Caique Pegurier e o futuro do empreendedorismo

Quando pouco se falava em startups, incubadoras ou aceleradoras, o consultor Caique Pegurier já observava e estudava o empreendedorismo no Brasil. Ele mergulhou neste universo no ano 2000, quando se tornou mentor da Endeavor, uma organização de apoio a empreendedores de alto impacto criada por dois ex-alunos de Harvard que queriam levar o protagonismo americano nos novos negócios para as nações emergentes. “Nenhum país se faz sem empreendedor”, garante.

Caique acredita que vivemos um momento histórico, que será estudado pelos próximos séculos. “Estamos no meio de uma tempestade perfeita”, diz. “Vivemos uma revolução do modelo de como pensar negócio”. Para o consultor de startups, o momento de transformação é marcado pela chegada da geração Y aos 30 anos e aos cargos de gestão. Além disso, há quatro grandes forças importantes neste momento: as tecnologias móveis, que transferiram o poder das marcas e das empresas para os indivíduos; a capacidade de processamento, que está gerando a inteligência artificial; a miniaturização, que somada à conectividade possibilita tecnologias como implantes corpóreos; e a nuvem, que nos permite levar tudo para qualquer lugar.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

O que um empreendedor precisa olhar hoje para ter sucesso? Como coordenador do MBA em startup e novos negócios da Inova Business School, Caique ouve essa pergunta com frequência. A seguir, ele conta o que você precisa saber para criar algo inovador.

Inteligência artificial: sim ou sim
“Entramos na era da inteligência e pouca gente se deu conta disso. Nos Estados Unidos, inteligência artificial já virou verbo. Hoje você já tem capacidade de processamento, já colocou chip em tudo, agora é hora de colocar inteligência nas coisas. Em 2014, por exemplo, se começou uma conversa tímida sobre veículos autônomos. Um ano e meio depois, já se falava em transporte aéreo, aeronaves autônomas. Na próxima década vamos ver a adição de inteligência artificial a tudo. Quem não fizer isso tem data de expiração”.

A internet se transformou em uma intermediadora
“A internet nasceu ‘desintermediando’, ou seja, todos os modelos de negócio eram para excluir o intermediador. Você não precisa ir ao restaurante, eu te levo a comida. Não precisa ir à livraria, eu levo o livro na sua casa. Agora a internet volta a ser um intermediador porque estamos passando de um modelo de propriedade para o modelo de acesso. Você não compra mais a música, mas sim tem acesso a ela. Não tem mais um carro, tem acesso à uma solução de mobilidade urbana. O Uber é isso, assim como Airbnb e Spotify”.

Na era da informação, o importante é filtrar
“Nunca se teve acesso tão fácil a tanta coisa. Na internet, você pode ler os manuscritos do Mar Morto ou os originais de Platão em grego clássico. A quantidade de informação e o acesso aumentou de tal forma que surge outra força: o filtro. Tudo que filtra com inteligência tem um valor enorme. Por isso a Amazon há dez anos investe em algoritmos de recomendação. Porque ela não quer que você compre 10 livros que não vai ler, mas sim saber o que você quer ler. Essa informação é a coisa mais valiosa quando você não tem tempo de embarcar em todas as viagens, ir a todos os restaurantes ou fazer todas as coisas as quais tem acesso. Dizem que hoje a grande briga entre as grandes empresas do Vale do Silício (Amazon, Microsoft, Apple e Google) é quem será sua ‘recomendadora’. Todo mundo quer ser sua assistente inteligente”.

O mercado brasileiro é só o começo
“No país, não temos uma quantidade significativa de negócios que nascem pensando em mercados globais. Ainda predomina a tropicalização de modelos de fora, que precisam ser adaptados para as nossas complexidades. É válido, mas não é realmente inovador. Em Israel, o empreendedor já nasce querendo desafiar o Google. Aqui não se mira nem os mercados vizinhos, da América Latina, talvez porque há muita oportunidade dentro do nosso mercado. Precisamos de empreendedores que criem negócios que tem em seu DNA potencial para serem globais”.

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