Lourenço Bustani, da Mandalah: as relações são a alma do negócio

O “h” no nome da Mandalah não é por acaso. Ele representa o olhar humano que Lourenço Bustani quer levar para as empresas, mostrando que elas podem promover impactos positivos sem deixar de gerar lucro. “A gente entendeu que se os nossos clientes enxergassem os consumidores como seres humanos, inclusive a partir de coisas que os aproximam, e não os distanciam, os produtos, serviços e experiências criadas para essas pessoas estariam mais alinhadas com as reais necessidades e carências”, explica.

Quando a Mandalah abriu as portas, em 2006, o mercado ainda era resistente à essa ideia. Muita coisa mudou nesses onze anos, assim como a consultoria. Há sete anos, eles cunharam o termo inovação consciente, que qualifica a tentativa de conciliar a busca pelo lucro pela busca por propósito. “A gente não queria fazer o novo pelo novo, mas sim entendendo como aquilo pode melhorar a vida das pessoas. Isso é inovador”, diz Lourenço. A seguir, ele conta o que aprendeu na década que passou estudando o comportamento humano – dentro e fora das empresas.

lourenço bustani da mandalah

Fotos: Thays Bittar | Reserva

As pessoas estão no centro das transformações

“A transformação se dá através da qualidade das nossas relações, seja lá qual for a pauta, projeto ou agenda. Tanto que existem projetos incríveis que não vão para frente porque as pessoas não se entendem, não sabem colaborar nem compartilhar. Conversar nem sempre é fácil, mas na verdade é o único canal que você tem. Não existe outro jeito de criar as condições para uma mudança comportamental, uma mudança em termos de visão de mundo. Eu venho aprendendo que a energia deve ser colocada na forma como as relações se dão. O resto acontece por si só”.

Empresas podem mudar, e devem

“Eu vejo a transformação como uma questão de sobrevivência. É uma sintonização fina que você faz recorrentemente para garantir que está respondendo à um chamado planetário. Os tempos urgem para algum tipo de atitude, então se você não está conectado com esses movimentos talvez você esteja desperdiçando energia. A Mandalah é um reflexo das pessoas que trabalham nela e isso vai reconfigurando um pouco o DNA da empresa. Existe uma essência, mas acho que vamos sentindo o que está acontecendo à nossa volta, o que está emergindo de nós mesmos, de talentos, inquietudes, e vendo a alquimia que se cria disso”.

O que vale é a intenção

“O que faz algo ser verdadeiro é a intenção que está por trás. Se vem do coração, se é bem-intencionado, se tem um bom preparo por trás daquilo, vale a pena. Se a gente consegue extravasar o que tem de melhor dentro de nós, não apenas em termos de boas intenções, mas também de talentos, aptidões e dons, necessariamente essas são as coisas que deveriam ser apresentadas para a sociedade. O resto está um pouco fora do nosso alcance e se a gente foca nisso fica correndo atrás da onda perfeita. Acho que o que faz uma inovação ou uma criatividade ter força é a verdade que está por trás dela”.

lourenço bustani da mandalah
Não deixe de olhar ao redor

“Certamente não damos valor à vida como deveríamos. Isso se vê a partir da qualidade das relações que a gente tem, com nós mesmos, com as pessoas à nossa volta e com o planeta do qual dependemos para sobreviver. Na hora em que você resgata um pouco desse milagre que é estar vivo, todas as suas relações ganham um novo significado e você passa a querer nutri-las e regenerá-las com mais zelo. E é basicamente isso que tentamos fazer aqui na Mandalah: cuidar das nossas relações e atuar nas relações de mercado que estão doentes, tentando trazer uma outra energia para que elas sejam relações que geram bem para todos, não só para alguns em detrimento de outros. Acho que é esse encantamento e a possibilidade de poder tomar as rédeas da nossa vida que acaba inspirando o nosso trabalho. Saber que podemos fazer a diferença e honrar essa possibilidade”.

Boas mudanças se espalham

“É uma característica humana, as coisas transbordam por osmose. O mundo está tão globalizado que as coisas reverberam numa velocidade ímpar. Algo que acontece aqui pode inspirar algo que acontece do outro lado do mundo. A informação é trocada e as pessoas aprendem umas com as outras. A gente vive em rede, as conexões dentro dessa rede estão cada vez mais ativadas, então qualquer coisa que você jogar para dentro do sistema vai espalhar mais”.

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