Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora: as donas do negócio

Quando foi selecionada para umas das 35 vagas do programa 10.000 Mulheres, do banco Goldman Sachs com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ana Fontes mal conseguiu comemorar. No primeiro dia de aula, descobriu que mais de mil mulheres tinham se candidatado. E as outras novecentas? Não teriam oportunidade de aprender a gerenciar seus negócios? Conciliando o curso com outros dois empreendimentos que tocava na época, ela decidiu dedicar suas noites para escrever tudo o que aprendia nas aulas em um blog. Pediu ajuda para as colegas da turma e começou a publicar lições como maneiras de lidar com o fluxo de caixa ou como divulgar melhor seu negócio. Em três meses, a Rede Mulher Empreendedora, como batizou o site, tinha mais de 10 mil seguidoras.

Seis meses depois, eram 50 mil empreendedoras se ajudando e respondendo dúvidas sobre negócios. “Eu entendi que as mulheres precisavam de apoio e a linguagem das instituições que existiam era muito teórica, consultiva e pouco próxima da realidade”, explica Ana. “Não adianta organizar um evento à noite se quem tem filho pequeno não vai conseguir participar. As mulheres sofrem mais porque têm que conciliar muita coisa”.

Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora

Foto: Thays Bittar | Reserva

A Rede ganhou apoiadores e descobriu sua vocação: ajudar as mulheres a prosperar em seus projetos para ganhar independência financeira e, portanto, poder de decisão. “Se ela tem seu dinheiro, não vai precisar ficar numa relação abusiva por dependência econômica, como acontece em muitos casos”, diz Ana. “Quando os negócios das mulheres dão certo, elas não investem nelas mesmas, mas sim na educação dos filhos e no bem-estar da família”. Sete anos depois, a Rede Mulher Empreendedora hoje apoia mais de 300 mil mulheres e organiza cafés com empreendedoras, palestras, capacitações e mentorias com 100 voluntárias que dispõem seu tempo para ajudar quem está começando.

Há três meses, Ana criou o Instituto Rede Mulher Empreendedora, um braço da empresa que foca na luta por políticas públicas que tornem mais fácil o caminho das mulheres que querer cuidar de seus próprios negócios. A seguir, ela conta o que aconselha às milhares de empreendedoras que fazem parte de sua rede.

O medo é natural

“O problema não é ter medo, é deixar ele te paralisar. A jornada para empreender não é fácil, então é preciso se fortalecer para conseguir enfrentar os obstáculos”.

Junte-se a outras pessoas

“Ninguém consegue fazer as coisas sozinho. Peça ajuda a quem está ao seu lado ou participe de redes e grupos de apoio. Isso é muito importante porque a gente tem mania de achar que está sozinha. Nos cafés com empreendedoras que organizamos, convidamos mulheres para contar seu aprendizados. Às vezes você vê algumas pessoas chorando na plateia. Quando eu pergunto o porquê, elas contam que achavam que só elas tinham passado por isso”.

Procure um mentor

“Encontre alguém que tenha mais experiência que você para ser uma pessoa de confiança, que possa te ajudar na hora em que bate o desespero. Às vezes você fica tão perdida que, se não houver alguém olhando de fora a situação, pode ser que você se sinta pior do que deveria”.

Não existe negócio errado

“O que existem são caminhos. Não pode olhar para outra pessoa e pensar: o negócio dela está melhor. A gente tem mania de buscar fórmulas mágicas, mas o caminho do fulano é um, o seu é outro. Fazer as coisas com amor, carinho e vontade parece bobeira, mas não é. Sempre te leva para um caminho bacana. Você tem que encontrar a sua vocação e não tentar ser igual a alguém.

Gestão financeira não é tão difícil quanto parece

“A linguagem das finanças é a linguagem dos homens. Se você procurar quem ensina o assunto ou quem faz os modelos financeiros, são eles. A dificuldade da mulher não tem a ver com capacidade cognitiva, mas sim com o jeito que ensinam finanças, que é um modelo masculino. Precisamos encontrar o nosso jeito de aprender. Se puder, procure uma mulher para te ensinar”.

Não perca sua essência

“As mulheres têm um olhar mais humano, mais colaborativo. Isso é uma coisa boa, não ruim. Mantenha sua essência, sempre”.

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