Nathalia Inada e Roberto Matsuda, do Fruta Imperfeita: para não comer com os olhos

Fala galera,

Nas gôndolas do supermercado, os tomates são do mesmo tamanho, as maças têm cor semelhante e os pepinos possuem o mesmo formato. Mas o que acontece com as frutas e legumes que não nascem assim? Elas raramente saem dos sítios onde são produzidas, já que os clientes só querem comprar os produtos mais bonitos. Para evitar o desperdício dos alimentos que não estão no padrão do mercado, mas que são tão saborosos quanto os outros, os engenheiros Nathalia Inada e Roberto Matsuda criaram o Fruta Imperfeita. A empresa reúne os produtos que seriam descartados e monta cestas de frutas e legumes que são entregues por São Paulo. Um tomate cereja que cresceu demais, uma banana menor que o comum, duas cenouras que nasceram grudadas… Todos eles têm vez nas mãos do casal.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Roberto e Nathalia descobriram o problema dos alimentos imperfeitos em uma conversa com um pequeno produtor de milho no interior do estado. Toda sua safra era vendida em bandejas em uma rede de supermercados. No entanto, mais de 15% dos milhos não eram do tamanho adequado para a embalagem e acabavam no lixo. “Quando ouvimos isso pensamos: aí está um grande problema e também uma grande oportunidade”, conta Roberto. “Percebemos que as pessoas não sabiam que existiam esses produtos e, além de ajudar os agricultores, tínhamos que conscientizar os consumidores”.

“Não estamos vendendo frutas, mas conscientização. Chamamos as pessoas para um movimento e temos que tocá-las com a causa”

Em novembro de 2015, Roberto e Nathalia reuniram um grupo de pequenos produtores, criaram um site e começaram a entregar pacotes com frutas imperfeitas para os vizinhos no bairro do Jabaquara, onde vivem. “Algumas pessoas ligavam perguntando se vendíamos frutas estragadas”, conta Nathália. “Começamos a ir na academia da rua e em outros lugares para falar sobre o problema do desperdício e mostrar que estávamos oferecendo uma opção”. Três meses depois, eles entregavam cerca de 100 cestas por semana no carro da família quando o Fruta Imperfeita virou notícia na imprensa. Foram mais de 5 mil pedidos em um só dia. A demanda foi o pontapé que faltava para o casal apostar de vez no projeto.

Para continuar comprando apenas de pequenos produtores por um preço justo e vender cestas mais baratas que a média do mercado, eles criaram um esquema de entrega que atende cada região em um dia da semana. Hoje mais de 4 toneladas saem toda semana do galpão do Fruta Imperfeita e seguem para as casas de 900 clientes. Com a operação mais estruturada, eles planejam em breve atender mais de 2 mil pessoas. Crescer sem deixar de lado o propósito é o desafio do casal, que já impediu que 300 toneladas de alimentos fossem desperdiçadas. “Não estamos só vendendo frutas, mas sim conscientização”, afirma Roberto “Chamamos as pessoas para um movimento e temos que tocá-las com a causa”.

Ao assinar o Fruta Imperfeita, é possível escolher entre diferentes tamanhos de cestas e o conteúdo varia de acordo com a sazonalidade das frutas e legumes. Há a opção de elencar os alimentos que você não gostaria de receber, afinal, evitar o desperdício é a máxima do projeto. E parece que os clientes abraçaram a ideia. Recentemente, eles pediram que as caixas de papelão usadas nas entregas fossem devolvidas para serem reutilizadas, sem qualquer bônus financeiro. O resultado? Mais de 70% foram retornadas. “Muita gente fala que não tinha ideia da quantidade de alimento que era desperdiçado”, diz Roberto. “As pessoas nos contam que agora, quando vão ao supermercado, procuram o produto mais feinho para levar para casa”.

beijos,

– INSPIRE-SE NO ESTILO DE ROBERTO E NATHALIA

 

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