Elena Crescia, do TEDxSão Paulo: caçadora de novas ideias

São muitas as ferramentas de trabalho de Elena Crescia. Até um post no Facebook rende um convite para um café. O autor, até então um ilustre desconhecido, pode ter muito a dizer à uma plateia de milhares de pessoas. É um trabalho árduo encontrar as vozes que palestram no TEDxSão Paulo, um dos braços do TED Talks, rede de conferências que quer disseminar boas ideias em palestras de até 18 minutos. Pelos eventos já passaram grandes nomes como Bill Gates e Edward Snowden, mas o TEDx se dedica a encontrar pessoas comuns que tenham algo a compartilhar. Quando convida alguns dos palestrantes, Elena costuma ouvir respostas de surpresa ou apreensão. ‘Acho que você se confundiu, eu não sei falar em público’ é uma reação comum. Mas é esse o papel de Elena à frente do TEDx São Paulo: encontrar essas pessoas e ensiná-las a espalhar suas ideias.

Desde o primeiro evento, organizado em 2012 para uma centena de espectadores, Elena realizou mais de 30 conferências em São Paulo. A última delas, no estádio Allianz Parque, reuniu quase 10 mil pessoas e conquistou o posto de segundo maior evento do TEDx do mundo. “Estamos criando novos heróis. Ouvir pessoas que apaixonadas pelo o que fazem é libertador, inspirador”, diz. “Ao ouvir pessoas que foram atrás de soluções, isso faz com que você tente resolver quando tiver um problema ao invés de cair em reclamações”. A seguir, ela conta o que aprendeu nessa trajetória.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Apostando alto

“Eu sempre segui minha intuição. Quando comecei a fazer os eventos percebi que queria dedicar mais tempo para o TEDx. Tem uma frase que é muito importante para mim: muitas vezes é preciso dar um passo para o chão aparecer. Às vezes você percebe que precisa dar um passo, mas as condições não estão perfeitas para isso. Quando decidimos fazer o TEDx no Masp pela primeira vez, vínhamos de um evento para 200 pessoas e no museu cabiam quase 500. Algumas pessoas da minha equipe começaram a se questionar se haveria mesmo o dobro de pessoas interessadas. Não tínhamos patrocinador, nem ingressos vendidos, mas eu senti que tínhamos que dar esse passo. Os ingressos se esgotaram em dois dias e fizemos uma lista de espera que terminou com 12 mil nomes. O chão apareceu. Depois fomos para um espaço para 1500 pessoas e no ano seguinte para um estádio de futebol”.

Criando espaços para trocas

“Não estamos oferecendo festa de Carnaval, Lollapalooza… Estamos oferecendo conhecimento, palestras, inspiração. É muito legal que tantas pessoas estejam em busca disso. Pensamos na experiência como um todo para que aquilo seja um dos dias mais especiais do ano. É como usar a magia da Disney em um evento de palestras para que as pessoas consigam se surpreender, se admirar. Sempre colocamos música na programação porque é uma forma de sair do mundo de fora e entrar ali. Não é como uma conferência científica, é um dia para aprender, conhecer pessoas novas e fazer conexões”.

Retomando o contato pessoal

“Atualmente estamos mais lendo comentários, textos, e falta um pouco essa dimensão humana. Quando alguém está na sua frente no palco você consegue ver o rosto, as expressões. Estamos acostumados a relacionamentos que não tem essa presença e por isso é tão legal parar para ouvir pessoas que você não conhecia e que não teria escutado de outra forma. A partir do momento em que a pessoa está lá no palco ela está totalmente desprotegida. Quem está ouvindo percebe isso e então todos estão juntos, se ajudando para que isso aconteça. Às vezes quando alguém trava ou perde o fio da meada, a plateia começa a aplaudir para dar força e isso é muito legal de ver”.

Ouvindo de verdade

“A arte de ouvir é mais difícil. Para falar bem qualquer pessoa precisa de preparação e treinamento, mas para ouvir bem é só vontade, né? E não só ouvir, mas ouvir sem julgamento. As ideias de todos valem a pena ser ouvidas, não só de quem é mais extrovertido e carismático. Precisamos aprender a ouvir as pessoas mais tímidas e introvertidas. Falar claro, curto e saber qual é a mensagem que você quer passar são ferramentas que devíamos aprender na escola. Isso é importante para todas as carreiras”.

Encontrando as vozes escondidas

“Eu fico antenada ao longo do ano para buscar pessoas que estejam fazendo algo legal. Há muitas formas de fazer isso, desde as mídias sociais até procurar alguém que apareceu em uma nota sem foto na página 98 de uma revista. Alguns programas de televisão estão muito atentos ao TEDx e é muito interessante essa trajetória de uma pessoa que nunca falou em público, fala para quinhentas pessoas em um auditório e depois vai à um programa na TV aberta falar para milhares de pessoas. Nossa missão é trabalhar por ideias que merecem ser espalhadas, então se isso está acontecendo nossa missão está cumprida”.

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