Andrea Bisker e as tendências da inovação

Andrea Bisker tinha 23 anos quando convenceu as três colegas que trabalhavam com ela em uma empresa de marketing a largar os empregos para empreender. A parceria só durou três anos, mas a vontade de começar algo novo ficou guardada. Quase uma década depois, a publicitária estava grávida do segundo filho quando foi convidada a trazer para o Brasil a operação da WGSN, serviço de previsão de tendências, análises e design no universo da moda. “Eles estavam buscando alguém que soubesse vender algo intangível na época, que era a informação – e não era barato”, conta. Não hesitou e aceitou o desafio.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Começou batendo na porta dos clientes para tentar convencer as empresas que elas economizariam tempo contratando um serviço que mapeava as tendências e os próximos movimentos da moda, podendo se antecipar a eles. A operação deu tão certo que, dois anos depois, em 2006, Andrea abriu outra empresa, a Mindset, para fazer o trabalho complementar de curadoria, com foco no mercado brasileiro. Depois de 11 anos à frente da empresa, a publicitária vendeu a representação e a consultoria para a holding da WGSN. Trabalhou mais dois anos como gerente de América Latina até se dar conta que estava gastando mais tempo em planilhas no Excel do que tendo ideias. Aos 50 anos, depois de um período sabático, ela acaba de trazer para o Brasil a Stylus, uma plataforma inglesa de tendências e inovações que rastreia os movimentos, as expressões e o que está acontecendo no mundo em diferentes áreas. A seguir, ela conta as lições que aprendeu nessa caminhada.

Pensar fora da caixa é um exercício
“Sabe aquela cena final do Matrix, quando o personagem começa a enxergar tudo? Ele desenvolve uma inteligência para ver e escutar as coisas de uma forma muito além. Esse olhar é uma coisa que você pode desenvolver. Um olhar para observar padrões, observar o mundo. Como você inova? É o mind the gap, conseguir criar o que ainda não está no mainstream, algo diferente. E você faz isso desenvolvendo seu olhar para as coisas novas, que não existem ou que ainda estão entre os inovadores. Pensar fora da caixa é uma metodologia e pode ser treinada”.

Enxergue as oportunidades
“Para criar algo é preciso entender o que o mercado está precisando. A Mindset foi criada a partir de uma demanda do cliente. Eu tinha um produto, ele pediu outra coisa e falei: vamos desenhar juntos. É preciso ter abertura para enxergar as oportunidades e não ter medo de abraçar, mesmo que às vezes isso signifique trocar o pneu enquanto o carro está andando. Existem muitas fontes para olhar e entender o que vem pela frente. O TED, as startups que estão sendo criadas e até as plataformas de financiamento coletivo, como Catarse e Kickstarter, que mostram o que a galera está lançando, buscando”.

Tenha coragem para fazer coisas novas
“Não existe receita perfeita para um negócio, então é preciso ser corajoso para testar coisas novas. Fazer uma, duas, três vezes até ganhar experiência e formatar bem o seu serviço e a solução que você está empregando. Mesmo no mundo maluco que vivemos hoje, é preciso fazer as coisas sem afobação”.

Escolha as pessoas que você vai ter ao seu lado
“Um dos grandes aprendizados que eu tive foi que você precisa combinar bem as regras com seus parceiros porque no começo tudo é lindo, mas fazer trocas faz parte. É importante escolher bem as pessoas que vão estar com você e também cuidar da sua rede, do seu network. Sozinho você não vai a lugar nenhum. Na WGSN e na Mindset eu tinha 40 funcionários. Essa é uma coisa engraçada. Ter funcionário era símbolo de poder e grandeza. Hoje eu quero parceiros. Prefiro ter gente trabalhando comigo e não para mim”.

Desconecte-se
“Às vezes eu tenho um pouco de FoMO: fear of missing out. Mas estou tentando ser mais JoMO, que é o joy of missing out. Para poder estar conectada a tudo que está acontecendo, é preciso desconectar. O mindfulness é olhar para dentro, fazer um retiro espiritual para atingir um nível de consciência muito maior”.

Faça o que você gosta
“Quando tem amor e afeto, é muito mais gostoso. A coisa mais importante de todas é fazer algo que te completa”.

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