Bruno van Enck, da Barbearia Corleone: lições de um negócio afiado

Desde que abriu as portas da primeira loja da Barbearia Corleone, no Itaim Bibi, Bruno van Enck é parado na rua por clientes que descobriram um novo prazer. “Eles me dizem que cortar o cabelo era uma coisa penosa e hoje é uma experiência”, conta. “Você pode tomar uma cerveja diferente, comer um hambúrguer, bater um papo, encontrar um amigo que não vê faz tempo… Se transformou em um programa, e não uma necessidade”.

Influenciado pelo pai, que há três décadas comanda a Cervejaria Munique, na zona norte de São Paulo, Bruno sempre quis montar um negócio diferente. Em 2014, abriu a Corleone com um bar com mais de 400 rótulos de cerveja, comidinhas e três cadeiras de barbeiro. A aposta deu tão certo que ele vai terminar o ano com quatro lojas e 40 cadeiras. Para levar o estilo Corleone ainda mais longe, desenvolveu uma linha de produtos para homens vendida em 500 pontos espalhados pelo país. Mas o crescimento do negócio não fez Bruno se afastar da linha de frente. Vendedor por profissão, como se define, ele está todos os dias em uma das unidades da barbearia atendendo os clientes e pensando em novas maneiras de inovar. A seguir, Bruno conta como transformou uma boa ideia em uma marca de sucesso.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Apostar no novo

“Mais do mesmo já existe demais em todas as áreas. O mal da nossa geração é achar que o cara é brilhante nos negócios quando tem uma boa ideia. Se ele não executa, a ideia não é boa. A primeira lição do real empreendedorismo é arriscar e fazer uma coisa que não existia. Eu tinha muita vontade de construir algo do zero. Na época, todos os meus amigos arriscavam só naquilo que era muito certo. Não abri a barbearia porque era um bom negócio, até porque não tinha referências. Eu abri a Corleone porque tinha muita vontade de criar algo e não só seguir uma receita de bolo”.

Buscar inspiração sem deixar de criar

“Quando eu resolvi fazer uma barbearia e comecei a pesquisar na internet, percebi que Nova York era o único lugar no mundo onde as barbearias não eram mais aquela coisa antiquada, onde você vai e tem um velhinho cortando cabelos há gerações. Coloquei uma mochila nas costas, peguei um voo e fui para lá. Tirei foto, comprei decoração e trouxe muitas referências. Com base nisso, resolvi criar a minha própria fórmula”.

Manter-se perto do negócio

“Eu quero ter uma marca que possa ser replicada, mas isso não significa abrir franquias pelo Brasil inteiro. A estrutura que eu tenho hoje permite que eu use meu tempo da maneira que eu julgo mais útil: estar todos os dias no salão de pelo menos uma ou duas barbearias, sentindo qualquer problema e perto dos meus funcionários, até porque são eles que atendem meu cliente final. Se eu conseguir conversar todos os dias com pelo menos 20% dos clientes que entram pela minha porta, tenho certeza absoluta que consigo manter a excelência no meu atendimento”.

Personificar a marca

“Marcas são pessoas. Elas precisam ter um líder, alguém em quem acreditar e confiar. E também para reclamar quando não está bom. Você quer ódio maior do que as pessoas sentem por operadoras de telefonia? Às vezes você só queria falar com alguém que diz: meu nome é tal e eu vou resolver o seu problema. Eu tenho certeza que o dia em que eu não estiver mais à frente das barbearias vai haver uma queda significativa no faturamento”.

Planejar alto

“Você não pode traçar seus planos para se manter no mesmo lugar. E se no meio do caminho vem uma crise política, uma crise econômica ou fizerem uma obra na sua rua? Se você tiver planejado crescer e inovar e houver um imprevisto, pelo menos você continua no patamar em que estava. Esse é segredo. Sempre planejar muito além do que você quer, mantendo os pés no chão”.

Trabalhar é preciso

“Não há outra forma de sucesso senão o trabalho. Arregaçar as mangas, acordar cedo, dormir tarde, não tem jeito. Você só vai conhecer muito bem seu trabalho se estiver o tempo todo nele. A Corleone vai durar quanto tempo eu levar a sério meu trabalho, buscar inovação, tratar bem os meus clientes, cuidar da minha brigada. Não tem segredo. O trabalho não tem segredo. Se o sonho de alguém é ter um negócio, que faça muito bem feito até o final. Depois você tira férias”.

– INSPIRE-SE NO ESTILO DO BRUNO

 

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