Beatriz Bouskela, do Catarse: o empreendimento de milhares de empreendedores

Desde que foi lançado como a primeira plataforma brasileira de financiamento coletivo, em 2011, o Catarse já movimentou 68 milhões de reais, que viabilizaram mais de 5 mil projetos. Tudo isso financiado por 400 mil apoiadores – só no ano passado, as causas mobilizaram 134 mil pessoas, 105 mil delas pela primeira vez. Em 2016, foram arrecadados mais de 16 milhões de reais. São números impressionantes para o negócio que, há seis anos, começou com uma ideia e cinco projetos pedindo contribuição de pessoas que nunca tinham ouvido falar em crowdfunding. “A gente fala que é mais sobre crowd do que sobre funding, já que com pequenos apoios de muitas pessoas é possível viabilizar um projeto”, diz Beatriz Bouskela, diretora de operações do Catarse. Na linha de frente de uma operação que viabiliza a ideia de milhares de empreendedores, ela conta as lições que aprendeu nos últimos anos – e, é claro, aponta o que é importante saber antes de tentar financiar um projeto pela plataforma.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Ouvir as pessoas, sempre

“Temos uma cultura muito forte de escutar o que as pessoas querem. Dentro do Catarse existe uma área de relacionamento com a comunidade que faz o trabalho de entender as principais dificuldades e necessidades de quem usa a plataforma, tanto realizadores quanto apoiadores. Para melhorar seus processos, a principal forma é estar sempre dialogando com a comunidade, entendendo a maneira como as pessoas estão interagindo e buscando uma melhoria contínua”.

Estar à frente das mudanças

“O grande desafio é conseguir ver para onde as coisas estão caminhando. A gente sempre fala que não quer ser a plataforma ideal de ontem, mas sim a plataforma ideal de amanhã. É preciso olhar o que está acontecendo no mundo, quais são as tendências e tentar estar um passo à frente. Não dá para ficar sempre correndo atrás de coisas que já eram para terem sido feitas. Em uma empresa de tecnologia isso é ainda mais forte porque vivemos hoje uma velocidade de atualização que nunca foi vista. Então é tentar sempre entender como as pessoas estão interagindo, onde elas estão e como estão se engajando para gerar as transformações que a gente quer”.

Entender as particularidades do mercado

“Não basta pegar o Kickstarter [maior plataforma de financiamento coletivo do mundo] e reproduzir aqui. É preciso construir uma coisa que faça sentido no contexto brasileiro. Aqui funciona de outra forma e as pessoas interagem de maneira diferente. Antes de mais nada, é importante pensar o que as pessoas estão buscando. O grande desafio do financiamento coletivo no Brasil foi que a gente teve que quebrar algumas coisas no começo. Não existia familiaridade com o modelo, com o pagamento online e mesmo com a doação. Aqui não existe tanto essa cultura quanto nos Estados Unidos”.

Usar o conhecimento a favor do negócio

“É importante ter uma cultura da transparência, de deixar que as pessoas aproveitem dos recursos internos. Há um tempo, deixamos de lado a curadoria dos projetos para fazer uma ponte e tentar trazer bons exemplos de campanhas. Em 2014, fizemos uma pesquisa para entender o que contribuía para que as pessoas interagissem com o financiamento coletivo e abrimos isso para toda a comunidade – para nossos concorrentes, inclusive. Entendemos que também é nosso papel ajudar esse conhecimento a se difundir e tentar fazer isso girar dentro da plataforma. Queremos unir as pontas. Deixar de ser o intermediário e conectar os realizadores com os apoiadores, fazendo com que a comunidade consiga se nutrir”.

O que é importante saber para viabilizar um financiamento coletivo no Catarse?

“É essencial transmitir com muita clareza o que é o projeto, qual o impacto e qual o propósito para que as pessoas se identifiquem com a sua motivação. Uma das coisas principais é a transparência e a comunicação constante do realizador com o apoiador do projeto porque é uma relação de confiança, de troca. A gente também estimula que a meta seja o mínimo em termos de orçamento. O projeto poderia ser incrível se tivesse 500 mil reais, mas qual é o mínimo para que aquilo de fato gere valor? Quanto maior a meta, mais pessoas precisam ser mobilizadas, e isso não é algo simples. O trabalho antes de lançar a campanha é um dos mais importantes, porque você precisa entender qual é o seu objetivo, a rede que vai ser mobilizada e a maneira como você vai se comunicar com seu público, que é uma coisa de empreendedorismo mesmo. Existe todo um trabalho de se colocar no outro e entender por que as pessoas vão querer participar disso. Querendo ou não, são pessoas que estão fazendo um pagamento, mesmo que seja 10 reais. É um nível a mais de engajamento, não é só dar um like. Existe essa responsabilidade de que seu projeto está sendo coproduzido”.

– INSPIRE-SE NO ESTILO DA BEATRIZ

 

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