Anielle Guedes, da Urban 3D, e a construção de cidades inclusivas

Fala galera,

Desde 2015, Anielle Guedes se dedica a uma missão bastante complexa: transformar a construção civil e o urbanismo em setores mais eficientes e acessíveis. Para isso, a empreendedora de 25 anos viaja o mundo divulgando e buscando investidores para a Urban 3D, startup criada por ela que desenvolve tecnologia que alia robótica e impressão 3D visando a redução de tempo e custos dos processos de edificação.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

A paulistana decidiu fundar a empresa depois de participar de um programa de pós-graduação na Singularity University, think tank do centro de pesquisas da NASA no Vale do Silício, nos EUA. A ideia, no entanto, já vinha sendo trabalhada muito antes disso: “A Urban é um projeto de vida e, portanto, foi sendo construída ao longo de muitos anos. Minha família trabalha no ramo de construção civil há mais de três décadas e eu já tinha me envolvido em projetos do setor público na cidade de São Paulo, além de ter participado de um programa de design de desenvolvimento de tecnologia do MIT (Massachusetts Institute of Technology)”, explica ela, que atuou como tradutora no projeto da universidade americana que em 2012 trouxe 45 estudantes para vivenciar as favelas da capital paulista.

“Para mim, a construção civil é a forma de criar o lugar onde queremos viver. Esse lugar é inclusivo, tem que ser para todo mundo”

Em dois anos de trajetória, a Urban 3D identificou os gargalos do setor de construção civil e passou a desenvolver soluções disruptivas para torná-lo mais rápido, produtivo e sustentável. “Um estudo nos mostrou que hoje, para completar uma obra predial, são necessários 23 processos diferentes, que vão da fabricação e transporte de material à contratação da mão-de-obra”, explica. “Ao implementar a impressão 3D na cadeia produtiva do processo construtivo, é possível reduzir isso para mais ou menos 11 processos, além da redução de custo de material”.

Considerada um ponto crítico, a área de materiais foi a primeira a ser enfocada pela empresa, que desenvolveu um software que não apenas auxilia no design do matéria-prima que será utilizada para a impressão, mas também é capaz de rastrear as peças produzidas da fabricação ao momento em que estão sendo montadas no prédio. “Com ele, eu consigo fazer um concreto que seca mais rápido, que é mais eficiente, que tenha as características que a gente precisa para impressões 3D”, exemplifica.

Anielle aponta que há um problema de produtividade que afeta o setor de construção no mundo inteiro. Há muito mais demanda por construções do que oferta, o que encarece o preço das moradias e faz com que camadas mais pobres da população recorram a habitações irregulares. Só no Brasil, já são mais de 11 milhões de pessoas morando em favelas (segundo dados do último censo realizado em 2010).

“O que a gente tenta fazer com essas novas tecnologias é trazer engenharia e ciência para resolver esse problema”, conta. “Sabemos que não é nada simples solucionar o déficit de moradia global, mas também sabemos que há esta questão de produtividade que pode ser solucionada, como aconteceu, por exemplo, com a indústria agrícola, que resolveu sua lacuna de produtividade com o uso de tecnologia”.

É por isso que o desenvolvimento de técnicas fabris pela Urban 3D é apenas uma etapa de um objetivo maior para Anielle, que quer atuar pela renovação do desenho urbano das grandes cidades. “Não tem coisa pior para mim do que morarmos em uma cidade e simplesmente detestá-la. Termos de lidar com ambientes insalubres, lugares onde não queremos viver”, afirma. “Para mim, a construção civil é a forma de criar o lugar onde queremos viver. Esse lugar é inclusivo, tem que ser para todo mundo, por isso a necessidade de moradias e infraestrutura mais baratas. E é por meio da tecnologia, da ciência e da inovação que podemos realizar isso”, conclui.

beijos,

– INSPIRE-SE NO ESTILO DA ANIELLE–

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