Sylvio de Barros, fundador da Webmotors, e os segredos dos negócios na internet

Em 1995, a internet ainda era um território desconhecido. As empresas de telefonia estavam começando a oferecer o serviço de rede discada e o Internet Explorer lançava sua primeira versão quando Sylvio de Barros criou a página do Webmotors. Ele trabalhava no setor automobilístico e achou que a internet era um bom lugar para criar um catálogo de carros, já que o número de modelos vendidos no país aumentara exponencialmente com a liberação das importações no início da década de 90. O site se transformou, passou a intermediar a compra e venda de carros usados e se tornou um dos mais importantes portais brasileiros do setor. Há uma década, depois de vender a empresa para um banco, Sylvio criou o iCarros, um concorrente para seu primeiro negócio digital – que foi tão bem-sucedido que tomou a liderança do antecessor.

Depois das primeiras empreitadas, ele não parou mais. Criou o Arkpad, um catálogo digital de arquitetura, decoração e design, se tornou sócio do Minha Vida, um portal de saúde e bem-estar que reúne mais de 6 milhões de pessoas e faz parte do conselho da Magnopus, uma empresa americana de efeitos especiais e realidade virtual. Em fevereiro, decidiu voltar a trabalhar com o que mais gosta ao fundar a zFlow, uma startup que quer viabilizar o e-commerce automotivo e atuar em todas as etapas do processo de compra de um veículo. “O empreendedorismo vira um vício”, garante Sylvio. A seguir, ele conta o que aprendeu em mais de vinte anos mergulhado na internet.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Escolher bem com quem trabalhar

“Esse é o principal fiel da balança. Eu não entro em negócio bom com gente ruim, mas um razoável com gente boa pode dar certo. Precisa ser alguém em quem eu confie e que tenha uma história de sucesso – ou fracasso, porque o fracasso ensina mais que o sucesso. É importante ter gente muito boa próxima. E jovem! Porque o negócio digital precisa dessa energia de estar em contato com o público que já nasceu no digital. Quem nasceu antes disso consegue ver o potencial e o que essa revolução está fazendo, mas é importante também o outro lado. Além disso, as pessoas-chave da companhia têm que ser sócios com características complementares às suas. Eu sou muito sonhador, se não tiver alguém me segurando eu posso cair”.

Não perder a empatia

“No final das contas, o que essa revolução digital está fazendo é nos empurrando para sermos mais humanos. Mais do que nunca temos que ser criativos e ter empatia, que é o que nos emula das máquinas. Toda atividade repetitiva as máquinas vão fazer melhor que nós. Se olharmos em volta, vemos pessoas com comportamentos muito robotizados. Com o uso exagerado do celular, a gente vê um monte de zumbi. Ao invés de ter medo da máquina, vamos ter medo de virar a máquina. As coisas estão ficando automáticas e a gente tem que ser mais humanos que isso”.

Procurar oportunidade no que te atrai

“Carro é minha paixão desde pequeno e quando eu participo de corridas crio essa sinergia. Acabo fazendo um network e meu negócio se multiplica. Na hora de investir, eu sempre olho se tem alguma coisa perto de mim porque eu vou precisar me aprofundar no negócio, sentar lá, tocar e me divertir. O empreendedor de verdade está o tempo todo olhando oportunidade. Tem que ser natural, tem que ter prazer nas coisas que você faz”.

A internet não tem limite de tamanho

“Antes de começar um negócio, eu questiono se o segmento é importante e se consegue ter escala. A vantagem da tecnologia é que é possível escalar com baixo custo. O risco em um negócio digital é ter uma audiência gigantesca, mas não gerar valor. Como isso um dia vai virar business? A gente vê histórias como do Google e do Facebook, que deram super certo, mas é um percentual baixo. É muito de tentativa e erro. Tem negócios que parecem bons e acabam não sendo e vice-versa”.

Olhar para as cadeias que já existem

“A produtividade geralmente vem do meio digital. Na cadeia automotiva, que eu estudo, o concessionário tem que sobreviver com quase a metade das vendas de 5 anos atrás. Ele não vai conseguir se não reduzir o custo. E o meio digital é uma oportunidade, é uma forma de olhar onde há potencial para ir. Se existe a tecnologia e uma cadeia que vai precisar dela, se você não fizer, alguém vai fazer. A gente evita a história de que a pessoa precisa ter uma ideia muito revolucionária que vai destruir toda a indústria que está aí. Acredito mais em modelos como Airbnb, que usam a cadeia já estabelecida, o que foi criado, para gerar mais valor. As oportunidades estão na borda das cadeias atuais. Na história, todas as revoluções vêm aos poucos. Por mais que pareçam rápidas, as transições são lentas”.

O caminho é o da oportunidade

“Em um negócio digital, as mudanças são fundamentais. A empresa tem oportunidade de achar caminhos e ir ocupando espaço. É a diferença para um negócio físico. Claro que é preciso ter sempre um norte e um problema para resolver, para não ficar muito etéreo. Mas existe no negócio digital uma obrigação de ir se moldando de acordo com as oportunidades que aparecem. A gente está em um momento em que as coisas estão mudando muito rápido. A zFlow tem 8 meses e é totalmente diferente do que eu imaginava no início. O caminho foi mudando para onde a gente acha que a empresa deveria ir, um misto de oportunidade de receita e onde consegue gerar valor na cadeia”.

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