Marcos Piangers e Ana Cardoso: discutir o papel dos pais é punk

Fala galera,

Quando a filha Anita era pequena, o jornalista e escritor Marcos Piangers, autor do livro O Papai é Pop, minimizava as reclamações da mulher, Ana Cardoso, quanto às dificuldades em passar o dia cuidando do bebê. “Eu falava: quem me dera… Ficar com nossa filha pequeninha é fácil”, lembra Piangers. “O homem ainda pensa que está em 1950. Hoje a mulher está no mercado de trabalho, querendo se realizar fora de casa e ele chega falando: eu pago as contas, você está reclamando de barriga cheia!”. Também jornalista, com um mestrado em sociologia política e quatro idiomas no currículo, Ana achou um pesadelo largar a vida profissional e se tornar mãe em tempo integral. “É um trabalho invisível e, se o pai não experimenta, não vai enxergar nunca”, diz Ana. “Eu nunca tive o sonho de ser a mãe que fica em casa”.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Anita cresceu, Aurora veio em seguida e com elas nasceu um pai diferente. Piangers só é super-herói aos olhos de suas filhas. Na vida real, ele aprendeu errando – e ainda não parou nem pretende parar de errar. Mas quer contar para todo mundo como participar de verdade da criação de suas filhas mudou sua vida. “Sempre preparei todos os banhos da Anita, passeei, dei comida, mas tinha muito mais para fazer”, afirma. Ele começou escrevendo sobre as meninas e as experiências como pai para o jornal Zero Hora. Em 2015, foi convidado por uma editora para lançar um livro que reunisse algumas de suas crônicas. “O Papai é Pop” vendeu 2 mil exemplares na primeira semana e hoje já são 150 mil cópias comercializadas. No ano seguinte veio o segundo volume e a publicação de Ana, A Mamãe é Rock, que discute a maternidade real e a culpa que as mulheres sentem por não quererem ser mães como antigamente. Ambos foram parar na lista de livros mais vendidos e hoje o casal viaja pelo país dando palestras sobre o assunto.

“Quando um homem troca a fralda da filha, os amigos dizem que ele é um pau mandado, que está de babá”, diz Piangers.

Quando se dispôs a estar presente tanto quanto Ana, dividir as responsabilidades igualmente e ser o pai que falta no trabalho quando uma das meninas está doente, Piangers percebeu o quanto algumas tarefas são designadas às mulheres. Notou que os bilhetes da professora das filhas só vêm endereçados às mães e que o banheiro masculino, ao contrário do feminino, não possui trocador de fraldas. “Quando um homem troca a filha, os amigos dizem que ele é um pau mandado, que está de babá”, diz Piangers. “O livro é também para esse cara que estava intimidado e constrangido em fazer coisas que ele acha importante e que são prazerosas para ele, mas não encontrava referencial”.

Entre os dois milhões de fãs que o acompanham no Facebook, Piangers já recebeu depoimentos de pessoas que se reconciliaram com os pais, homens que repensaram a relação com os filhos e mães solo que se identificaram com suas palavras – como a sua, que o criou sozinha. Todas as semanas, suas postagens sobre paternidade e as histórias sobre as filhas são compartilhadas centenas de milhares de vezes. Com elas, ele espera que um dia não tenhamos mais que discutir a participação do pai na família. “O ideal é que a presença do homem participativo seja óbvia”, explica. “Meu maior interesse é acabar com a minha função, é tornar meu discurso obsoleto”, diz.

beijos

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