fotos: Thays Bittar / Reserva

1 – A Nova Era chegou

“A gente vem de uma revolução industrial que definiu o nosso modo de pensar: linear, encadeado e em série. Isso nos dá a falsa impressão de controle, mas se você olha para a natureza e para a própria vida, percebe rapidamente que não existe previsibilidade, linearidade ou controle algum. A entrada da tecnologia, com o aumento da complexidade dos sistemas e do ser humano, nos faz acordar para a realidade de que esse velho modo de racionalizar as coisas já não responde nossas demandas como seres humanos e empresários.”

2 – A resposta da charada

“Uma das habilidades mais valorizadas para os negócios atuais é a capacidade de pensar de forma sistêmica, capaz de resolver tudo ao mesmo tempo. Da mesma forma que o arquiteto precisa olhar para um projeto, uma planta, e pensar em soluções que resolvam o todo, os líderes de hoje precisam do mesmo approach. Não dá para resolver um quarto, uma sala ou um corredor sem levar em conta o apartamento todo — o mesmo vale para corporações.”

 

“Se você não acredita em espiritualidade, acredite em Darwin: a teoria da evolução da espécie está aí para quem quiser ver.”

3 – Faz parte do nosso show

“A estratégia é inerente ao ser humano, é o pensar antes de agir. Pensar nos cenários possíveis, imaginar o desenrolar das coisas e projetar a realidade para só depois executar — e aqui, de novo, arquitetura e estratégia se encontram.”

4 – Domine sua falta de domínio

“Aceite de uma vez por todas que a vida é “caórdica”, que se equilibra na tênue linha que separa o caos da ordem. Isso quer dizer que saber nada nunca será como o planejado. Exatamente como na construção de uma casa, você pode fazer mil planejamentos super detalhados, mas os imprevistos são inevitáveis. A única certeza que a gente tem quando projeta e define uma estratégia é que as coisas não vão espelhar o papel.”

5 – Modo de usar

“Por que fazemos estratégia, então, se nada está sob nosso controle? Para ter um pouco mais de segurança e um pouco mais de rapidez para lidar com os imprevistos. É uma forma de ter um norte, um sentido mesmo, e não se perder de vez.”

6 – O fundo do poço não tem molas, mas tem perguntas, que é a mesma coisa

“Quando você chega no seus limites, começa a fazer as perguntas que são realmente estratégicas. Aliás, se eu tivesse que definir um estrategista de uma forma bem resumida, eu diria: estrategista é quem sabe chegar na pergunta certa. Não tem nada a ver com a resposta, mas com a pergunta, e a pergunta fundamental está na base de tudo. É ali, no X da questão fundamental, que reside o verdadeiro sucesso.”

“Apenas 6% dos líderes, no mundo todo, estão satisfeitos com a performance de inovação de suas empresas; e 80% acredita que seu modelo de negócio está ameaçado”

7 – Testando, testando, testando

“Depois da pergunta, vá para a rua, porque o caminho a gente faz andando. O design e a arquitetura têm um termo que é hoje muito usado no mundo dos negócios: protótipo. Se você tem uma hipótese de solução, faça o grande favor de testá-la. É no teste que você vai ter o aprendizado certo para balizar suas estratégias. A análise, o pensar, é importante, mas é uma parte do processo: o restante está do lado de fora. E não é você que vai dar a resposta, mas o mercado, o cliente e o usuário.”

8 – Um passo atrás

“Tenha um bom planejamento financeiro, porque essa tarefa te obriga a pensar em premissas importantes do negócio, como custos, preços e mercados. Esse exercício é, antes de tudo, estratégico: vai definir muitas das suas técnicas de ‘ataque’, de ‘defesa’ e de ‘mapeamento’ — para usar os termos militares, o berço da estratégia tal qual a conhecemos.”

9 – Não acaba. Nunca.

“Acostume-se com a obra, porque não existe ficar pronto. Na hora em que você entende e aceita que a obra é um estado eterno, você tem muito mais tranquilidade para lidar com esse mundo volátil, ambíguo e incerto e caótico em que vivemos.”

10 – It’s all about people

“Não sei quando e como passamos a acreditar que as pessoas servem as corporações, quando é justamente o contrário. A partir do momento que interiorizamos essa verdade universal, de que empresas servem pessoas, passamos a mexer em todos os pontos da estrutura: a forma como lidamos com nossos pares, com processos, com inovação e além.”

11 – São tantas emoções

“A emoção é uma das maiores forças que a gente tem, e a gente não a usa porque fomos treinados pelo pensamento linear do qual falamos antes. Mas essa não é a nossa natureza, e o mundo nos chama para sermos muito mais humano do que a gente imagina. A tecnologia não veio para acabar com o ser humano, mas para nos aproximar justamente do que nos faz de carne e osso, daí a crescente busca pela espiritualidade, pelo desenvolvimento humano e afins.”

“Acostume-se com a obra, porque não existe ficar pronto”

12 – Houston, we have a problem

“Os modelos de negócio estão ameaçados. Segundo dados da própria McKinsey, apenas 6% dos líderes entrevistados, no mundo todo, estão satisfeitos com a performance de inovação de suas empresas; 80% acredita que seu modelo de negócio está ameaçado. What’s next? Eu não sei. A única coisa que sei é que precisamos estar atentos para captar e absorver as sutilezas que acontecem ao nosso redor e impactam na gente e no business.”

13 – Em comunhão de bens

“‘Eu e meu negócio’ são coisas indissociáveis, e isso vale para grandes corporações e startups. Digo isso porque os líderes influenciam absolutamente tudo e todos em uma empresa. As coisas ali vão se desenrolar de acordo com as diretrizes do líder, seguindo suas crenças e suas práticas.”

14 – Vai doer, vai

“A dor está na execução, não no planejamento. A dor está no caminhar e é por isso que as pessoas evitam. Vai, porque não tem como ir sem dor. Ao tentar evitá-la, vai evitar a vida, no final das contas.”

15 – Diga não às soluções miojo

“Há aqueles consultores que vêm, pegam insights, montam uma bela apresentação e recebem uma sonora salva de palmas. Mas e aí? Se aquilo não correr na sua veia, se não é a sua verdade, não para de pé. A resposta está em você, está na empresa, não no consultor. Desconfie de respostas prontas. Eu, como consultor, posso te ajudar a fazer análise, posso ter metodologia e etc., mas você precisa se apropriar das coisas.”

16 – Recalculando a rota

“Não existe mais visão de longuíssimo prazo, existe sonho. Antigamente as empresas faziam um planejamento para dali 15 ou 20 anos, e isso não existe mais. As empresas até conseguem traçar um plano para um futuro próxima, de 2 ou 3 anos, mas provavelmente vão ter que rever tudo de tempos em tempos.”

17 – Fato consumado

“Todos temos um propósito único: evoluir. É obrigação nossa evoluir como ser humano. E se você não acredita em espiritualidade, acredite em Darwin: a teoria da evolução da espécie está aí para quem quiser ver.”

– INSPIRE-SE NO ESTILO DO GUILHERME –

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