Pablo Handl, do Impact Hub, e as dinâmicas da inovação

Quando abriu as portas do Impact Hub São Paulo, em 2008, era difícil explicar o que significava um espaço colaborativo para criar negócios inovadores que tivessem um impacto positivo. “Percebi que empreendedores não tinham habitat”, conta Pablo Handl, cofundador e diretor executivo. “Negócio social e capitalismo consciente eram palavras que nem existiam, um linguajar que a gente tinha que descrever”. A empresa, que foi a primeira experiência de internacionalização da rede britânica que hoje está em mais de 100 cidades, funciona tanto como um coworking e uma comunidade de empreendedores quanto como uma ativadora que conecta pessoas ou marcas a causas. É assim que Pablo se define: alguém que costura relações, projetos e dinâmicas. A seguir, ele conta o que aprendeu articulando inovadores por mais de uma década.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Empreender é uma carreira

“Muita gente percebeu o empreendedorismo não como necessidade, mas como opção de vida. As pessoas se deram conta que dá para viver disso, seja empreendendo ou participando de uma startup. E essas possibilidades mostraram que não precisa esquecer a vontade de deixar um legado. É possível fazer negócios e conectar-se com a causa que te mobiliza. Não estou falando só de projetos sociais. Mas cada um tem uma causa. Às vezes parecia que você tinha que deixar a emoção em casa para ir para seu emprego. E com o aumento dessa autonomia eu comecei a ver que podia levar isso junto. O futuro é levar o seu ser como um todo para o trabalho. O para que e o por que têm que estar vibrando junto. O salário faz diferença, mas não é tudo”.

Cultive as relações

“Você nunca sabe como as relações vão se desdobrar. Hoje você pode ter uma conversa informal com alguém e de repente amanhã trabalhar com ela em um projeto. Não qualifique as relações por sua utilidade, mas pelas causas que vocês compartilham. Isso pode se desdobrar em inúmeras possibilidades. Se você já vai com uma visão do que você quer dessa relação, é muito limitado. Hoje a pessoa tem um papel, é funcionário de uma grande corporação, mas amanhã pode ser um investidor. A pergunta é: o que ela tem além do cartão de visita? Como ela chegou até aqui? Como eu posso contribuir para essa jornada? Independentemente de estar com o chapéu empresa ou pessoa física. Se você gera uma relação de igual para igual, pode dar em nada ou em tudo”.

Comece logo

“Uma das maiores dificuldades para empreender é a incerteza financeira, mesmo que hoje exista um ambiente mais fértil. O melhor é começar muito cedo porque quanto mais jovem a gente é, menos dinheiro precisa. Depois que tem dois ou três filhos, dá mais medo. Outra questão é a inércia. Você abre o caminho caminhando. Existe uma forma de planejar que é ativa. Tem que criar tempo na sua vida para articular, caminhar, dar passos. Empreender com um emprego fixo é mais difícil, mas já se mostrou que 70% dos empresários bem-sucedidos tiveram a ideia enquanto trabalhavam em grandes empresas. O importante é ir a campo, conhecer pessoas, ver o problema que a gente quer resolver. Se precisar, abre a agenda em paralelo à sua vida e faz uma maratona. Achar tempo é fundamental”.

A execução é mais importante que a ideia

“A jornada de uma ideia passa por muitos lugares. Ela se transforma tantas vezes e passa por tantas mãos que a hora de se manifestar como negócio ela não é mais aquela primeira ideia. Isso é bom e ruim. Bom porque vai se adaptando para o que tem aderência no mercado, o que é importante. Ruim porque você não pode perder o motivo pelo qual você começou. É importante manter isso integrado. Mas não tenho dúvida de que a ideia, comparado com a execução, tem muito menos valor. As ideias estão ali, circulando o tempo todo, cada vez mais. Uma ideia não vale nada se não colocar em prática. O que vale é quando ela começa a criar corpo, consistência, engrossar o caldo…”.

Busque caminhos para desenvolver um negócio

“O primeiro passo é decidir qual ideia você quer abraçar e esboçar um modelo de negócio. Se você ainda nem conseguiu chegar nesse lugar, existem programas que ajudam os empreendedores a desenvolver suas ideias. Aceleradoras ou incubadoras ajudam a dar aquele start inicial e há cursos que ensinam a transformar a ideia em um negócio. O segundo passo é ir para lugares como o Impact Hub para conversar com alguém que dê um feedback e aponte alguns caminhos. Depois precisa entender quem já está fazendo isso e começar o benchmark. Mapear, ver quais os possíveis concorrentes, aliados, fornecedores e conversar com as pessoas. E pode abrir o jogo. Você ainda está na ideia”.

Encontre bons aliados

“A capacidade de achar um sócio é algo bem importante. Cada vez mais eu vejo negócios que deram certo porque tiveram um sócio muito legal desde o início. A maioria dos negócios que vejo hoje e estão brilhando são duplas e trios. Não é algo que você precisa encarar sozinho. A própria pesquisa pode ser um caminho para achar um bom sócio. Mas essa busca tem que estar no seu radar “.

Não desista no primeiro projeto

“Empreender é uma maratona. São ciclos longos, então você precisa começar a ter um horizonte maior. Se você pensar só como um projeto de um ano, vai desistir se ele não der certo. Conheço pessoas que criaram a primeira startup, não deu certo, mas decidiram ficar nesse campo, seja como empreendedor ou colaborador. É preciso olhar muito mais como carreira do que como um projeto, porque você não sabe se vai dar certo. São muitos fatores que vão influenciar. Você tem que planejar ficar por um bom tempo e ter fôlego”.

Nem tudo é lucro

“O que a gente aprende na escola de administração clássica é que o mais importante é margem, ou o lucro de cada projeto. Eu aprendi a importância de um fluxo financeiro. O importante é quanto entra, não importa se você gasta tudo isso de novo. É a receita que te possibilita contratar e mobilizar gente. O valor não é o que sobra. Por isso hoje as grandes empresas falam em faturamento. É o que mostra sua capacidade de geração de valor para a sociedade, como se fosse um espelho de tudo aquilo que você está fazendo”.

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