A fábrica fica em uma antiquíssima vila cuja fundação data de 1758, no Rio Grande do Norte, a 31 km de Natal seguindo rumo à Praia da Pipa. Sua população gira em torno de 43 mil habitantes – desses, grande parte trabalha na capital. O município já foi um dos mais poderosos do estado: durante o século XIX ali estavam instalados 35 engenhos de cana-de-açúcar. Um pouco desse passado de glória ainda pode ser vislumbrado em algumas construções espalhadas pela cidade.

Desde que assumiu a direção da confecção potiguar, o jovem presidente e filho do fundador tem implantado novas técnicas e processos de trabalho que mudaram não só a produção como também a qualidade de vida dos 130 funcionários da empresa. Uma das inovações gerenciais foi simples, porém, eficiente: transformar cada etapa da feitura de uma peça em células com equipes que se diferenciam pelas cores das camisetas que vestem – verde (gola e punho), laranja (preparação), azul (montagem), rosa (embalagem) e amarelo (supervisão). “Com isso os supervisores ganharam autonomia e o respeito da equipe e cada um ficou responsável por cumprir sua própria meta”, explica o presidente.

Em sua fábrica de 1.400 m², a fábrica produz mensalmente 20 mil camisas em quatro modelos diferentes. Há para a cinco anos desenvolve produtos Reserva – hoje a sua principal cliente. Entre 2015 e 2016 a produção cresceu cerca de 70%. O investimento também passa pela infraestrutura: atualmente a parte elétrica está sendo renovada e há o projeto de instalar uma estação de tratamento de água e uma lavanderia. “Temos possibilidade de dobrar a produção e contratar até 600 funcionários”, calcula o presidente. Ele fala com orgulho das melhorias sociais introduzidas: já implementou a cesta básica e agora está tentando viabilizar um plano dentário. A preocupação com o staff é profissional, mas tem um que de afetivo. “Todos os funcionários foram formados aqui e muita gente está desde o começo. ”

Quem ajuda a fazer

Andréia Carla, 37 anos, encarregada da preparação. Natural de Nísia Floresta, a poucos quilômetros da fábrica, Andréia teve seu primeiro contato com o mundo têxtil na filial da Sulfabril, na cidade vizinha de Parnamirim. Quando a empresa fechou as portas, ela foi trabalhar como camareira e barwoman em pousadas de Barra do Tabatinga. Também tentou abrir um mercadinho, mas não foi bem-sucedida na empreitada. Nessa toada, só parou de trabalhar durante alguns anos para cuidar dos filhos, Ana Letícia e André Lucas, hoje com 14 e 6 anos, respectivamente. Não demorou muito, porém, para voltar ao trabalho. “Gosto de ser independente e ter meu próprio dinheiro”, explica. “Gosto de ser independente”, diz.

Edmilson Cassiano do Nascimento, 23 anos, encarregado da lavanderia. Natural da turística Tibau do Sul, Edmilson se mudou em 2010, quando se casou com Rosângela, – “nos conhecemos em um show da banda Limão Com Mel”, lembra. Há quatro anos trabalha na empresa. Aproveita as horas de descanso, aos sábados e domingos, para abrir seu salão de cabeleireiro masculino, onde, além de cortes de cabelo, faz barba e sobrancelha. Homem faz as sobrancelhas? “Claro que faz! Eu mesmo faço a minha”, responde Edmilson na lata.