Nelson Botega, da Snack: a nova era da produção de conteúdo no YouTube

Há quatro anos, o publicitário Nelson Botega abandonou a carreira na agência para criar seu próprio negócio. Ao lado do sócio Vitor Knijnik, ele criou a Snack, uma rede de canais no YouTube que cria, produz, agencia e comercializa conteúdos sobre moda, viagens, cultura, celebridades, viagens e os mais diferentes assuntos. Nelsinho começou lançando o canal de fofocas OK!OK!, com o bordão que pegou emprestando do pai, o apresentador Nelson Rubens. Hoje a Snack tem 27 milhões de inscritos nos 18 canais próprios e nos mais de 30 que ela agencia, produzindo 130 vídeos e movimentando 100 milhões de views a cada mês. “O YouTube revolucionou o mercado de vídeo e a produção de conteúdo”, afirma. “Ao invés de canais com a curadoria de um diretor artístico, hoje qualquer um pode ser sua própria emissora”. A seguir, ele conta as lições mais valiosas que aprendeu ao empreender na internet.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

As novas comunidades

“O que estamos fazendo se chama social video. O premium vídeo é novela das 9 ou os filmes publicitários de 30 segundos. No YouTube, um vídeo dura 3 dias. A nossa empresa se chama Snack porque ouvimos em um seminário que a indústria do snack food é três vezes maior que a das refeições regulares. E o vídeo online é o snack, muito rápido e você consome mesmo sem estar com fome. O que importa não é um vídeo isolado, é o watch time, que contempla o conjunto de vídeos. Então você não precisa dedicar muito tempo a cada um, mas sim a linha editorial. A produção não é o fim, e sim mais um componente – e essa é a diferença de uma produtora. No social video, o fim é a comunidade”.

Vai procurar sua turma

“Uma comunidade são pessoas que respiram aquele assunto através de um líder. É quase uma igreja e não importa tanto o tamanho. A gente tem canais no YouTube como o do Whindersson Nunes, com mais de 20 milhões de inscritos. As pessoas sabem como ele acorda, como ele dorme, onde ele vai estar amanhã… Assim como existem canais de adoradores de trem e tem o pastor lá, que é o cara que adora um trem e criou uma comunidade em torno disso. O Michael Jackson e a Madonna são produtos do século 20, quando todo mundo os conhecia. O Whindersson Nunes nunca vai todo mundo saber quem é. Porque o lance não é audiência, é comunidade. Sabe a velha frase ‘vai procurar sua turma’? Acho que foi isso que mudou no conteúdo, as pessoas estão cada vez mais procurando sua turma”.

Conteúdo com a sua cara

“Uma das principais características para fazer social video é autenticidade. Na televisão existe a figura do apresentador e o cara pode fazer tanto programa de auditório quanto um reality show de música. No YouTube não dá. Acho que o assunto tem que ter liderança e ela tem que ser personificada. E precisa de autenticidade, não pode desviar um segundo do foco. Se a Gisele Bündchen criar um canal no YouTube não quer dizer que vá ser um grande sucesso. O canal do Neymar, por exemplo, está longe de ser um dos mais influentes. O segredo é seguir uma linha editorial”.

De olho nas tendências

“É difícil quando você quer executar uma ideia sem referência. Acho que as biografias são tão famosas porque você se inspira em pessoas, em culturas, em empresas e modelos de negócio também. Claro que você vai dar a sua personalidade à empresa. Na Snack, a gente tinha as referências das networks de fora, mas nenhuma estava produzindo seu próprio conteúdo. E nós transformamos isso no principal negócio. Mas ter a referência é muito importante, até para você trocar ideia com essas pessoas”.

Fracasso não é erro

“Aquela coisa de testa, erra, aprende e faz de novo é muito importante. A cultura americana tem olha o fracasso como positivo, mas a gente tem medo disso. O fracasso é o melhor feedback que você tem. Se você repetir, aí é erro. Quando a gente resolveu lançar o primeiro canal ao invés de fazer um business plan, os advisors que a gente tinha chamado para nos ajudar foram contra. E não existiu coisa melhor porque foi o teste, o beta. Depois você vai apurando o business plan com sua prática. Eu acho que só aprendemos fazendo, então implementamos essa cultura na empresa. Tem que estar aberto a mudanças o tempo todo”.

Missão fora da parede

“A grande batalha para quem vai empreender é simplificar. E não é da noite para o dia que simplifica, é uma busca constante. Quando começamos, eu e meu sócios pensávamos que missão era aquele negócio que se escreve na parede. Não é só isso. É muito importante. Porque quem entra na empresa tem que saber quem a gente é e onde a gente quer chegar. Quase como uma missão para os soldados do exercício. E os valores também. Por isso que quanto mais simplificado, melhor, para que todos que entrem aqui entendam”.

Não precisa ser especialista

“Acho que 80% das habilidades que eu exerço hoje eu não tinha quando eu comecei a Snack. Metadados de YouTube, analisar softwares de audiência, fazer planilhas de Excel… Coisas que eu nem esperava que iria fazer um dia. Eu aconselho as pessoas a absorver o máximo possível das empresas que elas trabalham. Porque ao empreender você tem que ampliar suas competências em 100%. Você tem que saber do financeiro, do jurídico, de criação e saber liderar. Às vezes tem um cara do seu lado fazendo uma coisa que pode ser útil lá na frente e você podia estar aprendendo com ele. A nova geração não quer ser especialista, que saber um pouco de tudo”.

Aprenda com a experiência

“Existe um clichê que diz que o que você vai ser daqui a cinco anos é o que está fazendo hoje. E é verdade. Tem que ler muito e estar aberto a ouvir pessoas que são mais experientes que você. Não pode ter convicção de tudo. Existem pessoas melhores que você ou com mais experiência. Tem que filtrar, mas se você não estiver aberto a isso não consegue crescer. Não pode parar de buscar conhecimento. Se alguém quer abrir um canal de YouTube hoje, existem milhares de textos e vídeos de graça para isso. Acho que empreender é não se acomodar”.

QUER SER AVISADO SOBRE NOSSOS PRÓXIMOS POSTS?