Camila Achutti e as mulheres na computação: igualdadedegenero.com

Fala galera,

No primeiro dia de aula na Universidade de São Paulo, ela olhou para o lado e percebeu que era a única mulher no curso de ciência da computação. Enquanto a maioria dos meninos tinha feito curso técnico e acompanhava os códigos que o professor escrevia na lousa, Camila Achutti tinha ido parar ali por influência do pai, também programador, mas nunca havia estudado o assunto. “Comecei a pensar se aquilo era normal e pesquisei na internet por mulheres na computação. Não achei nada em português”, conta. “Foi assim que nasceu o blog, da sensação de que da próxima vez que alguma menina tivesse esse problema a gente ia se encontrar, conversar e se ajudar”. Em março de 2010, Camila colocou no ar o Mulheres na Computação que, mais do que discutir assuntos relacionados à tecnologia, se tornou uma comunidade das mulheres que são minoria no mercado da programação. “Até hoje recebo emails relatando que uma faculdade, como tem a maior parte dos alunos homens, tomou a decisão de tirar o banheiro feminino”, diz. “Qual a chance de fazer essa menina se sentir parte disso?”.

Ela começou a falar no plural antes mesmo de se tornar plural. Leu e estudou sem parar para ganhar musculatura e questionar por que a área continua um clube do bolinha. “O primeiro ser humano que falou em programação foi a Ada Lovelace, uma mulher da aristocracia inglesa, e o wifi só existe por causa de uma atriz de Hollywood que era cientista nas horas vagas”, diz. “E ninguém conta essa história!”. Foi em um estágio no Google que fez no final da universidade, em 2013, que Camila percebeu que podia empreender com educação. “Descobri muito cedo minha função social de desmistificar a tecnologia”, diz. De volta ao Brasil, foi parar na capa da revista INFO em um especial para o dia das mulheres. Ela foi a primeira técnica a estampar a página da frente da publicação especializada em tecnologia – antes dela, só Dilma Rousseff e Sabrina Sato tinham sido retratadas.

Depois de um ano trabalhando no desenvolvimento de projetos de inovação e educação na Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), Camila decidiu empreender por conta própria. Ao lado do sócio Felipe Barreiros, criou a Ponte 21, o primeiro passo da dupla com as próprias pernas. A agência de inovação e desenvolvimento de sites e aplicativos foi uma maneira de começar a ganhar dinheiro para realizar o sonho de criar uma escola de tecnologia. Depois de faturar o primeiro milhão, eles decidiram lançar o Mastertech.

‘Você pode aprender tudo que quiser’ são as primeiras linhas do site da empresa – e é nisso em que Camila acredita. “Me parece que vivemos o que aconteceu na era dos escribas, quando ler e escrever era para poucos e eles queriam proteger essa ciência da escrita”, afirma. “A programação vai ser o novo inglês, vai ser a alfabetização, e para sustentar a economia e gerar inovação vamos ter que ensinar todo mundo a no mínimo entender o que é esse produto digital”.

“Até hoje recebo emails relatando que uma faculdade tomou a decisão de tirar o banheiro feminino. Qual a chance de fazer essa menina se sentir parte disso?”

O Mastertech não é exclusivo para as mulheres, mas elas representam 61% dos alunos – uma porcentagem impressionante quando o assunto é programação. Coincidência? “Existe um esforço constante para ter um quadro equilibrado de professoras e professores e para não fazer uma comunicação estereotipada que pareça que programação é só o menino branco do Vale do Silício que aprendeu com 5 anos e está milionário aos 30”, diz. Em 2017, com menos de dois anos de vida, a startup faturou 4 milhões de reais e foi escolhida pelo Facebook para operar um dos pilares de um grande projeto que a empresa está trazendo para o Brasil. O Mastertech vai cuidar da formação de talentos de tecnologia distribuindo 1200 bolsas de formação, especialmente para aqueles que possuem menores chances de ingressar na área.

Camila Achutti e as mulheres na computação

A empatia é uma das armas de Camila para mudar a tecnologia. Os nomes dos cursos mais básicos tentam mostrar às pessoas que nunca ouviram falar em códigos que é possível, sim, começar a aprender. Ao invés de iniciação à programação, o curso leva o nome de programação para não programadores. Além dos 2 mil alunos que passaram pelas formações, que duram de 3 horas a dois meses, outros 30 mil se inscreveram no curso online app do zero, lançado este mês.

Aos 25 anos, a empreendedora listada como um dos 30 Under 30, os jovens mais promissores eleitos pela revista Forbes, sabe a importância da missão que assumiu. “As meninas têm uma barreira maior com a tecnologia, mas não ir atrás desse conhecimento, que não significa ser coding, tira sua oportunidade de sucesso em qualquer profissão”, diz. “A gente entendeu que diversidade é uma questão econômica e é impossível sustentar inovação excluindo metade do planeta Terra. Ponto”.

beijos

– INSPIRE-SE NO ESTILO DE CAMILA

QUER SER AVISADO SOBRE NOSSOS PRÓXIMOS POSTS?