André Soler, do SP Invisível: o poder das palavras

Fala galera,

No dia 12 junho de 2014, os olhos do planeta estavam voltados para São Paulo. Era abertura da Copa do Mundo e até mesmo o americano Gregory Wiseman, astronauta estacionado na Estação Espacial Internacional, estava de olho na capital paulista. Em seu Twitter, publicou uma foto da metrópole vista do espaço: “O tempo parece bom em São Paulo”, escreveu. Mesmo com tanta gente olhando, muita coisa ficou sem ser vista. E era isso que incomodava André Soler, 24, um dos criadores do SP Invisível, um movimento de conscientização que conta histórias de pessoas em situação de rua que vivem em São Paulo.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Há pouco mais de três anos, André trabalhava no departamento de comunicação de uma igreja batista da cidade quando recebeu a tarefa de fotografar tudo o que era invisível. “Fiquei muito incomodado com esse questionamento”, lembra. “Não consegui filmar quase nada aquele dia. Foi meu colega roteirista quem fez todo o trabalho”. A maioria das fotos capturadas pela dupla mostravam pessoas em situação de rua. “Elas não estavam vivendo um momento de invisibilidade, mas sim sendo excluídas pela sociedade”, diz. “Por que então não contar essas histórias?”

Ao lado do amigo Vinícius Lima, montou no Facebook e no Instagram a página SP Invisível. André fotografava as pessoas em situação de rua e Vinícius escrevia os textos com suas histórias. “Começamos a postar uma foto e uma história todos os dias e a página foi crescendo”. E como. Hoje, são 380 mil seguidores no Facebook, além de páginas “parceiras” espalhadas por 42 cidades. André estima que cerca de 800 pessoas em situação de rua já tiveram suas histórias contadas.

O trabalho ajuda quem escuta e quem conta a história. Além de conscientizar seus leitores para os problemas que afligem as pessoas em situação de rua, André acredita que a própria abordagem já é uma maneira de transformar: “A maioria das pessoas nessa situação se sente abandonada de alguma forma, seja pela família, pelos amigos ou pela sociedade. O que fazemos é doar um pouco de tempo para elas”.

Os últimos meses parecem indicar que o futuro do SP Invisível talvez seja passar das palavras às ações. Este ano, o movimento organizou a segunda edição do Natal Invisível, uma ceia para cerca de mil pessoas em situação de rua no centro de São Paulo. Ao todo, 120 voluntários participaram da ação. “Não era só uma distribuição de comida, era uma ceia, uma experiência, um contato”, diz André. “Não queremos simplesmente dar, queremos gerar afeto”.

O caminho a ser seguido, contudo, ainda não está totalmente claro. “É um sonho ter uma ONG chamada SP Invisível, mas acho que o movimento nunca vai deixar de ser como  ele começou”, diz André. “Quero trazer histórias que todo mundo queria saber, mas que ninguém havia contado. Eu acredito que essas histórias têm a capacidade de mudar o mundo e de gerar empatia”.

beijos,

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