A conversa chegou à cozinha: a Salsada quer transformar o universo da alimentação

Fala galera,

‘Você é o que você come’ é um ditado antigo, mas nunca foi uma preocupação tão atual. Cada vez mais se fala sobre alimentação e termos como natural, orgânico e sustentável pipocam por aí, das embalagens nas gôndolas do supermercado às reportagens que lemos nos jornais. Mas há muitos problemas no tortuoso caminho entre a produção e os alimentos que chegam à mesa. Pensando em tornar mais saudável esta cadeia e conectar os agentes nela envolvidos, os publicitários Lena Mattar, Roberto Meirelles, Débora Emm, Michele Okuhara e o economista Carlos Alberto Martinez criaram a Salsada.

A parceria entre Roberto, Débora e Carlos Alberto começou em 2010, quando fundaram a Inesplorato, uma empresa de curadoria de conhecimento. Lena trouxe ao time sua experiência no universo da gastronomia. Formada como sommelière no Le Cordon Bleu, em Paris, ela trabalhou durante dois anos em restaurantes paulistanos antes de se dedicar à comunicação gastronômica. Da vontade de pensar na alimentação de uma maneira mais política surgiu o encontro com o grupo, que já conhecia da universidade. Lena e Roberto, que aparecem nas fotos desta reportagem, tocam o dia a dia da operação, que acaba de completar um ano.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Durante meses, eles se debruçaram sobre o mercado da alimentação e perceberam que faltava conhecimento e diálogo nesta rede. Decidiram fazer um negócio que criasse pontes entre empresas, produtores, chefs, pesquisadores e todos aqueles responsáveis pelo que consumimos. “É um cabo de guerra de muitas pontas e cada um puxa para si”, explica Roberto. “Por mais que você veja iniciativas legais, existe uma dificuldade de diálogo. A gente percebeu que era necessário um terceiro agente para intermediar esses relacionamentos, como para explicar para uma grande empresa como adequar o processo de produção para ser atendido pelo pequeno produtor e vice-versa”.

“Não adianta lançar um produto com selo de orgânico se você não sabe quais são as relações trabalhistas com as famílias que o produzem”

Apostando que o conhecimento é o primeiro passo para corrigir os problemas dessa cadeia, uma das frentes da Salsada é a educação. Eles levam às empresas informações sobre agroecologia, desperdício, biodiversidade, distribuição e segurança alimentar para que os profissionais que trabalham neste mercado possam se aproximar da realidade do campo. “Nosso papel não é condenar o lucro que as empresas almejam, mas sim como fazer isso. Às custas da liberdade de um produtor ou da opressão dos fornecedores? Sem transparência com o consumidor?”, questiona Lena. “Não adianta lançar um produto com selo de orgânico se você não sabe quais são as relações trabalhistas com as famílias que o produzem. Existe um processo que precede a concepção de um produto consciente”.

Nesse primeiro ano da Salsada, eles ouviram muitos suspiros ao falar sobre o consumo de agrotóxicos dentro de grandes empresas, ajudaram a criar uma linha de frangos sem antibióticos, desenharam uma marca de cachaça em cima de valores caipiras e participaram do desenvolvimento de uma bebida não alcoólica totalmente orgânica, a Kiro. A concepção de produtos, outra das frentes da empresa, permite à dupla tornar palpável os valores que eles tentam espalhar pelo mercado da alimentação. A Kiro, que já está sendo vendida em restaurantes e cafés paulistanos, é um isotônico natural feito com gengibre e mel de produtores agroecológicos do Vale do Ribeira. “Nosso papel também é entender quais decisões podem ser tomadas para que marca contribua com a evolução do mercado e não seja mais um produto predatório”, explica Roberto.

“As pessoas estão começando a entender que não adianta ignorar o que você come”

O grupo já tem projetos para o terceiro pilar da empresa, o de intermediação. Eles perceberam que são poucas as festas regionais que atraem patrocinadores, deixando de lado o potencial turístico e cultural que os eventos dedicados à comida possuem. Em dois dias de pesquisa, mapearam mais de 300 festas do tipo – a festa da uva, do milho, da polenta, do boi no rolete… Em Atibaia, a festa do morango, que já foi o quarto evento a atrair mais visitantes de fora do estado de São Paulo, é realizada às custas dos próprios organizadores. “São festas extremamente carentes, de dinheiro e estrutura. As indústrias podem contribuir muito participando desse movimento, não só financiando, mas levando chefs, ajudando na comunicação, entre outras milhões de possibilidades”, afirma Lena.

A Salsada sabe que escolheu um papel difícil. Mas acredita que a comida possui um papel fundamental na construção da nossa identidade e que as cadeias de produção dos alimentos têm um enorme impacto político, social, econômico e cultural. “As pessoas estão começando a entender que não adianta ignorar o que você come”, diz Lena. “As coisas vão melhorar quando mudanças começarem a ser feitas. Temos bastante trabalho pela frente, mas falar sobre isso é o primeiro passo”.

Beijos,

– INSPIRE-SE NO ESTILO DO ROBERTO E DA LENA –

 

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