Buh D’Angelo, da Infopreta: diversidade na tecnologia

Fala galera,

A paulista Buh D’Angelo, 23, sabe o que quer. “Sou uma pessoa leonina. Eu quero conquistar o mundo”, diz, sem falsa modéstia. O marco zero do seu plano de dominação mundial aconteceu em 2013, quando, aos 19 anos de idade, Buh começou a consertar laptops e computadores em seu quarto, na cidade de Guarulhos. Dois anos depois, ela fundou a InfoPreta, uma empresa de serviços tecnológicos composta por mulheres pertencentes a minorias, a maioria delas negras.

A empresa já conta com duas lojas em São Paulo: uma no Centro da cidade e outra no bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital. A sua fundadora, contudo, já alçou voos muito mais altos. Figurinha carimbada como palestrante em eventos de grandes marcas, como Microsoft e Google, Buh foi uma das representantes brasileiras do Women 20 Summit 2017, evento sediado em Berlim pelo G-20 que premiou iniciativas para a inclusão de mulheres no mercado de trabalho. A InfoPreta garantiu o terceiro lugar na competição. O prêmio foi entregue pela chanceler alemã Angela Merkel.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Cruzar o oceano, contudo, levou mais do que algumas horas para Buh. Ela, que sempre se interessou por ‘montar e desmontar coisas’, começou a fazer cursos técnicos ainda na adolescência e, aos 15 anos, já atuava na área da indústria, realizando a manutenção eletrônica de maquinário pesado. “Foi muito difícil conseguir entrar nessa área”, conta. “No meu primeiro trabalho, me colocaram para lavar banheiro ao invés de estagiar em eletrônica. Tive que passar alguns meses fazendo isso até conseguir trabalhar na minha área”.

Depois de sentir na pele a dificuldade de colocação profissional e perceber uma lacuna no atendimento de empresas de tecnologia aos consumidores finais – “eram tratados com descaso pelos técnicos” –, decidiu fundar a InfoPreta. Hoje, ao lado de sua noiva Daniele Esli, a Dan, busca oferecer oportunidades e treinamento para pessoas como Thais Martins, 27, funcionária da unidade de Pinheiros.

Ex-presidiária e moradora de rua, Thais teve seu currículo enviado à InfoPreta por uma assistente social que a conhecia do viaduto onde morava. “Cheguei aqui atrasada, dizendo que morava no Brás, contando um monte de mentira. Tinha medo de falar a verdade”, diz Thais. “Também achei que ia trabalhar como faxineira, que era a única coisa com a qual já tinha trabalhado. Não sabia nem ligar um computador”.

Isso foi em outubro do ano passado. Hoje, Thais voltou a estudar e se prepara para alugar um apartamento com a avó, deixando para trás a vida debaixo da ponte. “Até meu jeito de falar mudou”, conta. “Antes era só mano, mano, firmeza, truta, parça. Não conseguia nem atender um cliente”, conta. “Agora é só ‘miga’ pra todo lado”.

“A maioria das empresas esconde as coisas dos clientes”, diz Buh. “A gente busca contar, ser confiável e transparente”. A tática vem funcionando. Buh estima que a InfoPreta conserte de 30 a 35 máquinas por dia, além de realizar atendimentos em empresas no período da noite e na madrugada. “Me pergunto todos os dias por que deu tão certo. Não faço a menor ideia”.

O movimento é tanto que o número de funcionárias deverá aumentar nas próximas semanas. Hoje, são 8 mulheres trabalhando na empresa. Encontrar candidatas não é difícil. “Na semana passada postei que precisava de uma ajudante administrativa e recebi 105 currículos em três dias”, conta Buh.

Antes de conquistar o mundo, Buh satisfaz-se em melhorá-lo aos poucos. “Quando você ajuda uma pessoa sequer a subir, você também ajuda uma mãe, um pai, um parente. A Thais, que trabalha com a gente, virou o orgulho da casa”, diz. “O problema é a falta de oportunidade. Se você ganha uma oportunidade que seja, é faca nos dentes e garra até o final. Aqui ninguém volta para trás”.

Buh segue em frente.

beijos

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