Barbara Soalheiro, da Mesa&Cadeira: como resolver qualquer problema em uma semana

“É impossível. Não que eu não consiga fazer, é que ninguém consegue”. Essa é uma frase que a jornalista Barbara Soalheiro já ouviu várias vezes quando explica a um novo cliente o que faz a empresa que desenhou em 2011. Em três, cinco ou sete dias, a Mesa&Cadeira resolve missões que as empresas levam até seis meses para solucionar sozinhas. O segredo? Reunir em torno de uma mesa, em uma imersão de até uma semana, os profissionais certos para pensar e executar uma solução. “O que torna isso possível é ir do começo ao fim do problema, todo mundo junto, com 100% do conhecimento e 100% das habilidades que você precisa para resolver aquilo”, explica. “Não existe essa coisa de ‘problema do marketing’. Existe o problema do negócio”. Isso significa que, em uma mesa, sentam-se lado a lado o desenvolvedor de um software e o CEO da empresa, além de outros convidados que tenham experiência para contribuir com a missão proposta. O resultado final não é um projeto, mas sim um protótipo.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Esse ano, o GNT levou à uma Mesa o desafio de criar um programa de moda relevante para a audiência jovem que assiste cada vez menos TV e que resolvesse um problema que os canais a cabo sofrem hoje: a falta de interesse em assistir o programa assim que ele vai ao ar, momento importante para os anunciantes. Em sete dias, o grupo de profissionais escolhidos a dedo pela equipe de Bárbara desenvolveu e prototipou o Desengaveta. No programa, celebridades desapegam de peças pouco usadas de seus armários e as roupas são vendidas online assim que o episódio vai ao ar. Na Mesa que executou o projeto estavam, além de profissionais do GNT, a blogueira Camila Coutinho e a idealizadora do Enjoei, Ana Luiza McLaren.

Se há dúvidas que o modelo funciona basta olhar para as 104 Mesas realizadas nos seis anos da empresa. Entre todos os protótipos desenvolvidos, apenas 7 ainda não foram executados nem estão em processo de implementação. A Mesa&Cadeira já criou campanhas para o Google, um e-commerce para a Coca-Cola e desenhou o posicionamento de marketing do novo Nescau, entre outros tantos projetos para empresas. Além de resolver as missões dos clientes, eles também organizam as chamadas mesas independentes, lideradas por profissionais inspiradores e que funcionam como cursos. Este ano, a empresa ganhou status de multinacional e abriu um escritório em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Barbara acredita que é possível resolver tudo em uma Mesa – até a reforma do novo escritório da empresa foi desenhada neste modelo. Como? Ela conta a seguir.

A estratégia vem da execução

“Quando você está no exercício de debater, seu cérebro é moldado para achar problemas. Quando você entra num momento de executar, de fazer, seu cérebro muda e entra no modo ‘achar solução’. Porque você tem que resolver. Nós acreditamos em fazer”.

Não adianta esperar pela certeza

“Às vezes as pessoas dizem: ‘mas eu quero uma pesquisa que me prove que essa decisão é a correta’. Não existe 100% de certeza hoje. A gente está em um mundo em que as coisas mudam muito rápido, então não adianta esperar por isso”.

Tomar decisões é essencial

“Decisão é bom, te leva para frente. A gente precisa ter mais coragem. Uma coisa que aprendemos na Mesa é que você tem que ser capaz de operar bem numa situação de razoável certeza. Se o oposto da vulnerabilidade é a segurança, em que você sabe tudo, você vai se sentir cada vez mais vulnerável. E tem que operar bem nesse lugar”.

Ouvir antes de saber

“Quando estamos falando de problemas grandes, achar que sabe a resposta te impede de aprender. O dia 1 de uma Mesa é só escuta para aprender tudo sobre o universo da missão. Os melhores resultados são de quem chega muito aberto, pronto para aprender e sugar toda a informação”.

Um problema é do negócio com um todo

“As pessoas continuam trabalhando em silos, principalmente em grandes empresas. Existe um problema do negócio, e não de uma área. Às vezes é o marketing que vai te ajudar, mas às vezes é o produto que você tem que mexer, a logística que precisa acompanhar uma mudança que você tem que fazer, e por aí vai”.

Nenhum jeito é melhor para aprender do que fazendo

“Quando você vai lá e escuta alguém no TED é super inspirador. Mas é bem diferente de você trabalhar com a pessoa, ver como ela resolve problemas, entender onde ela investe energia. A gente acredita que o verdadeiro aprendizado é quando você trabalha junto”.

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