Renan Serrano, da Trendt: moda com propósito

Fala galera,

Chamado de hacker da moda por sua busca constante para inovar, desconstruir e compartilhar, Renan Serrano é o rosto por trás da Trendt. E pela frente também. É ele quem atende e recebe os clientes na sala onde expõe suas peças na House of Bubbles, em São Paulo. A marca criada em 2011, conhecida por suas roupas sem gênero e atemporais, desistiu da produção em escala para estabelecer uma relação mais próxima e colaborativa com os consumidores. Se há dois anos Renan produzia 100 peças por mês para vender em lojas multimarcas, hoje ele confecciona menos de uma centena por ano. Assim pode levar os valores da marca mais longe e fazer as transformações que propõe para pensar a moda de uma maneira mais consciente. Como a conversa com cada cliente é feita por ele, o processo da compra não é imediato. Do momento da encomenda até as roupas ficarem prontas são cerca de três meses, tempo que evita o consumo por impulso.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Foi em uma viagem ao Japão, em 2015, que o estilista decidiu mudar radicalmente o modelo da Trendt. Ele queria estabelecer uma relação mais horizontal na estamparia que herdou do pai, onde também produzia suas peças. Abriu mão da fábrica, entregou o negócio aos funcionários, deixou de ser dono para virar cliente e transformou sua marca na figura dele mesmo. “Eu vejo muita marca de moda nascendo e morrendo. Eliminando o custo fixo, eu acabei com a chance da Trendt morrer”, explica.

Na busca por um espaço de coworking para trabalhar, encontrou abrigo na Flag, onde participou de projetos com Marina Abramovic, Fila e Adidas. Nesse ano, outra marca foi atrás de sua pesquisa e experiência com novos materiais e tecnologias. Ele foi convidado pela Olympikus para criar a camisa mais vitoriosa de todos os tempos de Bernardinho, que comandou a seleção brasileira de vôlei por duas décadas. Renan destruiu todas as camisetas usadas pelo técnico quando o time sagrou-se campeão e usou as fibras para confeccionar uma peça em sua homenagem.

Um dos projetos mais inovadores de Renan nasceu do esforço de estimular o consumo consciente aumentando a durabilidade das peças que usamos. No ano passado, ele lançou o Biosoftness, um amaciante que inibe o crescimento de bactérias e fungos nos tecidos, permitindo que as roupas permaneçam limpas e cheirosas por mais tempo. “A água de São Paulo está escassa e estamos gastando litros para lavar roupas”, diz. “Ao invés das pessoas comprarem uma peça nova o tempo todo, tentei encontrar uma maneira de fazê-las não envelhecer”. Vencedor do prêmio Ecoera 2016, o projeto recentemente levou 150 mil dólares numa premiação para startups no Hacktown – e se dispôs a compartilhar parte deste valor com pessoas interessadas em desenvolver novas ideias com essa tecnologia.

Assim como Renan, a Trendt está em constante transformação. As criações são fruto de uma pesquisa contínua para pensar a moda com propósito, e não só como design. Ao invés de copiar modelos ou seguir tendências que mudam a todo instante, ele quer entender o que as pessoas precisam. E, é claro, compartilhar isso com o mundo.

beijos,

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