Jackson Araujo e a moda além da roupa

Fala galera,

A moda chegou cedo à vida do jornalista cearense Jackson Araujo. Desde pequeno, ele assistia ao trabalho da mãe costureira e se debruçava sobre as revistas que chegavam em sua casa. Nas mais de três décadas que dedicou a estudar esse mercado e sua importância na construção da identidade, Jackson percebeu que a moda vai muito além de uma peça de roupa. “A moda para o novo mundo, como eu chamo, não é deixar de consumir, mas consumir com qualidade, propósito e vontade de transformar”. Nos últimos anos, o consultor e analista de tendências se propõe a espalhar um entendimento da moda como micropolítica de transformação.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Para Jackson, a moda é a senhora do tempo, a narrativa que conta a história de cada momento. No início da década de 90, quando chegou à São Paulo com um diploma de comunicação nas mãos, a cena underground crescia na cidade. A moda ainda era um assunto restrito à coluna de fofocas quando entrou no jornal Folha de S. Paulo para trabalhar com a jornalista Erika Palomino. Ele se orgulha em ter participado do processo de colocar o assunto sob a luz do comportamento, da cultura e da economia. Foi premiado como crítico pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção e por 15 anos trabalhou com o estilista Lino Villaventura. Em 2007, transformou o olhar de caçador de tendências em profissão quando foi convidado pela Box1824 a analisar o comportamento de consumo na moda, trabalhando como consultor criativo.

“Ao consumir, você compra um passaporte para colaborar com um mundo que conecta pessoas que usam a moda como plataforma de transformação socioambiental”

Toda a experiência nesse universo e um problema de saúde que enfrentou em 2013 fez com que Jackson procurasse um novo viés de pensamento. “Eu me reinventei e percebi que não me interessa mais essa moda velha, que preza pela logomania, pelo luxo, pela ostentação e pelo consumo exagerado”, diz. “Decidi me dedicar a estudar processos mais sustentáveis, de construção colaborativa e preocupação socioambiental”.

Desde então, ele ajudou a desenhar um projeto de ressignificação do lixo têxtil, reutilizando matérias-primas que seriam descartadas e tecidos parados em estoque, além de mapear a nova identidade, os anseios e as relações de colaboração da juventude em Brasília e em Santa Catarina. No sul, foi consultor criativo da Santa Catarina Moda e Cultura, uma plataforma que aproxima a indústria têxtil às escolas de moda. No programa de educação profissional SENAI Brasil Fashion, Jackson propôs um viés criativo aos 24 alunos selecionados para prototipar uma coleção sob mentoria de estilistas como Villaventura e Alexandre Herchcovitch.

Este ano, o jornalista e consultor levou à semana de moda paulistana, o São Paulo Fashion Week, a discussão da representatividade negra nas passarelas, ao lado do estilista-ativista Victor Apolinario. “A gente diz que a hackeou o SPFW porque nunca ninguém discutiu esse tipo de coisa. Abrimos espaço para falar de beleza, pertencimento, classe social e empoderamento. Foi emocionante”, afirma. Para Jackson Araujo, o momento que vivemos não é uma tendência passageira, e sim uma mudança de ponto de vista. “Estamos discutindo uma moda onde a roupa não é o mais importante, e sim as pessoas”, diz. “Ao consumir, você compra um passaporte para colaborar com um mundo que conecta pessoas que usam a moda como plataforma de transformação”.

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beijos,

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